sábado, 21 de janeiro de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
244: (18.01.2017) Boa Tarde para Você, Manoel Sales de Menezes
Em vários meses passados, mais recentemente, venho me queixando de não dispor de tempo suficiente para voltar ao nosso convívio fraterno nas manhãs domingueiras da Praça Padre Cícero, para reencontra-lo em meio a tantos amigos comuns, a rolar conversa farta e prazerosa. Saúdo você, querido amigo Manoel Sales, desejando-lhe ainda e com atraso, os votos sinceros de um ano novo muito proveitoso, não só na sua atividade exemplar de representante comercial, mas especialmente ao encontro de seu porte cidadão tão estimado por todos nós. Reservei para essa saudação a pauta longamente ansiada de melhorias sobre a nossa praça central, aquela que já tratamos como Quadro Grande, ou Praça da Independência, da Liberdade, a do Almirante Alexandrino, para ser hoje essa homenagem precisa ao velho e querido Patriarca. Investido no cargo para o qual foi festivamente celebrado entre campanha, urnas e diplomação, imagino que também a você, Manoel, haja satisfação com a notícia de que o prefeito Arnon Bezerra se volta para a inserção no seu plano de governo da velha e requerida revitalização da Praça. Em diversos momentos, especialmente com a sua participação, nós todos tivemos a oportunidade de refletir sobre demandas dessa necessária reforma, certos de que isso é o conveniente para resgatar a nossa autoestima para novamente dispor com satisfação do nosso maior cartão postal. O marco fundamental dessa praça, visto na atualidade, é precisamente o seu traçado que se recuperado deixaria mais confortável as duas questões mais flagrantes: o trajeto para o qual foi concebido como ambiente percorrido em travessia e a ambiência acolhedora dos seus espaços. Você, Manoel, testemunhou arremedos de reformas que desde os anos 60 retiraram perversamente essa adequação do equipamento, a título de certa modernidade funcional, questionável, que a tornou árida e desprovida de encantos pela subtração de diversos sinais embelezadores. Refiro-me especialmente, e sei o quanto também é seu sentimento, Manoel Sales, à questão paisagística de jardinagem, a qual a palavra revitalização se aplica com precisão, e que inclui, não só a questão da vegetação mais rasteira, e que não deve ignorar as velhas árvores e palmeiras quase seculares, e o velho Juazeiro de frondosa existência, esquecido injustificadamente.
Em muitos anos vimos com tristeza a perda gradual de certas referências ou a sua depreciação, a citar: a estátua do Patriarca mal posicionada em meio a uma fonte; o descaso com o funcionamento do relógio da Coluna; a eliminação de monumentos de homenagens; a improvisação do coreto, etc.
Como sinal fundante do comportamento incivilizado de administrações anteriores, fez-se da Praça o espaço de negociatas para ceder o público ao privado, como troca de favores e de atos de corrupção, o que a tem levado a ser locus de favelamento, vendendo alimentos de má qualidade. Todos, Manoel Sales, reclamamos, como o prefeito, que a Praça deve ser um espaço de convivência familiar, e como tal esperamos severa intervenção para coibir a bandidagem, a vadiagem, a droguice, a violência e a desocupação de seu solo para um melhor serviço à comunidade. Esse quisto, no que se tornou a Praça, se estende de forma alastrante e perniciosa ao seu entorno, nas quatro ruas que a cercam, deixando a sensação que a fuga é o que melhor nos convém para que a Praça não seja mais um ingrediente no quadro que nos coloca como reféns da violência urbana. Creio que merece respeito e acolhida a intenção de que o eixo da Rua São Francisco, entre as ruas Santa Rosa e São Pedro se converta num grande passeio, no estilo dos velhos boulevares, para completar a funcionalidade desse entorno, permitindo melhor circulação de veículos. Esse fato é relevante, pois já temos à frente o impacto que haverá com a abertura da operação do trecho do Anel Viário entre o São José e o Salgadinho, como grande atalho para minimizar a circulação de veículos através da Rua Pe. Cícero. Some-se a isso, sem dúvida, a necessária intervenção para regulamentar a utilização de espaços urbanos públicos apropriados indevidamente nas áreas do entorno da praça, e mais especificamente nas duas quadras do atual terminal rodoviário que necessariamente precisa ser requalificado. Em suma, Manoel, você e eu celebramos essa antevéspera de tais medidas, certos de que o gestor público caminha ao encontro dessa velha aspiração, tão cansada diante dos nossos anseios, mas que chega em boa hora para iniciar um novo período administrativo com todas as nossas esperanças.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 18.01.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! Por Renato Casimiro
A ideia de uma Exposição Fotográfica surgiu logo na primeira reunião de preparativos para a comemoração do Centenário. Daniel Walker e Renato Casimiro, convidados para participar de uma subcomissão de História, dentro da Comissão Central dos festejos, indicaram a possibilidade de realizar este evento, por algumas razões como a disponibilidade de grande acervo desses pesquisadores, a realização anterior de algumas exposições, inclusive no âmbito da Paróquia, e o grande apoio que sempre foi dado por Pe. Murilo de Sá Barreto na formação de nosso arquivo e em nossas promoções, sediando algumas delas em próprios da Paróquia. Então as Comissões setoriais acolheram de bom grado as nossas ideias e nos pusemos a trabalhar para selecionar material, elaborar expositores para a mostra, escolher ambiente possíveis para a exposição e estabelecer temas para compor a linha do tempo. Em princípio as fontes de imagens foram os nossos acervos pessoais e a própria paróquia, através de seus arquivos. Em futuro próximo, tal o sucesso desse empreendimento, é provável que outras ideias possam surgir para ampliar a visão sobre todos os grande momentos da história desse grande marco da igreja católica entre nós. Uma questão que está em consideração é a possibilidade de que este acervo passe a ter uma mostra permanente, atrelada ao acervo do museu paroquial. Em diversas reuniões fomos trabalhando a ideia e a exposição foi tomando corpo para mostrar um pouco do muito que esta Paróquia realizou e empreendeu, através do seu povo, de seu clero, de suas capelas, dos seus eventos, da acolhida às romarias, de personagens emblemáticos como seus párocos, e outras ilustradas pessoas, como Pe. Cícero e Pe. Murilo, sem esquecer de mostrar as suas mutações arquitetônicas, reformas, etc, e as expressiva atividades das confrarias como o Apostolado da Oração, da Pia União, da Liga de Sta. Terezinha, da Congregação Mariana, do Círculo Operário, dentre outras. Então, com todos estes aspectos destacados, foi possível reunir parte do acervo disponível, com cerca de 200 fotografias em tamanho, aproximado, de 30cm x 40cm, convenientemente montadas em elegantes molduras e com as suas legendas para facilitar a compreensão dos visitantes. A exposição está estruturada com a apresentação de suas imagens em expositores especialmente desenhados e construídos para a mostra, bem como a formação de painéis formados pelo arranjo de imagens em paredes do ambiente, de modo a deixar livremente a área de circulação para os frequentadores. Finalmente, no último dia 3 a exposição foi aberta ao público e assim se encontra por muitos meses. Em princípio ela deverá se manter aberta, no auditório do Círculo Operário São José, nessa fase das grandes romarias a Juazeiro do Norte, entre esta Romaria da Festa da Padroeira até à Romaria das Candeias, podendo, inclusive, a circular itinerante por alguns ambientes do Cariri, como colégios, museus, centros culturais, universidades e faculdades, outros municípios que se interessem, etc. A ideia é leva-la a outros ambientes para ampliar a observação de toda a comunidade, em conhecimento de parte substantiva da história da cidade. O principal critério elencado para a seleção das imagens foi o da relevância no contexto da história da Paróquia. Assim, foram constituídas algumas sessões bem específicas para abrigar essas escolhas. Por exemplo, iniciamos com registros efêmeros da antiga Capelinha, objeto da arte pictórica da artista Assunção Gonçalves, em telas memoráveis nas quais ao representar os primeiros momentos do Joaseiro Antigo, relativamente a 1827, data da sua fundação, a capelinha do Pe. Pedro Ribeiro, primeiro capelão, é vista em meio o arruamento do lugarejo. A este aspecto juntamos mais alguns flashes como a primeira planta da cidade e a primeira reforma da capela, tornando-a mais imponente, já por obra e graça do trabalho do Pe. Cícero, entre 1875 e 1884. Nesse sentido, continuamos explorando aspectos de sua arquitetura, enfocando diversas mutações, tais como reformas, ampliações e até mesmo as reconstruções em 1928 e 1974, esta última após rumoroso desabamento de seu teto, porque a coluna mestra não aguentou o peso dos anos e a inclemência do tempo. No caminhas, itinerário histórico, fomos mostrando muitos eventos, tais como a própria festa da padroeira, cerimônias tais como primeira eucaristia coletiva, celebrações litúrgicas, visitas pastorais e a grande movimentação das confrarias religiosas. Fizemos uma revisão de todos os paroquiatos e seus titulares, bem como apresentamos imagens do clero que tanto contribuiu para a grandeza de suas ações, especialmente com respeito às romarias. Demos espaço para uma revisitação a figuras extraordinárias de lideranças comunitárias ligadas às confrarias, bem como a diversos membros das confrarias dos beatos. Demos particular atenção ao zelo pastoral de Pe. Cícero Romão Baptista, como o grande patriarca da comunidade, embora não tenha sido ele, efetivamente um pároco, mas uma figura histórica da maior grandeza a assentar quase tudo o que hoje representa esta Paróquia. Neste particular há algumas imagens inéditas e alguns flagrantes dos dias em que se verificaram o velório e seu sepultamento. Há uma sessão dedicada a um dos grandes momento vividos pela comunidade católica de Juazeiro, bem como de todo o Cariri, com a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que veio de Portugal, em 1953 e que aqui foi alvo de vibrante acolhida, com procissões, celebrações e homenagens, entre inauguração de capela e monumentos (o famoso Arco, nos Salesianos, e o terço esculpido na lateral da Igreja-Matriz). Também demos destaque à figura do mais longo paroquiato, por seu titular Mons. Murilo de Sá Barreto. E como mostra fotográfica, finalizamos a exposição fazendo um percurso por seus espaços sagrados, apresentando imagens que nos chamam a atenção para velhos e novas ornamentações de capelas, de altares e diversos locais do velho templo. Na mostra essas sessões estão apresentadas, sempre que possível, seguindo-se uma logica de tempo, com o propósito de mostrar eventos, momentos que sempre serão relembrados como fatos de grande relevo na história de nossa primeira paróquia. Os organizadores desta Exposição fotográfica desejam expressar sua gratidão pelos gestos concretos de toda a equipe paroquial, a partir de seu pároco, o Pe. Cícero José da Silva, bem como de todo o clero, os vigários paroquiais, os funcionários da paróquia, os voluntários, e de modo particular a Comissão Organizadora e Curadora, também integrada por Daniel Walker, Raimundo Araújo, Socorro Gondim, Rozelia Costa, Homero Araújo, Francisco Fechine, Jacivânia Gomes, e Rejânia Roque. Enfim, a todos que se empenharam e ainda continuarão dando muito de si para melhor servir à permanência da mostra à atenção dos romeiros e dos paroquianos de Nossa Mãe das Dores, enquanto durar a mostra. Conclamamos a todos, de Juazeiro, de todo o Cariri, do Nordeste inteiro, pelo menos, para que entre hoje e o próximo mês de fevereiro de 2017, não deixem de vir a Juazeiro para ver esta mostra tão expressiva para a revisão histórica da primeira e ainda hoje a principal paróquia de nossa comunidade. Bom Dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 15.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Retomo o tema das memórias da Rua São José, entre 1953 e 1963, para falar de trapalhices, da molecagem do meu tempo de menino. Quando completei 50 anos, em setembro de 1999, parte da homenagem que a família e os amigos me prestaram foi a edição de um folheto de cordel, de autoria de Abraão Batista, baseado em fatos de minha infância, juventude e até das coisas atuais do meu dia a dia, sob o título de “As Trapalhices de um Professor de Micróbios e Alimentologia”. Minha irmã, para colaborar com a narrativa do poeta, relacionou alguns fatos mais domésticos para permitir que o cordelista fizesse seus versos. Na sua argumentação, diz minha irmã que “quando criança e adolescente eu era muito rápido, não dava tempo mamãe dizer não, porque então já havia feito, ou quebrado algum objeto”. Isto, efetivamente é uma coisa que me persegue. Eu não sei ao certo dizer porque sou assim. Não devo ter nascido em circunstâncias mornas, monótonas, pachorrentas. Dizem que a parteira até foi muito apressada, não amarrando bem o cordão umbilical, no que teria dado um bom sangramento. Lembro que ajudando meu pai no Centro Elétrico era, de fato, muito desastrado. Vamos situar um pouco a questão. No início dos anos 60, meu pai transferiu seu estabelecimento para a mesma Rua São Pedro, no número 619. Pela manhã eu me encontrava no Ginásio Salesiano, e no turno da tarde, depois de ter cumprido os deveres, ia para a loja fazer alguns trabalhos. Por exemplo: medir fio elétrico, testar lâmpadas, consertar ferros de engomar, trocar plugs ou pinos dos cabos de correntes de aparelhos, montar lustres, desencaixotar material que chegava pelos caminhões, fazer algumas cobranças, ir aos bancos ou repartições, e coisas assim. Freqüentemente o meu pai era muito exigente no cumprimento destas tarefas. Exigia prontidão, perfeição, eficiência. Tantas eram as coisas que eu penso às vezes que esta pressa nasceu desta pressão com a qual me cobravam. Minha mãe, mais compreensiva parecia querer conciliar as coisas, e dizia: deixa o menino, Luiz ! No que ele resmungava: Dora, esse moleque só tem isso mesmo pr’a fazer, e tem que fazer bem feito ! Mas não adiantava. Lembro inúmeras vezes em que as coisas, quero dizer, vidros, cristais e coisas delicadas, me caíram das mãos, sem que eu soubesse exatamente porque. Então, é notório que entre os de casa, os que me conheceram tão de perto, haja este sentimento de que me habituei a fazer de tudo um pouco, mas sempre desastradamente. Na narrativa da mana, ela comenta que “ainda criança quebrou um tabuleiro de pirulito que um garoto passava vendendo na Rua São José. Nossa avó, Neném Soares, louca por ele, disse ao garoto do bombom: - Eu vou pagar mais por favor meu filho não passe mais por aqui vendendo pirulito”. Eu não me lembrava deste fato, exatamente assim, embora a circunstanciada defesa de minha inesquecível Dona Neném seja a mesma. A verdade é que era um carrinho de picolé. Os carrinhos de picolé naquele tempo não eram bem isolados, não se conheciam materiais isolantes como isopor, etc. Então, havia, circundando a caixa onde ficavam arrumados os picolés, uma câmara cheia de gelo picado e sal, para manter o frio do produto. Isto fazia com que os carrinhos fossem muito pesados, e por terem duas rodas, apenas, um movimento mais brusco faria o carrinho virar rapidamente. O camarada vinha pela Rua São José oferecendo o picolé. Eu não estava mesmo afim, senão de pegar no carrinho e dar uma volta. O cara permitiu, e numa desembalada carreira, o carrinho me fugiu das mãos. Resultado: a pancada foi tal que a tampa abriu e a quase totalidade dos picolés caiu no chão. Os picolés não tinham embalagem, e para completar ninguém tomou uma pronta reação. Conclusão: os picolés começaram a derreter, deixando na calçada umas manchas de corantes rosa (morango ?), marrom (chocolate ?), verde (abacate ?),etc. A pronta reação de minha avó, chegando na porta e vendo a tragédia, foi a de agarrar o neto, empurrá-lo para dentro da casa, e dizer para o vendedor de picolé: bem feito, quem mandou passar nessa calçada ? Depois, entrou no quarto, pegou um dinheiro e foi acertar as contas com o vendedor. A Dina veio prontamente lavar a calçada que ainda ficou uns dias colorida. Minha irmã nos diz que “com uma baladeira feita por ele, quebrou muitas lâmpadas dos postes da Rua São José”. Menos verdade. Assim vão continuar dizendo que aprontei sempre, o que nem sempre era verdade. Uma só lâmpada, isto sim, é verdade. No começo dos anos 60 vínhamos sonhando com o dia em que a energia de Paulo Afonso entrasse em nossas casas. Até se falava que o Padre Cícero já dissera: “Meu amiguinho, haverá um dia em que as águas do São Francisco virão bater na nossa porta”. Então, se dizia que, não sendo possível trazer a água do São Francisco, estavam trazendo a energia gerada por suas quedas, o que até poderia ser muito melhor. Então, víamos a cidade se encher de postes. E no canto esquerdo da casa de minha avó, no limite da calçada da casa do Cel. José Pedro da Silva, foi plantado um destes postes feitos pela Cavan, lá no Arisco. Estendidas as linhas, logo puseram a luminária, e nela uma lâmpada que não era lá grande coisa para iluminar, veríamos depois. Numa tarde-noite, eu sentei ao lado de minha avó, como frequentemente acontecia, e ficamos conversando alguma coisa enquanto eu lhe mostrava uma baladeira que fizera com graveto que arranjara para o lado da Boca das Cobras, e borracha de uma câmara de ar que me deram na oficina de Siri. E ela me perguntou: você tem boa pontaria ? E eu respondi que não tinha coragem de ter boa pontaria, porque o Nego de Pretinha tinha me dito que para ter boa pontaria era preciso matar um beija-flor e comer o coração, cru. A minha avó ficou indignada com aquilo, e pelo menos para mim resmungou que “aquele nego não sabe nada. Onde já se viu matar um beija-flor e fazer esta perversidade”. Fez-se um silêncio, e eu lembro de ter dito alguma coisa como: veja como eu nem sei atirar direito. Mirei na direção do alto do poste, soltei a pedra e foi certeira na lâmpada. Dona Neném e eu ficamos de boca aberta olhando para aquela situação inusitada. Foi ela quem quebrou o silêncio: “tem nada, não, antes da inauguração eles mandam botar outra”. E não mais se falou neste assunto. Reconheço que no Juazeiro do meu tempo, eu fui um moleque que aproveitou bastante o encanto e uma certa pureza nos bandos que se formavam, entre gente da vizinhança e de outras ruas. Mas, principalmente da Rua São José, pois tinha o olhar vigilante de Dona Neném Soares que a tudo espreitava nos passos dos netos. Então, não íamos longe, ou às vezes íamos longe demais. Convivendo com os colegas, em inúmeras brincadeiras pela Rua São José, becos e praças de Juazeiro, nem sempre as coisas corriam bem. Às vezes era necessário medir forças. E era como diz minha irmã: “Brincava de briga-de-galo com os colegas e como era muito magro ficava todo machucado”. Nunca me tiraram sangue, essa é que é a verdade, mas muitas vezes sai com fortes dores. Físicas e morais. Com o tempo eu fui vendo que aquilo não era vida. Eu não ganhava uma só, e fui me moldando aos favoritos que, como galos daqueles terreiros, não aceitavam perder nenhuma. Então, eu não tomava partido nas dores de ninguém, a não ser que a coisa fosse muito grave. Por exemplo, já não me mexia para defender a honra da mãe de quem quer que fosse, pois a provocação vinha sempre num “filho da puta” sonoro e irresponsável. Tínhamos os locais prediletos, como os banhos no Salgadinho, para os lados da Boca das Cobras, as peladas de futebol no Bosque, os passeios nos engenhos da Rua da Matriz, ou do Salgadinho. As traquinices eram tantas que para relatá-las, nem há tanto papel para tal, e muito menos gente com paciência para lê-las. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 16.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Deve haver uma boa explicação. Penso que há. Só assim saberemos, se é que interessa, porque as crianças gostam tanto de quintais. Ou, pelo menos, gostavam. As cidades cresceram, muitas casas cederam à construção de prédios de apartamentos, veio a televisão, e os quintais foram drástica e quase definitivamente substituídos por outros encantos. É a vida, Quem sabe, seja esta apenas uma lembrança poética (galos, noites e quintais...). Talvez porque os quintais de antigamente reuniam elementos muito expressivos do mundo lúdico da infância. Quintais, haviam – sim, senhor. Com imensos espaços a chão batido. Não havia esta de grama ou cimento. Este estado de coisas era motivo sério de advertência da nossa empregada Dina: “Não vá para lá neste solzão. De noite vai estar ruim da garganta”. E era profético. Tanto mais repetisse, tanto mais se ia para as dolorosas intervenções: em casa – embrocação com violeta de genciana, azul de metileno, tintura de iodo ou coisa assim; no ambulatório da Farmácia Belém, ou no de Dona Dade Magalhães – injeção de angino-bismuto. Ah, como doía. Ainda há destas coisas tenebrosas ? Há outros, como não há mais quintais. O espaço urbano se tornou caro e o delicioso, e doméstico jardim de infância cedeu lugar a outras demandas. Falo-lhes do meu quintal da nossa casa na Rua São José, 484, e de tantos outros por onde cumpria viagem itinerante aos sonhos de uma infância festiva e buliçosa. O de lá de casa era de bom tamanho. Havia uma parte coberta que me servia de oficina. Nela se guardava carvão para a cozinha, e os troços velhos encostados da mobília. Lembro de ai ter os restos do meu carrinho de bebê que me levava a passeio pela praça, de meu primeiro velocípede e sucatas, com as quais fazia, com prego, martelo, serrote e madeiras, os exercícios da criatividade. Fazia aviões, carrinhos, patinetes, brinquedos que me traziam na alma a sensação de uma conquista magnífica. Já não era tão dependente de uns poucos brinquedos que custavam muito caro às parcas economias da família. Era o meu ócio criativo, antecipado, perdido no tempo de uma felicidade invejável. No fundo havia banheiro e sanitário, além da cacimba dividida com a casa de minha avó. Era daquele tipo de cacimba tão peculiar pelos sertões, onde um muro dividia a boca do poço para duas casas. De plantas só tínhamos a romã, velho bálsamo para as gargantas infectadas. As cascas, a Dina guardava paciente e zelosamente para os chás e lambedores necessários. Os frutinhos vermelhos eu os degustava como se fossem coisas preciosas para um paladar mais exigente. O quintal se limitava à direita com a velha casa de Dona Maria Muniz, depois reformada pelo proprietário Ângelo de Almeida e agora a morada de Socorro e Geraldo Militão. Depois viria a primeira filha, a Jeny. Que saudade ! Ao fundo, as casas do prof. Elias Rodrigues Sobral. E na esquerda e parte do fundo, a casa de minha avó Dona Nenén Soares, em cujo quintal não se brincava, pois era muito “organizado”, e as minhas tias estavam sempre vigilantes. De nosso quintal, facilmente eu podia alcançar os telhados, escalando os muros em determinados lugares onde a subida era facilitada. Daí podia bater um papo com Evilásio e Yony Rodrigues, sempre surpresos com aquela invasão de privacidade. À tardinha, nos tempos em que frutificavam as parreiras (havia, sim) eu poderia ousar e apanhar alguns frutos, tão exóticos para este lugar do Juazeiro. No muro da vovó era grito certo: Você não me escapa, seu moleque ! Mas, este mundo diverso dos quintais era fantasticamente ampliado, quanto mais se gozasse de privilégios para entrar e sair de tantos outros. Havia os quintais das oficinas, onde encontrávamos peças sucateadas de carros em consertos. Havia o quintal da casa de Dr. Feitosa, o então prefeito. E como já referi, anteriormente, este, sim, imenso e cheio de atrativos indescritíveis. Ai tínhamos um verdadeiro mini zoológico ao nosso alcance, com aves, pássaros, cobras, onça, gato maracajá, anta, macacos, tartarugas, etc. Com duas áreas amplas de quintal, uma pela Rua São José, e outra pela Rua Santa Luzia, com fundo para a Santa Rosa, o terreno era cheio de pés de seriguelas de incrível dulçor. O quintal do Museu da Casa do Pe. Cícero era outra coisa fascinante. Havia uns pés de cajaranas e cajás e vários aquários. Íamos lá acompanhados com os pais ou as tias que se dispunham. Era uma visita muito bem comportada, pois aquele era um quintal de respeito, para se ver e não profanar. Infelizmente o fizeram, modificando-o. Contra a nossa vontade. O quintal da casa de Júlia pegada a casa da família de Maria e Antonio Flor tinha algo diferente: um belíssimo urubú rei que enchia os nossos olhos, enquanto alguém que nos levava, lhe comprava deliciosos doces. Sempre me disseram que aquele urubú-rei fora um presente que alguém dera ao Padre Cícero, e Júlia, como gente da casa do Padre, era a encarregada de criá-lo. O quintal da casa dos meus padrinhos de batismo, Maria Germano e José Magalhães era amplo e bem arrumado, com jardim bem cuidado. Madrinha Germano era dona de casa exemplar. A mesa da copa, em marmorito bem liso era ótimo para os jogos de botão. A caixa d água, num descuido do pessoal de casa, era ótima para se escalar por uma escada de ferro, presa na parede. Daí se viam os telhados do casario por perto, as torres das igrejas e da coluna da hora, em imagens de curiosidade e espanto. O quintal da casa dos nossos compadres Dolores e José Figueiredo descia para os Brejos, por trás do Abrigo dos Velhinhos. Ali eu podia ir ver outro universo de terras nas companhias dos filhos da casa, Francisco Wilson, Cícero Antônio, Lúcia, Maria das Graças... No inverno, terras úmidas pelas cheias do salgadinho, os quintais cediam seus encantos pelas ótimas caminhadas e aventuras para os lados da Boca das Cobras. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 17.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Quando cheguei na Rua São José já havia a bodega de Firmino Teixeira, pai de Plácido e Elisio Teixeira, grandes amigos de meu pai. Ela ficava no lado impar da Rua, em frente à Padaria Luzitana, do português Ângelo de Almeida, no cruzamento da Rua São Francisco. Aos olhos de um menino, não havia diferença de uma loja muito sortida, cujo estoque era muito diversificado. Vale a pena ouvir o poema de Jessier Quirino (Parafuso de cabo de serrote: https://www.youtube.com/watch?v=3FCKtFPxGsI). O balcão, de madeira, em forma de L tinha uma parte para serviço de bebidas, principalmente aguardente. Lembro que desse serviço, por derramamento de bebidas tipo conhaque, quinado, “zinebra”, vinho (havia o famoso vinho Leão, e outros) o balcão ficava impregnado daqueles odores. Talvez por isto que, quando em casa, pelos mesmos motivos, estes aromas apareciam, certamente por alguma traquinagem, a nossa empregada Dina logo exclamava: “Isso aqui está com um cheiro de bodega !” No estabelecimento de “Seu” Firmino Teixeira havia uma exposição de peças do estoque que ficavam penduradas desde o teto, caindo sobre o balcão. Era uma casa de variedades. Semelhante àquela do meu primo José Lopes de Oliveira (o “Seu” Oliveira) da Praça. Do sortimento de “Seu” Firmino, minha frequência era para a aquisição de bolas de gude, “enfias”(cadarços) para sapatos (que eu quebrava sempre, talvez com raiva dos primeiros sapatos apertados), peões e carrapetas e, principalmente, as ponteiras, doces tipo mariola e cocadas, querosene para lamparina, aviamentos para roupas, como linhas em carreteis de madeira, fechos, botões e outras necessidades de casa. Mas, penso que desta casa, o mais expressivo era a cera de abelha que estava sobre o balcão, em grandes porções, como, se fossem modeladas em bacias. Havia um tipo clara, amarelada, mas a preferida era uma escura, bem preta. Com a cera ia para a calçada de Audísio Figueiredo (Dona Santinha) para aprender a fazer bonecos. Esta loja foi sucedida, no mesmo local, por outro comerciante, o sr. Albis Sobreira. Depois, no mesmo local, estabeleceu-se meu tio Ananias com um pequeno mercadinho, até que veio a desapropriação da área, pelo Prefeito Manoel Salviano, para o alargamento da Rua São Francisco e a consequente construção do terminal rodoviário interurbano, hoje ai existente. Com este alargamento da via tombaram, igualmente, os prédios da Padaria Luzitana e o das antigas bodegas de “Seu” Rocha e da portuguesa Dona Lucila (irmã de Dona Maria Almeida, esposa de Ângelo de Almeida), que funcionaram na Rua Santa Rosa, esquina de Rua São Francisco. Aí em frente, outrora funcionou também a bodega da família de Jaime Brandão. Outra bodega muito conhecida era a de Catarina que ficava no beco que ligava a Rua Nova (depois Av. Dr. Floro) com a Rua São José. Era um quartinho pequeno que vendia de tudo para as necessidades mais urgentes de uma casa, como aliás era o sortimento das vendas deste tempo. Coisas mais especiais tinham que vir das casas de estivas e cereais (os ditos secos e molhados) da Rua São Pedro, ou de redor do Mercado. Mas, para nós, a grande atração era umas balas de imburana, cuja fórmula ninguém nunca soube ou tentou imitar comercialmente. Não se encontravam noutro lugar. Não era como cocada, branca ou de côco queimado, que se achava em qualquer biboca. Imburana é uma madeira muito conhecida no Juazeiro, ainda hoje, principalmente pelos artesãos que a utilizavam para fazer santos, xilogravuras, carimbos, ex-votos, etc. Fácil de cortar e muito macia, ainda hoje é a preferida. Há variantes de sua nomenclatura, como umburana, ou imburana de cheiro. Se era de partes verdes da planta, ou de infusão de pó de serragem que Catarina usava, não sabemos. O fato é que estas balas tinham um gosto particular, inigualável. Recentemente, numa roda de amigos, perguntei: quem se lembra da bodega de Catarina ? E a associação foi imediata: balas de imburana. Eram pequenas, esféricas, carameladas, bem doces, sem serem enjoadas, que ao serem degustadas se ligavam aos dentes feito um chiclete. Certamente Catarina não usava qualquer recurso extraordinário, a partir mesmo do açúcar, que parecia ser de rapadura. Ao escrever estas linhas, sinto que elas saem doces, da alma e dos sentidos, sentimentos eternos, como as balas de imburana de Catarina. Mas, o assunto não termina por aqui, pois não é possível esquecer outros estabelecimentos como as bodegas de Dona Otília, a mãe de Zuza e de Tetê, de quem ainda falaremos. Não posso esquecer a bodega de Dona Isaura, no cruzamento da São José com a rua Santa Luzia, miudinha, mas que tinha sempre algo que nos satisfazia como o velho pirulito chamado de pirró, com corantes muito vivos, como o vermelho. Inesquecível também era a de dona Afrinha e seu Deca. Dona Afra era irmã de Aureliano e de Zeca, romeiros famosos, filhos de Marcolino. Zeca Marcolino foi homem que fez fortuna no Juazeiro, mas que teve um fim trágico, assassinado por um seu ex-empregado, num hotel em Fortaleza. A bodega de seu Deca era bem sortida, mas além do trivial que nossa casa necessitava, entre açúcar, fósforo e querosene, tinha umas cocadas que o tempo não me permitiu ainda deixar de sentir o seu sabor. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 18.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Nos anos 60, as lojas que vendiam presentes, e principalmente brinquedos não eram tantas. Nos primeiros tempos eram pequenos brinquedos que eles adquiriam nas lojas de Rosinha Xavier, de Genésio Matos, do Barbosa, de “Seu” Felipe Neri. A sucata mecânica da Fazenda Carnaúba, de meu avô Antonio Alves Casimiro, em Sousa-PB, despertou minha curiosidade para a construção de meus próprios brinquedos. Nada complicado. A elaboração veio com o tempo, em que os carrinhos tinham que ter feixes de molas, que aprendi a fazer observando a arte de Aécio Germano, artesão fino, de grande elaboração, construindo caminhões de grande porte. Como também fazer a instalação elétrica, usando pilhas, interruptores, fiação e “foquitos” de lanternas, com os quais os carros adquiriam um charme especial, principalmente na hora e fazê-los desfilar pelas calçadas, à noite. No Centro Elétrico, loja fundada por meu pai em 1954, eu usava materiais como madeiras, “haspas” metálicas, pregos, parafusos e madeira à vontade, das embalagens que recebíamos. Contudo, era necessário outras relações com outro mundo, lá fora. Foi ai que descobri as oficinas para completar este artesanato que me fascinou e ainda hoje me encanta, sempre que penso numa terapia que me remeta a aquele período lúdico. Eram, portanto, as carpintarias, as oficinas que de preferência eu procurava, na Rua São José e ao seu redor. Na esquina da Rua Santa Luzia havia uma delas. Sempre ia lá para cortar algumas madeiras. Eu me tornei também um freqüentador de outras duas. Na do meu primo Francisco Gonçalves Casimiro (Chichico), na Rua São Francisco, perto da Escola Técnica de Comércio, pelo menos duas ou três vezes por semana, saindo da Escola Normal Rural, era lá que me sentia mais à vontade. Sobrinho de meu pai, Chichico era uma figura doce e amiga. Foi ele quem me ensinou, pacientemente, a cortar madeira, aplainá-la, usar a serra tico-tico, fazer os furos necessários e com isto executar pequenos trabalhos manuais. Ao mesmo tempo ia à movelaria do outro primo, Cipriano Casimiro de Oliveira, na Rua São Paulo, quase em frente ao estabelecimento de “Seu” Lunga. Também ai gozava do privilégio do primo tão estimado de meu pai. Com seus filhos menores, brincávamos sempre fazendo carrinhos, casas e outros brinquedos. Outro tipo de oficina na Rua São José era a mecânica de automóveis. Em frente a nossa casa funcionavam duas. Vizinho à casa do Cel. Fausto Guimarães, que era uma garagem do Sr. José Monteiro de Macedo, ai funcionava uma oficina de Zé de Siri – assim chamávamos esse senhor que numa certa época era motorista de praça. Ele era irmão de “seu” Siri, que tinha a outra garagem. Aliás, no quarteirão lado impar, havia cinco garagens: duas de José Monteiro, duas de Ângelo de Almeida e esta do “seu” Siri. Quando ele encerrou o negócio, meu pai adquiriu o imóvel e a garagem foi reformada para nos servir. Depois, meu pai a vendeu ao Sr. Fabião, então gerente das Casas Daher, e hoje é parte de sua residência. Nestas oficinas, eu ficava horas olhando aquele movimento de monta/desmonta veículos. Dali sempre ganhava peças velhas como velas, platinados, rolamentos para fazer patinetes, aros para fazer rodas com as quais empurrávamos com uma haste de arame, sem falar em restos de câmaras de ar para fazer baladeiras. Tinha a paciência para ver o trabalho meticuloso de calibração de válvulas, e o ajuste de queima de combustível na regulação dos carburadores. Outro tipo de oficina era a de calçados. Havia uma que funcionava no quintal da casa dos tios Silvanir e Ananias Araújo. Como era da família, freqüentemente ia por lá e ficava sentado junto aos operários, principalmente o Deca, que me era simpático. Sempre apanhava um resto de aparas de couro para fazer baladeiras que me serviam para os passeios nos fins de semana, pelas Malvas, pelo Horto, pela Boca das Cobras, ou nos Coqueiros de Damiãozinho, na Lagoa Seca, ou na Timbaúba. Havia uma outra oficina, onde hoje deve ser a casa de Raimundo Araújo. Ali eu freqüentava pela curiosidade de ver um senhor, que não lembro o nome, e que fazia rádio-galena. Não era apenas o suporte para o mineral, com uma agulha que pacientemente se procurava encaixar para a sintonia da emissora. Fazia parte deste artesanato a feitura de alto-falantes e de fones de ouvidos. Ele era muito atencioso e nos deixava ficar ouvindo aquilo por alguns minutos, até mesmo em várias ocasiões que lá ia. Às vezes ouvíamos estórias de como se fazia aquele “milagre”. Ele fantasiava um pouco para não contar o “segredo”, como a fórmula dos ingredientes do fone, contendo cocô, seco e pisado, de uma certa galinha de sua propriedade, misturado com carvão, além de um imã, que não era fácil de encontrar. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 19.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Da Rua São José, ou circulando por ela, era possível no seu dia-a-dia encontrar um desses malucos de rua, com os quais, ou até temendo, a meninada muito se divertia. Eu penso que eles eram parte da nossa alegria cotidiana, pelo inusitado, bizarro e surpreendente modo de nos trazerem a uma realidade que ainda não conhecíamos. Quando se falava, por exemplo, de hospícios, de asilos, ou uma casa qualquer para o tratamento desta gente, se falava de algo distante, noutro mundo. Daí porque parecia mesmo a rua o único e derradeiro abrigo desta gente, freqüentemente desvalida. Mesmo que tivessem endereço fixo, perambulavam pelas ruas. Lembro bem que quase à nossa vizinhança havia o Tetê, a minha primeira notícia viva de um drogado irrecuperável. Um maluco que consumia maconha e se consumia com álcool e outras mazelas. Seu nome era Adonias, filho de Dona Otília, uma viúva que tinha uma bodega na Rua, no cruzamento da Cruzeiro. Na família outros filhos com problemas mentais e uma filha, particularmente, algumas vezes vimos acorrentada, em frente a nossa casa, parcialmente livre do cativeiro. De Tetê havia muitas notícias, sempre. Talvez a mais comum fosse a das suas inúmeras prisões no quartel da cidade, ainda na esquina da São Luiz com São Pedro. Numa destas, um inquérito de praxe, pois ele havia sido pego com um pacote de maconha. À indagação de onde obtivera aquela erva, o maluco saiu com esta beleza de afirmação: - “Seu delega”, eu ganhei essa erva numa rifa.” Passados os anos, Tetê transitara para outras drogas, especialmente a cola de sapateiro, de violentos efeitos. Transferido para tratamento de saúde, em Fortaleza, Tetê aí faleceu. Quase em frente a nossa casa havia a residência dos irmãos Guimarães, várias mulheres e o Evangelista, o único dos homens aí residente. “Lista” era sacristão nos tempos do vigário Zé de Lima. No tempo em que tudo era em latim. Várias vezes eu fiquei perto do Lista para perceber como ele pronunciava aquele formulário litúrgico, principalmente quando já achava que, aluno do Ginásio Salesiano, cursando Latim, alguma coisa poderia entender das respostas do sacristão. Ledo engano. Era uma enrolada só, com a complacência do pároco. Enquanto estava no altar, ajudando a celebrar a missa, ficava fazendo caretas e dando língua para os assistentes. Dizíamos, fazia mungangas. Posso ainda traçar-lhe uma pincelada de sua fisionomia: altura mediana, cabeça arredondada, entradas de calvície, com cabelo bem aparado na máquina, calças frouxas, camisa sempre branca e um surrado paletó, além de alpargatas de rabicho, das pesadas. Quase sempre, me parecia, carregava um missal ou um livro qualquer. Sempre que aparecia a gurizada ficava ao seu redor e aí se deliciava e a nós também, com brincadeira que apelavam para alguma agilidade nas mãos, ou umas “mágicas” de improviso. Algumas vezes o vi em crise, exaltado, desesperado, sendo acudido pelas irmãs, principalmente Dona Paz e Dona Mercedes, que tinham pulso para contê-lo. Numa única vez entrou em nossa casa exaltado e encontrou minha mãe costurando. Apanhou a tesoura e minha mãe ficou angustiadíssima para lhe tomar das mãos, temendo que partisse para uma agressão. Felizmente nada houve a lamentar. Com as crianças era dócil e brincalhão, jamais tendo cometido qualquer grosseria. Mas, não fossem estas as presenças mais próximas, era para se ter o trânsito freqüente de tantos outros que ainda podemos falar com uma certa saudade. Por exemplo, o João Remexe Bucho, há pouco falecido. Baixinho, moreno, de falar baixinho, carregando sempre um monte de papelão, e a pedir esmolas “pra mãe”. Dele, por todos estes materiais de embalagens coletadas no comércio local, falávamos que estava construindo algumas fábricas: uma para desentortar banana, outra para engarrafar fumaça, e outras mais, nesse tom de brincadeira. O João fazia disto, podia contorcer o baixo ventre com tal habilidade que daí veio, prontamente, o apelido por toda a vida. Toda semana João transitava pela Rua São José, procurando por papelão e papeis, mas também pelo sustento que ele prometia levar “pra mãe”. Outro maluco, beleza, que transitava pela Rua São José era o Joaquim Gomes Menezes. Conheci o “Príncipe Ribamar” na casa de meus padrinhos Maria Germano e Zé Magalhães. Ribamar tinha feito para eles duas espreguiçadeiras de ótima qualidade, pois antes mesmo de ser este maluco, beleza, era um artista na madeira, e assim também reconhecido. Mas, penso comigo que seu estado mental foi se agravando a ponto de ter abandonado as artes e os ofícios para se dedicar a este seu mundo de fantasias, com o qual se imaginava um príncipe, um fidalgo, refletido na postura quase marcial de seu andar, vestido em traje militar, com quepe, armas e condecorações. Convenceram o Ribamar que ele era Príncipe, e “sagraram-no” em cerimônia com toda a pompa e circunstância. E assim ficou. Deram-lhe um “reino”, o da Beira Fresca, tomado de empréstimo da conhecida sorveteria da Rua Santa Luzia. Davam-lhe pelas ruas notícias de muito dinheiro, outras fortunas, felicidades e um casamento com certa princesa Gioconda. E havia outros tantos, como o Nena, que era um lavador de carros na praça. Mas, um prestador de serviço muito disposto. Havia o Doca, “do oião”, olhos esbugalhados, a repetir o refrão impenitente: “meu padrinho é o dono do lugar.” E tinha a Adélia, de quem já falei noutra oportunidade, era uma preta simpaticíssima, que servia às casas de minha tia Silvanir e de Dona Neném, minha avó, fazendo faxina. Tinha um defeito, como relatei, a um descuido nosso, tomava “porres” com os perfumes da casa, até se embriagar e cair ao chão. Era a fama. Noutro dia, recolhido ao silêncio de velhos guardados, em fotografias preciosas, eu pude perceber quanto Daniel Walker e eu tivemos a felicidade de ajuntar todos estes flagrantes dos malucos de nossa infância, perpetuados em imagens inesquecíveis. Esta é uma coisa fascinante que qualquer dia destes vamos mostrar a todos, como fazíamos, anos atrás, ao entusiasmo da fundação do Arquivo Fotográfico de Juazeiro e das Exposições com as quais lotávamos o Edifício Dom Pires. Bons tempos para este menino, também maluco... pela Rua São José. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 20.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Fecho os olhos. E como por encanto, revejo cenas e me lembro da principal roda de calçada que havia na Rua São José, em frente ao número 478, ainda hoje o marco principal de nossa família. Não é que fosse a maior, ou a mais festiva. Mas, pelo menos para mim, era a mais marcante, e da qual eu participava rotineiramente. Minha avó, Dona Neném Soares, já pelo meio da tarde se ocupara da hora santa de guarda, com a qual a sua confraria participara do ofício religioso no Dispensário de Jesus Crucificado, no começo da Rua. Depois, no início da noite estava bem arrumada, cabelo impecavelmente penteado, arrematado por trás num charmoso cocó que só ela sabia fazer. Já dera uma averiguada na redondeza, passando lá por casa. E à nossa oferta, já sentados à mesa, de “vamos jantar, vó?”, ela respondia prontamente: “já tomei a minha papinha, estou satisfeita, e vou para a calçada”. E ia para a cena da roda, na sua calçada, como se presidisse um grande evento. E eu acho que era. Dona Neném nos ensejou um sentimento profundo de respeito à família. E, acima de tudo a roda na calçada era uma reunião de família. Sentada numa cadeira de braços, feita de cipós, ao seu redor sentavam os netos que aparecessem. Este ritual dos netos era tão especial que Irapuan Pimentel, casado com a minha tia Etercília, no seu soneto Cromo III, do seu livro póstumo - Cantares, (Ed. ICVC, 1998), assim se refere: “Quando penso que estou só,/”Bença, papai!” – diz a Céli, “Eu vou p´ra casa de Vó...” Era a menção de sua filha Eugênia Céli, saindo para a roda da calçada da Rua São José. Desta reunião quase diária, participavam as filhas, solteiras, Dosanjos, Zuleica e Maria. De vez em quando tínhamos a imensa alegria de hospedar os que ainda cedo se bandearam para São Paulo, como os de José e Angélica, Ivaniza e José Elias, Zuza (Maria José) e Cândido, e Nane (Sizenando) e Altina. Ou eles próprios, ou seus filhos, ou seus netos. Junte-se a isto tudo, os passantes mais interessados, no que iam se revezando, noite a dentro, todos fiéis a uma prosa com a senhora dona da casa, de larga estima. Disto, tínhamos apenas que aguardar um pouco, pois a conversa rolava, sobretudo entre as “comadres”. Não é que fossem conversas agradáveis aos moleques, mas era um saudável hábito que não queríamos ver interrompido. O motivo era imediato. Logo mais começariam a desfilar os vendedores de guloseimas, com seus pregões tão característicos e reconhecíveis à distância. Vinham com balaios, cestas, tabuleiros e coisas assim, apinhados do que vender pela rua. Ai vinha pipoca, no carrinho fumegante e exalando ótimos odores, ou eram as “donas Marias” com bandejas de pé-de-moleque e cocadas ou tabuleiros de alfenim, e quebra-queixo, além dos cestos com laranjas, tangerinas, pitomba, seriguela e roletes de cana, sem falar em amendoim torradinho, rosário de côco e castanha de caju. Talvez tivesse mais coisas, nem lembraria tudo. Vendiam aos pacotinhos, às porções, “os mercados”, como se dizia. Em noite que isto não acontecia, esse desfile supimpa de gastronomia petisqueira tão interiorana, por uma desgraça que fosse, Dona Neném não nos deixava insatisfeitos. Puxava uns trocados do bolso do casaco, nos dava e íamos felizes da vida em revoada à feirinha da Rua São Pedro, esquina de Rua Conceição, a uns duzentos metros dali,  onde podíamos comprar de tudo um pouco, o que nos dava água na boca. Havia noite que tínhamos, obrigatoriamente, de ter destas coisas, pois o vigário da freguesia, Mons. José Alves de Lima, retornando do ofício religioso na Capela do Socorro, parava por ali para uma conversinha com Dona Neném, dedicada zeladora do Apostolado da Oração – uma das coisas sagradas do Juazeiro, pois fundado pelo Pe. Cícero. E era preciso agradar o “seu” vigário com qualquer coisa. Às vezes, era na calçada, mesmo, com estas coisas do mercado ambulante pela Rua São José. De outro modo, e certamente mais preferido pelo visitante, o jeito era ir recebê-lo na sala de jantar, ou com um bom doce dos tachos da tia Etercília, geleia de goiaba ou doce de buriti, ou com um ótimo bolo fofo, tipo Souza Leão, do acertado receituário da tia Silvanir. Tudo isso regado com um bom refresco, de plantão. Ai a prosa se transferia da calçada, para dentro de casa, pois o vigário já havia cumprido sua desobriga e até poderia voltar para a casa paroquial um pouco mais tarde, desde que as luzes da cidade não se apagassem. Pelas nove da noite vinha o sinal do “motor” da luz. O fornecimento era por conta da Prefeitura, e o gerador ficava ao lado do mercado. Por uns instantes as luzes apagavam e acendiam. Era a hora de correr para os candeeiros e acendê-los, pois daí a pouco faltaria energia elétrica, até o dia seguinte. Caso não houvesse querosene para as lamparinas, era a última chance de ir até as bodegas por perto, como a de “seu” Deca (e dona Afrinha), a de “seu” Firmino Teixeira (depois “seu” Álbis Sobreira), ou a de “seu” Rocha. Neste cenário, a roda se desfazia e a família se recolhia para um sono tranquilo e reparador. As rodas de calçadas, mesmo que discretamente, continuam a existir. Não como antigamente. Talvez persista um pouco do velho espírito da reunião que perpetuava na via pública um pouco do espaço privado da casa. Sem cerimônia se tomava toda a calçada, obrigando os transeuntes a trafegar pelo calçamento, sem apelação. Interessante é observar que esta era uma prerrogativa da roda. Moleque que se atrevesse a tomar a calçada, impedindo o ir e vir dos populares, tinha que amargar uma reprimenda da família (Donde já se viu uma coisa desta?, diziam). E, principalmente, se fosse para jogos como a “macaca”, ou de castanha. Na roda se falava de tudo, inclusive da vida alheia, coisa que ao nosso tempo tinha a repreensão imediata de Dona Neném. Mas não se deixava de falar dos fatos do dia, da política daqueles tempos de Gogó e Carrapato, das notícias dos parentes que chegavam pelo correio, e os poucos fatos interessantes que ouvíamos pelo rádio que tínhamos acionado por bateria de automóvel. Percorrendo ainda hoje, numa noite qualquer, as rodas na Rua São José, observamos que elas desafiam a modernidade, onde de tudo se espanta, principalmente pela violência urbana. E continuam a existir, pelo menos para minha família, como os hábitos de minhas tias e primas, e da minha irmã, como nas noites quentes, em que Dona Neném, já naquela época recomendava aguardar o “Aracati”, o gostoso bafejo dos ventos que vinham do litoral, e que pelo meio da noite chegava ao Cariri. Para se proteger desta aragem, minha avó vestia, principalmente nos meses mais frios, um casaco quente e longo. Vendo as horas passar, nós perguntávamos: vó, e o Aracati demora a chegar? E ela, bonachona, olhando pró Joaquim – nosso primo, caladão num canto da roda: a essa hora deve estar passando no Iguatu, a caminho do Cedro... E dava uma gargalhada, que eu só fui entender anos depois... Se morria alguém, como foi o caso do João, filho do “seu” Zé Pedro, que morava quase na esquina da Rua Conceição, havia o velório sempre muito emocionado. E a casa em claro tinha a identificação de uma faixa de pano preto numa das portas. Quando o velório varava a noite, as rodas se recolhiam e um silêncio respeitoso se fazia. As pessoas que iam e vinham externavam os seus sentimentos. Não raras vezes as lágrimas davam o tom da comoção. A morte nos metia medo. Nestas noites mais nos afastávamos da casa do velho José Pedro da Silva, sempre mal iluminada, principalmente junto a casa da vovó. Neste escuro, acreditávamos que uma alma penada se escondia, ou perambulava por ali. Naquela noite, na roda, não havia brincadeira, não se corria pela rua, nem tampouco se gritava, e de nada se comia. Era como se estas coisas profanassem aquele clima de recolhimento que marcavam a nossa solidariedade cristã. Era para se guardar, pelo resto das nossas vidas, estas sábias lições de Dona Neném. Amém. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 21.01.2017)
COINCISA
O Congresso Internacional de Ciências da Saúde no Cariri – COINCISA visa trazer para a região uma proposta diferenciada de cursos e palestras, no intuito de promover conhecimento, atualização e informações aos participantes, para que os mesmos possam ter seu diferencial no âmbito profissional e acadêmico. Além disso, há o apoio à integração e ao trabalho multidisciplinar entre as áreas da saúde, proporcionando sempre o melhor resultado aos que necessitam destas ciências. O COINCISA contará com excelentes professores, de diferentes países, reunidos neste Congresso Internacional para garantir o perfeito aproveitamento de cada curso, com altos níveis de formação e experiência nas áreas de Fisioterapia, Educação Física, Nutrição e Medicina Desportiva. Veja alguns nomes: Profª. Ms. Adriana Bombonato, Prof. MS. Barroso Lima, Prof. Esp. Diogo Ramos, Profª. Ms. Gardênia Mª Martins de Ol, Prof. Esp. Geraldo Filho, Prof. Esp. Helder Licarião, Prof. Ms Jaime Milheiro, Prof. Esp. Jeferson Beck, Prof. Esp. João de Ornelas Carvalho, Prof. Dr. José Fernandes Filho, Prof. Esp. José Gonçalves, Prof. Dr. José Vilaça Alves, Profª. Ms. Lara Belmudes Bottcher, Prof. Esp. Leandro Matos, Prof. Lindimar Leite Cunha Junior, Prof. Dra. Miriam Aracely Anaya Loyo, Profª Ms. Patricia Correia, Prof. Esp. Paulo César de Mendonça, Prof. Dr. Paulo Eduardo Carnaval, Profª. Ms. Sávia Maria da Paz Oliveira, Profa Dra. Sônia Bordin, prof. Esp. Tiago Almeida, e outros. O evento acontecerá entre os dias 20 e 23 de Abril DE 2017, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará – IFCE, Campus Juazeiro do Norte, situado na Av. Plácido Aderaldo Castelo, 1646, Planalto. Abertura se dará com uma palestra motivacional a ser proferida por Mário Yamasaki. (Aberto para praticantes de artes marciais). O palestrante, Com mais de 18 anos de profissão, além do UFC, arbitrou em outros campeonatos, como: WEC (World Extreme Cagefighting), Pride e Strikeforce. Um dos mais respeitados árbitros do UFC (Ultimate Fight Championship). Primeiro brasileiro nesta função. É um dos principais árbitros de MMA (Mixed Martial Arts) do mundo. Com mais de 400 lutas em seu cartel, como: Anderson Silva x Vitor Belfort, José Aldo x Chad Mendes, Lyoto Machida x Rashad Evans, Brock Lesnar x Randy Couture, BJ Penn x Sean Sherk, Chuck Lidell x Titio Ortiz, Matt Hughes x Frank Trigg, Renan Barão x Urijah Faber. Além de árbitro oficial do UFC, é dono de uma rede de 13 academias nos Estados Unidos, onde atua como instrutor-chefe. Ministra curso para formação de novos árbitros no Brasil e nos EUA além de palestras por todo o país. Informações completas através do site: http://www.coincisa2017.com.br

O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI
MOSTRA 21
Prossegue no SESC-Cariri (Juazeiro do Norte e Crato) e também com exibições em Barbalha, a Mostra 21.  A promoção é apoiada pelo CCBNB e pela UFCA. Essa versão 2017 traz como temática “O ABSURDO NOS UNE, NOS MOVE”. Iniciada em  09.01 ela será finalizada no dia 29 próximo, sob a curadoria de Elvis Pinheiro com o apoio do Grupo de Estudos SÉTIMA de Cinema. Deverão ser exibidos 45 filmes (animações, clássicos, filmes para crianças, filmes brasileiros, etc.) Vejamos o que está programado para os dias restantes dessa Mostra que é um dos maiores eventos culturais no Cariri.
22/01 (dom), 14h, no Sesc Crato: Spring Breakers - Garotas Perigosas (Spring Breakers, Direção: Harmony Corine, EUA, 2012, 94min). Quatro estudantes universitárias assaltam um restaurante a fim de financiar suas férias de primavera e acabam presas.
22/01 (dom), 16h, no Sesc Crato: O Cheiro da Gente (The smell of us, Direção: Larry Clark, França, 2015, 92min). O fotógrafo e artista Larry Clark acompanha momentos da vida de um grupo de seis jovens parisienses, seus encontros entre o Museu de Arte Moderna e o Palais de Tokyo e suas festas repletas de sexo, drogas e rock‘n’roll.
22/01 (dom), 19h, no Sesc Crato: Julieta (Julieta, Dir. Pedro Almodóvar, Espanha, 2016, 99min). A trama acompanha um intervalo de 30 anos da vida da protagonista Julieta, começando em 1985, quando tudo parecia ser muito melhor do que no presente, e depois indo para 2015, quando tudo parece sem conserto e ela está à beira da loucura.
23/01 (seg), 14h, no Sesc Juazeiro: O Sonho de Wajda (Wadjda, Dir. Haifaa Al-Mansour, Alemanha/Arábia Saudita, 2012, 98min). Wadjda é uma menina de 12 anos que mora no subúrbio de Riade, capital da Arábia Saudita. Embora ela viva em uma cultura conservadora, é uma garota cheia de vida, que usa calça jeans, tênis, escuta rock-n'-roll e deseja apenas uma coisa: comprar uma bicicleta e disputar uma corrida com seu melhor amigo Abdallah.
23/01 (seg), 19h, no Sesc Crato: Casa Grande (Casa Grande, Dir. Fellipe Barbosa, Brasil, 2014, 115min). Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Quando o motorista de longa data é demitido, Jean tem a tão sonhada chance de pegar o ônibus público pela primeira vez.
24/01 (ter), 14h, no Sesc Juazeiro: Eles Voltam (Eles voltam, Dir. Marcelo Lordello, Brasil, 2012, 105min). Cris, de 12 anos, e seu irmão mais velho são deixados na beira da estrada por seus pais. Em pouco tempo percebem que o castigo vem a se tornar um desafio ainda maior.
24/01 (ter), 19h, no Sesc Crato: O Batismo (Chrzest, Dir. Marcin Wrona, Polônia, 2010, 86min). Varsóvia, Polônia. Após deixar o mundo do crime, Michal consegue recomeçar do zero e levar uma vida honesta.
25/01 (qua), 14h, no Sesc Juazeiro: O Cinema Francês em Pauta: Sobre a Obra Cinematográfica de François Ozon (Estudo de Émerson Cardoso). Estudo teórico-crítico sobre o cinema francês a partir da obra realizada por François Ozon. Explanação de características relativas à obra cinematográfica de longa metragem com ênfase na categoria do diretor e da personagem à luz da concepção empreendida por François Ozon em sua filmografia.
25/01 (qua), 19h, no Sesc Juazeiro: A Bruxa (The witch, Dir. Robert Eggers, Canadá/EUA/Reino Unido, 2015, 92min). Nova Inglaterra, anos 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando à beira de um deserto intransitável.
26/01 (qui), 14h, no Sesc Juazeiro: Ave, César! (Hail, Caesar!, Dir. Ethan e Joel Coen, EUA/Reino Unido, 2016, 106min). O responsável por proteger as estrelas do estúdio Capitol Pictures de escândalos e polêmicas e vive um dia intenso quando Baird Whitlock, astro da superprodução Hail, Caesar!, é sequestrado no meio das filmagens por uma organização chamada “Futuro”.
26/01 (qui), 19h, no Sesc Crato: Sudoeste (Sudoeste, Dir. Eduardo Nunes, Brasil, 2012, 100min). Numa vila isolada do litoral brasileiro onde tudo parece imóvel, Clarice percebe a sua vida durante um único dia, em descompasso com as pessoas que ela encontra e que apenas vivem aquele dia como outro qualquer.
27/01 (sex), 14h, em Barbalha: Miss Violence (Miss Violence, Dir. Alexandros Avranas, Grécia, 2013, 99min). No dia de seu aniversário de 11 anos, Angeliki pula da sacada e morre com um sorriso no rosto.
27/01 (sex), 19h, no Sesc Juazeiro: Monstros (Freaks, Dir. Tod Browning, EUA, 1932, 64min). Em um circo de atrações bizarras, a linda trapezista Cleopatra é cortejada pelo anão Hans, mas o rejeita até descobrir que este herdou uma fortuna.
28/01 (sáb), 13h, 15h, no CCBNB Cariri: Sessões encobertas 1 e 2: apenas na hora da exibição o filme será revelado.
28/01 (sáb), 17h30, no CCBNB Cariri: Anomalisa (Anomalisa, Dir. Charlie Kaufman/Duke Johnson, EUA, 2015, 90min). Um palestrante motivacional que se vê aterrorizado com o vazio de sua vida.
29/01 (dom), 14h, no Sesc Crato: Girimunho (Girimunho, Dir. Clarissa Campolina/Helvécio Marins Jr., Brasil, 2011, 90min). A trama gira em torno da vida de dona Bastu que, após a morte de seu marido, o ferreiro Feliciano, tenta perceber nos pequenos sinais do dia a dia e em suas lembranças os elementos que irão ajudá-la nesta passagem.
29/01 (dom), 16h, no Sesc Crato: Caminho Para o Nada (Road to Nowhere, Dir. Monte Hellman, EUA, 2010, 121min). Um cineasta se vê arrastado para uma complexa teia de intrigas o assombrando e fica obcecado com uma mulher, um crime e com o seu passado.
29/01 (dom), 19h, no Sesc Crato: Nós Somos as Melhores (Vi är bäst!, Dir. Lukas Moodysson, Suécia, 2013, 102min). 1982, Estocolmo, Suécia. Bobo, Kiara e Hedvig são garotas entre 12 e 13 anos que vagam pelas ruas da cidade.

PRIMEIRA EDIÇÃO: VIVER BEM CARIRI

Já está circulando uma nova revista para servir ao Cariri. Trata-se da Viver Bem Cariri. Buscando sempre atender as necessidades do mercado, a Editora Charm (que já edita a Revista Charm) lançou uma publicação com periodicidade trimestral voltada para o segmento específico em medicina, saúde, bem estar, nutrição e fitness. O Editorial dessa publicação abrange todos os interesses por informações de como se ter uma vida saudável. A Revista Viver Bem Cariri terá formatos para leitura como versão impressa, digital, aplicativos mobile, e site que irão atender aos leitores em qualquer hora e lugar. Para lê-la, em versão digital, consulte: https://issuu.com/marciobuiu/docs/viver_bem_issu

domingo, 15 de janeiro de 2017


BOA TARDE
Dou continuidade à publicação nesta página das pequenas crônicas que semanalmente estão sendo lidas no Jornal da Tarde (FM Rádio Padre Cícero, 104,9 de Juazeiro do Norte) nos dias de quartas feiras, sob o título Boa Tarde para Você.
243: (11.01.2017) Boa Tarde para Você, Maria das Dores Bernardino Santos (Dorinha do Horto)
Revendo um release do Geopark Araripe, ali encontro que o “Geossítio Colina do Horto compreende as rochas mais antigas da região do Cariri cearense, originadas no interior da Terra, há aproximadamente 650 milhões de anos. Repito: 650 milhões de anos!!! O Horto, na Serra do Catolé, para nós não tem mesmo essa idade, a tirar pelas notícias que falam quando da decisão do Pe. Cícero em fazer dali o local aprazível, com sua moradia de verão, a partir mesmo do início do século passado, conforme está no frontispício do casarão, escrito como 1907. O Horto para nós é como desses lugares sagrados que gostaríamos de ver longamente preservados como o conhecemos na meninice e na juventude, para que não se perca jamais essa ligação íntima, tão visceral com a nossa existência, pelo que inspira de religiosidade, de história e de cultura. E o Horto, convenhamos, é uma simplificação metafórica para nos poupar da mais inevitável citação de sua cena física, com rua, casario e acidentes, que abriga algo riquíssimo, antropologicamente, em sua cena humana, em ritos, crenças e singularidades. É neste cenário que quero reencontrar a minha querida amiga Dorinha do Horto, pelo quanto, e nesses dias, ela foi lembrada, como mestra da Lapinha da Vila Bom Jesus, coisa que a torna jovem e feliz por além do seu sexagenário existir, muito do qual dedicado a essa manifestação. Com imensa fidelidade e disponibilidade, a comunidade do Horto tem acompanhado essa missão de Dorinha, desde 1966, como ela a recebeu de sua mãe, dona Maria dos Benditos, também mestra e compositora de cânticos e formadora de grupos mais antigos. Portanto, Dorinha, não foi uma marca simples, essa recentemente conquistada, de cinquenta anos ininterruptos, fazendo com as próprias mãos, aos sofrimentos de contar quase sempre com a meninada da Vila do Horto e suas famílias, sempre solidárias à existência da arte. Recentemente, ouvidos pela nova equipe municipal, vários de nós, identificados generosamente com esses caminhos da cultura popular, nos posicionamos pelo fortalecimento desses grupos, institucionalmente, de uma forma mais regular para evitar o seu gradual desaparecimento. A burocracia deve ser a mínima para não estancarmos em obstáculos intransponíveis no tocante a esses subsídios, mas que eles não faltem, porque nenhuma ordem, nenhuma decisão, seria em si suficiente para prover o brilho, a disponibilidade e o entusiasmo para fazê-lo pelo povo. Por isso, Dorinha, é notável o que você consagrou em vida nesse trabalho pela permanência do seu grupo da Vila do Horto, cumprindo principalmente uma missão que tem a ver essencialmente com o seu encanto, a sua determinação, porque atrelou a sua própria vida a existência da Lapinha. Faz gosto ver a função desses grupos, entre igrejas, residências e lugares públicos a nos impregnar com a alegria própria do tempo natalino, o que está na liturgia entre o tempo do advento, a natalidade e a epifania, transmutado em festejo pela chegada do Divino Salvador. Recordo de minha infância, pelas ruas do Juazeiro nos anos 50-60, a presença desses grupos, participando em nossas casas, nas praças e nas igrejas, visitando os presépios montados e celebrados aos sons festivos, com a graça dos jovens, pastores, camponesas, caboclos, ciganas e anjos, e ao som inconfundível, tão melodioso na canção “Bate o Sino, pequenino, sino de Belém...” De longa data já se falava em família sobre as velhas lapinhas, como a Lapinha da Beata Angélica dos Santos (na Rua São Pedro), a Lapinha de Dona Cristina Almeida (na Rua da Conceição) e a Lapinha de Dona Tatai (na Rua Santa Clara). Houve tempo que eram umas trinta lapinhas, lembrando o entusiasmo de Pe. Murilo em fomentar suas atividades, naquilo que trata da perenidade e até da inovação pela inclusão de personagens aparentemente díspares à cena do presépio, como a beata Maria de Araújo e o Padre Cícero. Já não temos mais o incentivo do festival com o apoio municipal, mas elas resistem aos tempos e incertezas, como a d´O Menino Jesus, de Dona Têta (nos Salesianos), e as de Nossa Senhora Aparecida, de Dona Fátima e a d´Os três Reis Magos, de Dona Zefinha (no Romeirão). Por essas coisas todas, aqui tão pobremente relembradas, querida Dorinha do Horto, asseguro-lhe esse testemunho de quem escreve para acertar contas com a infância, como já ouvi dizer, mas principalmente para louvar a grandeza do seu gesto, em vida dedicada que se renova a cada ano.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 11.01.2017)

BOM DIA!
Continuo transcrevendo nesta coluna semanal o conjunto de sete textos que estão sendo publicados na minha página do Facebook, tratando de questões relacionadas com a atualidade da vida juazeirense, com o objetivo de fomentar uma ampla discussão sobre esses temas de nosso interesse. Os que desejarem contribuir com esse propósito, poderão dispor do espaço na rede social, ou encaminhando sua opinião para o nosso endereço. Muito grato.
BOM DIA! Por Renato Casimiro
No artigo anterior fizemos uma menção para analisar aqui a questão da frota de veículos que temos no município e como isto impacta sobre a desorganização do trânsito, de modo a exigir grande cuidado, redobrados esforços em planejamento, investimentos em engenharia de tráfego e gestão por parte do poder público. O Anuário do Cariri de 1949, ano em que nasci, registra para a cidade de Juazeiro do Norte os seguintes números de veículos em circulação: Automóveis (30); Caminhões (40); ônibus (3); Motocicletas (2); Bicicletas (18); Carros de bois (14); Carroças (14); Cabriolés (4), num total de 125 veículos. Bem mais recentemente, segundo as estatísticas do IBGE, de 2013, tínhamos naquela ocasião, os seguintes números: Automóveis (30.536); Caminhões (1.898); Caminhões-trator (129); Caminhonetes (6.463); Caminhonetas (1.117); Micro-ônibus (195); Motocicletas (45.928); Motonetas (7.953); Ônibus (231); Tratores (0); Utilitários (441), num total de 94.891 veículos. Os dados mais atuais são os do próprio DETRAN-CE que registram até outubro de 2015 os seguintes números: Automóveis (32.185), Caminhões Trator (142), Caminhões (1.958), Caminhonetes (7.094), Camionetas (1.048), Micro-ônibus (195), Motociclos (48.172), Motonetas (8.582), Ônibus (248), Reboques (1.023), Semi Reboques (1.023), Utilitários (499) e Outros (relacionando as seguintes categorias: Ciclomotor, Triciclo, Trator de Esteiras, Trator misto, Quadriciclo, Motor casa e Side-car), num total de 101.519 veículos registrados. A primeira coisa a considerar é evolução na diversidade desta frota, vista aqui historicamente pelos tipos de veículos e suas circunstâncias, tais como dimensões, potência, etc. Ora, qualquer gestão municipal veria obrigatoriamente, no seu planejamento, estes aspectos, de modo a minimizar elementos mais arrogantes da projeção que faríamos para o futuro, em vista do crescimento vegetativo desta frota ao clima tão pacato da cidade de então. Minimamente, isto requereria um novo olhar que aos poucos fosse contemplando algumas novas necessidades com respeito a dimensões de vias públicas, zoneamento para o trânsito e até mesmo as faixas exclusivas que iriam sendo necessárias. A realidade destes últimos anos, especialmente entre 2013 e 2015, demonstra que no período acumulamos uma variação de frota por volta de 7%, mas nela destacamos fatos relativamente novos como a variação na categoria de motos em 10%, observando que esta categoria, e assemelhados, numericamente já representa cerca de 56% do total da frota circulante. A frota de motociclos e assemelhados, espalhada por todo o município já demanda um estacionamento que ocuparia mais de 15 hectares e isto em parte é responsável por um dos componentes da pressão do trânsito sobre os problemas de mobilidade. Ultimamente tem-se tentado algumas estratégias para conter a desorganização inevitável por conta da excessiva frota, própria ou o total circulante, em razão do que ingressa na área central da cidade vindo de mais de uma centena de municípios. É o caso das centenas de vans e mini vans que chegam à cidade desde as primeiras horas da manhã, motivado pelos atrativos que a cidade exerce em sua área de influência, como pólos comercial, de educação e serviços em geral. Como a maioria aqui permanece por várias horas, a área mais central da cidade se reduz temporariamente em uns dois hectares. Algumas iniciativas tem minorado a questão, como o estabelecimento de zona azul, novos estacionamentos rotativos e algumas concessões do município, em áreas reservadas, particularmente nas romarias. Sobre as romarias, nota-se apenas um pequeno esforço concentrado nos períodos críticos e pouca coisa em termos de engenharia de tráfego. Veículos muito pesados trafegam danificando os leitos e este estado de coisas permanece sem uma reavaliação do problema que continua abrindo ruas juntando pedras para um capeamento dos mais medíocres e vagabundos. Ora, esse fluxo intenso de transporte coletivo é extremamente benéfico aos interesses do município, mas falta à municipalidade, como responsável pela organização destas atividades ligadas ao transporte intermunicipal um disciplinamento desejável e também a iniciativa de prover solução, inclusive com benefícios para a arrecadação. Agora mesmo, com o reinício da temporada chuvosa, já começamos a verificar como esta malha viária é precária. Alguém já usou a expressão sonrisal para qualificá-la muito bem, pois basta um pouco de água das primeiras chuvas e tudo se desfaz, como se solubilizasse todo o revestimento, restando montes de pedras a complicar mais ainda a vida dos motoristas. Quem anda pela periferia da cidade constata facilmente a estreiteza mental do gestor público em continuar repetindo os mesmo erros. A cidade se espalha e tudo acontece como se nada tivesse mudado neste tempo, pois as ruas continuam estreitas e se mostrarão incompatíveis com o trânsito mais denso e confuso que experimentaremos em anos futuros. Não vale a pena aqui discutir este aspecto, mas não podemos nos esconder diante da evidente irresponsabilidade dos gestores em não elaborar um novo plano diretor para a cidade, coerente com o momento que vivemos. Requeremos também uma revisão no código de posturas e o estabelecimento de novos e honestos critérios para a aprovação de novos loteamentos na área do município. Como podemos constatar com muita facilidade, estes loteamentos são barganhas que transitam com farta desonestidade entre os poderes do município e isto sem dúvida alguma compromete a qualidade de vida pela qual tanto lutamos e que à nossa revelia é negociado de forma infamante. Na etapa final destes modestos considerandos, vamos nos deter um pouco, mesmo superficialmente, sobre alguns pressupostos que a engenharia de trânsito preconiza, com o objetivo de agilizar soluções para este problema que já assume status de gravidade. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 08.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
O propósito desta pequena série de argumentos para iniciar uma discussão sobre a questão do trânsito na cidade pode ser completado aqui com alguns elementos da nossa própria observação em torno das dificuldades que enfrentamos no cotidiano. Provavelmente elencaremos como a primeira delas a condição das vias de tráfego, sempre muito maltratadas em vista da má conservação, fruto de péssima manutenção dispensada pelo poder público. Já falamos brevemente sobre o péssimo estilo de abertura de vias e a construção dos leitos, com tal fragilidade que não resistem bem a esta temporada de chuvas, por exemplo. O nível de compactação também é precário para a diversidade da frota que já inclui no livre trânsito o uso por veículos de grande porte, pleno de cargas além da capacidade que se poderia estabelecer. Junte-se a isto o proselitismo político que sempre visualizamos pelos governos, como agora que estabelece um medíocre plano de pavimentação de vias, absolutamente secundárias diante do necessitado para o momento. Neste instante, por exemplo, as principais vias da cidade estão necessitando um grande reforço de manutenção, mas um passeio por um desses bairros de grande adensamento eleitoral está ganhando uma pavimentação horrorosa para o devido efeito populista do gestor. Outra coisa lamentável decorre da insuficiente sinalização, tanto vertical como horizontal, exatamente pela mesma demanda de manutenção que exige pronta atenção da engenharia de trânsito. Mas este cuidado parece não despertar muito interesse, pois o que vemos é o trivial, aquilo que normaliza o trânsito no básico como direções, uma certa sistemática de fluxo que privilegia apenas grosseiramente o tráfego. Veja por exemplo a falta de sensibilidade para com diversos cruzamentos importantes da cidade, nos quais, por absoluto desleixo não se produz algo mais em agilidade quando é possível. Relevo neste caso o exemplo do cruzamento das avenidas Castelo Branco com Padre Cícero, na altura do Shopping, onde não se sinaliza para as possibilidades de duas vias simultâneas de direção em decorrência do semáforo instalado. Não há sinalização adequada e o sentimento é de que as alternativas sensatas são proibidas, mesmo porque fortemente vigiadas por foto sensores. E isto se repete em outros locais. Aliás, a questão dos foto sensores ainda carece de uma melhor caracterização de sua aplicação. Do modo como são instalados eles cumprem eficazmente a função punitiva em detrimento da sua razão educativa para melhor utilização das vias. Neste particular, basta ver o engano cometido na péssima sinalização de um destes últimos instalados na Av. Ailton Gomes, que só avisa o limite de velocidade no exato momento em que é “flagrado”. A cidade cresce, e há a necessidade de estabelecer limites bem diversificados de velocidades. Por isso mesmo já não somos capazes de memorizar locais, limites e circunstâncias destas advertências se não for por uma sinalização adequada. Outra coisa que requer um disciplinamento e disso já tratamos brevemente aqui é a repercussão sobre as rampas de acesso para estacionamentos privativos, especialmente o das residências. A construção livre, sem qualquer licenciamento da prefeitura, se dá, geralmente, com duas rampas: uma na própria via de tráfego de veículos, por vezes com cerca de um metro de extensão, e outra sobre a calçada. Essas construções em muitas ruas chegam a provocar obstáculos de até dois metros no afunilamento da via que já é tão estreita para a necessidade local. Outro fato lamentável nos nossos espaços de trânsito é o que decorre de alguns serviços básicos, principalmente como a manutenção na distribuição de água, o péssimo serviço de esgoto a céu aberto e drenagem de águas pluviais, pessimamente estabelecida, como podemos ver agora na temporada de chuvas. Por estes dias mais uma romaria toma conta da cidade e as condições de trânsito são postas em cheque por serem elementos importantes. São impactos notáveis em poucos dias, é verdade, mas que trazem repercussões mais duradouras para todos os setores da cidade. Também por estes dias estamos novamente enfrentando o retorno às aulas e isto significa um trânsito mais frequente da nossa frota, est mais própria da cidade, em muitos locais críticos das proximidades de escolas, faculdades, universidades. Mas isto também é bem verdadeiro por um expressivo número dos chamados veículos alternativos vindos de dezenas de cidades do nosso entorno, da nossa área de influência. Todos estes são partes interessadas no equacionamento das questões e trânsito, na expectativa de melhoria continua para tais serviços. Enfim, por todos estes elementos mencionados, mais como observador do que como técnico, já nos indica para a devida oportunidade de tempo para que os órgãos competentes e tão comprometidos com estas questões promovam estudos para implementar melhorias neste setor. Fica a sugestão para que tanto estes segmentos quanto o da Câmara de Vereadores também assuma parte destas insatisfações, realizando audiências públicas para ouvir sugestões que orientem a aplicação de soluções eficientes para minimizar os transtornos decorrentes do caos urbano que nos aflige. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 09.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Sou grato ao comentário de Fátima Bezerra de Oliveira que lamenta o estado degradado da Rua São José, especialmente no seu trecho inicial, o mais antigo da via. E sobre ele eu tenho a considerar o seguinte. A Rua São José é das mais antigas da cidade. Era uma das oito projetadas ruas iniciais da vila. Ela nasce exatamente no local que se denominou Rua, ou Beco, do Sovaco (continuação da Rua dos Brejos, para usar a expressão de Octávio Aires de Menezes), iniciando-se estreita, e com pequena curva na altura do antigo Orfanato Jesus Maria José. Conforme se lê em Mário Bem Filho(Juazeiro e seu espaço físico), a Rua São José “é a primeira paralela oeste à Rua Padre Cícero, início da Rua do Brejo, sentido Norte/Sul, termino na Rua Leão XIII”, no Bairro dos Salesianos, com o CEP indicado pelos Correios como 63.010-421. Os primeiros registros desta rua parecem ser os que encontramos em dois documentos. O primeiro deles é uma planta elaborada pelo referido Octávio Aires de Menezes, a pedido do historiador Ralph della Cava, e que reproduz a Vila de Joaseiro, de 1875, pouco depois da chegada do Padre Cícero. A vila não tinha senão 32 casas, a maioria de taipa, e a nossa rua era tida como “Futura” Rua São José. Não havia qualquer casa neste trecho. A Rua São José era o limite para os Brejos, o que se denominava de terras de baixio, na direção do Salgadinho, o rio que passava pela aldeia, e que em tempos de chuvas, sobretudo de bom inverno, alagava e chegava a espalhar suas águas pela rua. O outro documento que faz parte dos Arquivos do Padre Cícero, é um recenseamento da Vila, feito em 1º de janeiro de 1909, certamente para encaminhar o pleito de emancipação, encomendado por Doutor Floro Bartholomeu da Costa. A Rua São José ali se apresenta com uma população de 1.100 habitantes, o que se depreende poderia conter por volta de 200 casas. A povoação de Joaseiro tinha naquela data, 18 ruas, e 4 travessas, com uma população de 15.050 habitantes. A Rua São José era a quarta mais populosa, ficando atrás das Ruas Padre Cícero(2.000 habitantes), Santa Luzia(1.538), e Grande do Salgadinho - hoje Av. Leandro Bezerra, (1.136). Concentrava, portanto, 7,3% da população da cidade. Alguns registros sobre a Rua São José indicam que ela foi configurada à semelhança de outras ruas, a partir dos anos 20. Rua estreita, calçada com pedra tosca, com coxia para escorrer águas pluviais, calçadas altas em tijolo aparente e fachadas de casas comuns, sem recuo. As casas eram quase sempre modestas, na maioria de porta e janela. Apesar desta ocorrência comum, a Rua apresentava muitos exemplos de ótimas construções que ao longo dos tempos serviram de residências e algumas instituições. Na sua primeira quadra, desde a Rua dos Brejos, ainda hoje constatamos a presença de parte daquele casario miúdo, em torno de 25 casas, na porção mais estreita da rua, até chegar ao Orfanato Jesus Maria José, em frente ao que chamávamos vulgarmente de Beco da Bosta, porque era a passagem de animais para o brejo e vivia constantemente sujo. Sobre o Orfanato, valho-me de ótimas referências de Generosa Alencar, Fátima Menezes, e Amália Xavier de Oliveira. O Orfanato tinha como finalidade o amparo de meninas desvalidas, pobres e órfãs, propiciando-lhes educação.  Ai, algumas beatas como Raimunda da Cruz Neves (Munda), Joana Tertulina de Jesus (Mocinha), e Cotinha, assim como a profa. Donata Bezerra, ensinavam catecismo, trabalhos manuais, educação e cultura. O prédio tinha o número 79 e tudo indica que logo foi construído, conforme fotografia estampada no livro do doutor Floro Bartholomeu da Costa, de 1923. Era bem larga, constando de duas portas e nove janelas nas laterais. Padre Cícero Romão Batista  o fundou no dia 08.04.1916, e entre esta data e 1934, quando ele morreu, foi seu mantenedor com doações financeiras voluntárias de romeiros e amigos. As filhas de Santa Tereza de Jesus, por interveniência do Padre Cícero junto ao Bispo da Diocese do Crato, Dom Francisco de Assis Pires, foram as sucessoras, assumindo a direção em 1935. Mas, antes disto, o Orfanato foi transferido para a velha casa de campo do Deputado Floro Bartholomeu da Costa, situando-se hoje na Rua Cel. Antonio Pereira, 64, Bairro de Santa Teresa. No prédio do Orfanato já funcionou a Escola Normal Rural, logo após fundada em 1934. A Escola se mudaria em 04.09.1934, daí para o local onde funcionou até sua extinção, na Rua Nova (depois Av. Dr. Floro). Com a morte do Padre Cícero, o prédio do Orfanato foi herdado pela Congregação Salesiana. Também funcionou neste endereço o Educandário São José, sob a direção das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, a partir de 02.10.1948. O Dispensário, como era conhecida a casa das freiras, existiu anexo, destacando-se a sua capelinha, sob a responsabilidade de vários capelães, dentre os quais eu me lembraria mais dos Padres Cícero Coutinho e Silvino Moreira Dias. Em frente, havia dois prédios de propriedade de "seu" Rochinha. Num deles funcionou a fábrica de doces de José Figueiredo - nosso compadre e grande amigo. Depois, ali existiu uma oficina mecânica na qual foi montado um avião da missão americana, sob direção do Mr. Harold. Vizinho, a casa de Rochinha, anteriormente, minha mãe -  Doralice Soares, e suas amigas, as professoras Zuila Belém e Nazaré Pereira, fundaram e mantiveram por alguns anos o Instituto Dom Vital, uma escola primária particular. No prédio seguinte, um edifício com dois pavimentos, se falava que havia sido construído para abrigar a futura Diocese do Cariri, sonho do Padre Cícero. Nele morou o prof. Agostinho Balmes Odísio e sua família – mulher e sete filhos, entre 1934 e 1940, quando se mudou para Fortaleza. Agostinho era italiano, escultor e arquiteto. Ele fora discípulo de Auguste Rodin, em Paris, em 1904. Veio para Juazeiro, saindo de Minas Gerais, atraído pela curiosidade em torno do Padre Cícero. Este prédio, pelos anos 50, serviu de morada para os primeiros frades Franciscanos que vieram para Juazeiro, a partir da pedra fundamental do Santuário de São Francisco, em 06.01.50, data fatídica em que foi assassinado o Mons. Joviniano Barreto. Junto a este prédio estava o Abrigo - ou Asilo Nossa Senhora. das Dores, sob a responsabilidade da Sociedade de Amparo aos Mendigos(SAM). Em frente, tínhamos os fundos da casa do primo José Teófilo Machado, ou mais precisamente de Zefa, a governanta da casa. Ainda vizinho, lado par, vinham duas casas onde também morou o Padre Cícero, e que nos anos 50-60 foi residência de nossos compadres Dolores e José Figueiredo. Embora ainda hoje se possa encontrar residindo famílias, ou seus descendentes, desde o começo do século, é natural que muitos dos imóveis tenham sido transacionados por compra e venda, doação ou permuta. Novamente recorro a Paulo Machado, aliás o autor é virtualmente um antigo morador da Rua São José, pelo fato de sua antiga residência da Rua Padre Cícero ter fundo correspondente com a São José. No seu excelente trabalho - Cartório como fonte de pesquisa, encontrei a súmula de transcrição destes negócios de imóveis, envolvendo 17 deles, no período de 24.10.24 a 04.08.42, onde figuravam como proprietário, ou adquirente, o Padre Cícero ou a Beata Mocinha. Dois destes imóveis são particularmente importantes. O primeiro, a casa de nº 29, hoje 79, já construído para o Orfanato Jesus, Maria e José, doado em 23.07.30 pelo Padre Cícero para a Congregação das Irmãs da Ordem Terceira Franciscana, freiras Capuchinhas, com a cláusula de obrigatoriedade de manutenção do estabelecimento. Isto acabou por não acontecer, motivando a transferência do estabelecimento para as Filhas de Santa Teresa de Jesus, conforme já mencionei. O segundo, envolvendo os prédios de números 242(onde o Padre Cícero residiu e hoje é o Museu) e 258, uma residência. A Beata Mocinha, em 04.08.42, portanto, já após a morte do Padre Cícero, doava à Congregação da Filhas de Maria Auxiliadora (Irmãs Salesianas) para que ai instalassem um colégio. Como no prazo de dois anos isto não aconteceu, a doação ficou incorporada ao patrimônio da Congregação Salesiana do Norte do Brasil, herdeiros universais do Padre Cícero e já instalados na cidade. Talvez ainda volte a esse assunto, pois a Rua São José é o meu xodó há muitos anos, com um acervo extraordinário em sua história. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 10.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Estou aproveitando a mudança de endereço recente para ir completando a doação prometida à UFCA de boa parte do acervo histórico que Daniel Walker e eu temos reunido em mais de cinquenta anos de estudos e pesquisas. Isso se iniciou quando formalmente nós dois fizemos a entrega do primeiro lote, em 03.11.2009 com reunião pública, homenagem, pergaminho, pompa e circunstância. Tudo isso, à época, à sombra da generosidade de Fanka Santos e sua instituição para nos encher de orgulho pessoal pelo gesto e recepção. Depois, em duas outras ocasiões o material continuou a ser entregue, mas parou em virtude de pequenos obstáculos como a carência de espaço para abrigar o que tivemos tanto em empenho em reunir. Recentemente fomos convidados para ver de perto o LACIM (Laboratório de Ciência da Informação e Memória), sob a coordenação da professora Ariluci Goes Elliott. Ali estão realizando o projeto de pesquisa sob o título de Preservação e Dinamização da Memória Documental da Região do Cariri, que visa dar visibilidade ao acervo existente no LACIM, vinculado ao Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Para isso, conduzem a sistematização e a organização do acervo, a fim de preservar e dinamizar a memória documental para consulta e pesquisa da comunidade acadêmica e da comunidade externa. Nosso acervo é constituído basicamente de: Documentos Históricos, Livros, Opúsculos, Folhetos, Boletins, Jornais, Literatura de Cordel, Fotografias, Mapas, Vídeo, Áudio, Cinema, Xilogravura, Catálogos, Cartazes, Correspondência, Monografias, Dissertações, Teses, Arte Popular, Relatórios, Originais de livros (já impressos ou inéditos), etc. O acervo cobre, preferencialmente Juazeiro do Norte, mas há amplo material bibliográfico sobre quase todas as cidades do Ceará, e especialmente do Cariri. E nesses termos, são contempladas referências: 1. De autores juazeirenses (toda e qualquer obra escrita por um juazeirense nato, ou “adotivo”; 2. De temas juazeirenses (tais como religiosidade, história, literatura, etc; 3, Edições juazeirenses (publicações editadas localmente); 4. Coleções completas ou quase isso de grandes títulos cearenses, como a Revista do Instituto do Ceará, Academia Cearense de Letras, Hyhité, Itaytera, A Província, Aspectos, Boletim do ICVC, e muitas outras. Alguns destaques podem ser mencionados:  Documentos Históricos (quase todos os documentos do arquivo do Pe. Cícero (alguns originais e a maioria em digitalização); Livros, Opúsculos, Folhetos, Boletins, Catálogos, Monografias, Dissertações, Teses, Catálogos, Cartazes (milhares de peças que procuramos reunir, dando ênfase, especialmente a formação de uma autêntica biblioteca juazeirense; Jornais (mais de setecentos títulos, alguns dos quais completos, desde o nascimento da imprensa local, com o Rebate e tantos outros ainda hoje são mantidos ativos, e sobre os quais nos empenhamos, tanto realizando o inventário atualizado (2017), bem como coletando tudo o que vai saindo em novas edições; Literatura de Cordel (coleções as mais completas de diversos autores caririenses, bem como todas as edições dos clássicos da Lira Nordestina, novos autores, etc; Fotografias (amplo catálogo, com mais de 20 mil peças, todas digitalizadas, especialmente de Juazeiro do Norte, remontando ao século XIX; Mapas (antigos e atualizados, de Juazeiro e do Ceará), Vídeo (boa coleção de DVDs sobre fatos e personagens do Ceará), Áudio (CDs e gravações ainda em fita magnética de eventos, depoimentos, e música); Cinema (alguns filmes em super8 e 16mm, sendo a maior parte já telecinado para DVD); Xilogravura (uma das mais ricas coleções brasileiras de xilógrafos do Cariri, com cerca de 17 mil peças, já digitalizadas e catalogadas, de mais de setenta artistas regionais; Arte Popular (muitas peças de artistas, especialmente dedicados ao entalhe em madeira); Correspondência, diversa, particularmente a do Pe. Cícero e outros personagens (agora estamos tratando de digitalizar e catalogar a correspondência do Mons. Azarias Sobreira Lobo). Enfim, tanto Daniel Walker como eu podemos hoje olhar para isso tudo realizado e ter nitidamente a sensação agradável de ter cumprido uma missão que se fazia necessário, pois ainda hoje não temos arquivos estruturados que se façam a partir desse material mencionado. Infelizmente é isso, nenhuma cidade do Cariri pode ainda contar com um arquivo público, pois tudo é descartável. Tivemos sempre, e ainda hoje, muita tristeza em relatar o descaso das pessoas para com esses elementos primários. Por isso mesmo, esse acervo se enriqueceu ainda mais porque a ele dedicamos o melhor zelo para que tudo se conserve. O futuro ainda dirá melhor sobre o que fizemos. Justo é mencionar alguns esforços que vão sendo observados nesse mesmo sentido, como pçor exemplo, a dedicação do DHDPG (Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes, sob a coordenação do Pe. Roserlândio, na Diocese de Crato, bem como o que está sendo feito na URCA com precioso arquivo cartorial de um tabelionato cratense, e outros mais que vão se somando para resgatar essas imensa dívida que cresceu, pois poucos tem a sensibilidade de conservar a “velharia”. O nosso mais sincero agradecimento, sempre renovado, vai para a UFCA (Universidade Federal do Cariri), através do curso de Biblioteconomia, e mais de perto pelo empenho da professora Ariluci Góes Elliot, que coordena a implantação do projeto que contempla essa doação que fizemos à instituição, acreditando nos seus propósitos, e feito como se estivéssemos entregando o nosso próprio coração. Bom dia!
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 11.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Falando antes de ontem sobre a Rua São José, veio-me a vontade de reler o que há muito tenho escrito, e que formatado, um dia, será um livro denominado Memória da Rua São José. Nele conto histórias e relato fatos idos e vividos, do tempo em que, entre 1953 e 1963 ali residia. Num dos capítulos desse livro em elaboração, conto a história da existência de uma onça, pertencente ao então prefeito Antonio Conserva Feitosa, na casa de número 618, fato que assim relatei, exatamente motivado pela ambiência zoológica que se vivia na Rua São José. Vejamos: Um dos encantos que registro da minha existência como morador na Rua São José vem de um quase zoológico que se espalhava por diversas casas da Rua. Na casa de minha avó havia umas burguesas que vadiavam, com elegância, pela casa. E quando o tio Sizenando vinha de São Paulo, ele comprava pássaros e ali os mantinha em gaiolas durante suas férias. Bichos, muitos, eram os pássaros e aves na casa dos tios Silvanir e Ananias. Muitos pássaros, entre galos de campina, sabiás, canários belgas, corrupiões, graúnas, muitos mais, e uma grande criação de pombos. Quando queríamos ver bichos exóticos íamos ao Museu, pois a velha casa do Patriarca guardava uma larga coleção de insetos, borboletas lindas, animais empalhados e um enorme aquário no quintal, sob a sombra generosa de pés de cajaranas. Um Urubú-Rei havia na casa de Júlia, do doce, no número 200 da Rua. Júlia era a fiel zeladora do animal, trazido de não sabemos onde, por um romeiro, de presente para o padrinho. Recentemente, visitando o Parque do Macuco, em Foz do Iguaçu, Paraná, encontrei numa placa a menção que transcrevo: “Urubu-Rei (81cm). Sarcaramphus papa Linnaeus, 1758. Habita florestas virgens. Vive em sociedade. Possui um vôo majestoso e possante, atingindo grandes alturas. Alimenta-se de carniça de animais mortos, tanto de mamíferos, como de répteis e peixes. A maneira de buscar alimentos nas florestas é feita, inclusive, através do olfato. Em extinção no Paraná”. Há poucos dias, em 06.12.2001, um encontro casual com Marco Antonio Assunção Feitosa, trouxe-me de volta a lembrança deste animal. Marco tinha à mão uma foto do Urubu-Rei, de Júlia, que fora obtida de Nair Silva, tomada do bicho em sua jaula na casa da Rua São José. E me deu de presente a foto, pela coincidência agradável de ter-lhe lido este apontamento que guardava na carteira, tomado no Paraná, em outubro daquele ano, transcrito acima. E foi com Marco que relembrei um fato pitoresco daquela nossa infância na Rua São José. No quintal de sua casa havia parte deste zoológico que me referi, e se espalhava pela cidade. Lembro de anta, cobras, aves diversas, tartarugas, macacos, patos, pavões, gatos maracajás, e outros mais. Dr. Antonio Conserva Feitosa, o prefeito de então, tinha um gosto particular pelos animais e assim os mantinha em casa. Uns livres, e outros bem enjaulados. Ai pelo ano de 1961, ou 62, um romeiro trouxe para Juazeiro, a título de promessa a ser paga, uma bela onça, apanhada em terras de Mato Grosso. O vigário da paróquia, ao que consta, não quis receber a fera e indicou o prefeito, que a comprou do romeiro. O animal estava preso numa jaula de toros de madeira rústica, amarrados com arames. Ele foi colocado numa sala da casa de número 618, vizinho a dos meus padrinhos Maria Germano e José Magalhães, e que servia ao prefeito como seu consultório médico. Nós sabíamos das idas e vindas dos filhos de Dr. Feitosa, em visita à onça. O animal era tratado por João de Assis, um jardineiro da casa da família de Dona Heloisa e de Dr. Feitosa, a imensa morada no cruzamento das ruas São José e Sta. Luzia. Parte do seu ritual diário, João de Assis ia apanhar vitelos (fetos bovinos) no matadouro público, extraídos de animais abatidos, e os trazia para a alimentação da onça. Num desses dias, Frederico e Marco Feitosa acompanharam João de Assis para este serviço junto à jaula do animal. Abriram a porta da sala e constataram que a onça havia quebrado a jaula e tinha escapulido. No entanto, a onça estava ali, mesmo, na sala, bem atrás deles. Pense aí no clima de terror e a corrida louca que os três fizeram para chegar na porta e batê-la no focinho da fera. João de Assis ficou segurando a porta, enquanto o bicho empurrava de lá. Marco e Fred, em desabalada carreira, foram pedir socorro em casa. Felizmente logo vieram Dr. Feitosa, com uma arma de calibre 12, e seu filho Fernando, com um rifle. Subiram na casa e foram destelhando a coberta para localizar a posição da fera na sala. Enquanto isto, e a duras penas, João de Assis se esforçava para segurar a porta, ao som aterrorizante dos rugidos da onça. De cima, e com tiro certeiro, a fera foi abatida, não sem antes ter dado um salto para o alto, tentando alcançar os dois em cima da casa. Fernando ainda conseguiu dar uma coronhada na cabeça da onça, que caiu sem vida no chão da sala. A essa altura a rua estava cheia de curiosos, todos temendo um desfecho diferente. Depois, a história da morte da onça correu pela cidade e muita gente veio bater na porta do prefeito em busca da carne e das vísceras do animal. Infelizmente esta aventura não virou folheto de cordel, mas tinha tudo para ser. Dr. Feitosa ficou com a bela pele da onça, e segundo me disse o Marco, ainda hoje ela é mantida como troféu de suas aventuras e da onça que, pondo pânico em toda a Rua São José, e redondezas, quase mata João de Assis, que saiu dali todo urinado. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 12.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
Em seu livro “Os Construtores de Juazeiro”, o radialista, jornalista e escritor Dario Maia Coimbra, o Darim, conta que Aderson Borges de Carvalho nasceu em Caririaçu, no dia 29 de agosto de 1922. Ele passou a residir em Juazeiro a convite do então prefeito Antônio Conserva Feitosa. Depois de exercer a função de secretário municipal, ocupou o cargo de tesoureiro da Coletoria Especial Estadual. Como contador de destacada capacidade, integrou a equipe de contabilidade da Aliança de Ouro, então em plena ascensão, de onde saiu para gerenciar a Fábrica de Bebidas São Geraldo, de Luciano Teófilo. “Apegou-se ligeiro a Juazeiro e seus juazeirenses, dando uma louvável contribuição para o desenvolvimento da cidade”, afirma Darim. Dotado de larga visão de futuro e ciente da importância estratégica do setor secundário para a economia do município e da região, foi Aderson Borges de Carvalho o coordenador da equipe que promoveu a I Feira da Indústria do Cariri (FIC). Mesmo não tendo sido exclusivamente do segmento, a promoção foi um marco até hoje lembrado pelos cidadãos mais engajados na preservação da memória do município, e plantou a semente da Feira de Negócios do Cariri (Fenec), que teve dezenas de edições pelos anos seguintes. O próprio Aderson Borges de Carvalho falou sobre a primeira edição da FIC em seu livro “Crônicas do Cariri”. “Chegava do Rio e São Paulo e fui convidado para uma reunião no Clube dos Doze. Por iniciativa de João Barbosa, socialmente, sempre atuante, projetava-se a realização de uma festa naquele clube, precedida de disputa para a eleição da ‘Rainha’, entre seis jovens beldades de nossa terra, que teriam  patrocínio de indústrias locais”, conta. Apesar de considerar a ideia interessante, Aderson avaliou que não daria retorno aos patrocinadores em termos de eficiência publicitária, “por realizar-se num salão, que, elitista, seria inibidor da presença de pessoas, socialmente mais modestas”. Sugeriu então que se fizesse um evento de maior amplitude, “partindo para uma mostra onde os expositores fossem indústrias de toda a região, já que estávamos empolgados e ansiosos pelo sucesso do “Plano Asimov” em incipiente implantação”, relembrou. Designado presidente do Comitê de Organização, a ideia da FIC ganhou a adesão de diversas personalidades e instituições. “Tinha uma ideia geral do que seria um certame desse porte enquanto eficiente meio de publicidade, que muito visitara nas amiudadas viagens ao Sul do País e capitais nordestinas. Com as adesões que foram chegando, demos início a estruturação e adaptação de toda a área coberta ou não, do Treze Atlético Juazeirense, (antiga sede) na Praça São Vicente”. Os stands, de acordo com ele iam sendo preparados, os convites expedidos para as mais altas autoridades do país e do estado, Presidente, Ministros, Governador, Secretários, Deputados, com dia e hora marcados. Na última hora, a Feira da Indústria quase é impedida de ser realizada pelo Delegado do Ministério da Indústria e Comércio. “Por telegrama, o delegado avisava ao Prefeito Mauro Sampaio – que não participava da promoção, - e aos presidentes do Rotary, Lions e Câmara Júnior, que a feira estava proibida de funcionar, por descumprimento das exigências legais sobre feiras e exposições. Rápido, procurei os destinatários, para que nada divulgassem”. Era época de ditadura militar, e somente após um intenso esforço junto àquela autoridade e uma intervenção por meio de ofício junto ao ministro, o trabalho de promoção da FIC pôde ser levado adiante. Dario Maia Coimbra recorda também em seu livro que, em 1970, indicado pelo prefeito Mauro Sampaio, Aderson Borges coordenou a equipe que viajou ao Rio de Janeiro para uma exposição no Museu de Arte Moderna. “Seu prestígio fez com que, merecidamente, fosse eleito presidente da Associação Comercial, realizando profícua administração, deixando a elevada função por injunção política, que patrocinou a candidatura de um cidadão que não era sequer comerciário quanto mais comerciante. Prevaleceu a imposição político-econômica”, escreveu. Na vida social, Aderson Borges integrou o Rotary Club, onde exerceu vários cargos, incluindo o de presidente. Apesar de não ter sido militante desportista, presidiu a Liga Desportiva Juazeirense (LDJ). Enveredou ainda pela política, com eleições para dois mandatos de vereador e duas candidaturas para prefeito, sem entretanto obter êxito para chefias o Executivo Municipal. Segundo Darim, Aderson Borges de Carvalho atuou como farmacêutico e escreveu, também, crônicas carregadas de honestas críticas aos fatos do cotidiano regional. Trabalhou, ainda, no Jornal do Cariri, como redator-chefe. Por fim, sua visão empreendedora o levou a ser empresário do ramo de metalurgia e marmoraria, com maior sucesso na primeira delas. Participou das campanhas em prol da eletrificação e telefonia do Cariri, da construção do Aeroporto e das instalações da agência do Banco do Brasil, do Sesi e do Senai. Aderson Borges de Carvalho faleceu em 24 de abril de 1999. O Liceu de Juazeiro, uma escola estadual de ensino profissionalizante, leva seu nome como uma das poucas, mas justa homenagem a quem tanto se dedicou ao crescimento da terra do Padre Cícero. Bem recentemente foi criada em Juazeiro do Norte uma Organização Não Governamental denominada Casa do ABC (Aderson Borges de Carvalho) que agora está situada na Rua Santa Rosa, esquina de Pe. Pedro Ribeiro. É uma instituição voltada para a promoção humana, congregando jovens e adultos em diversas atividades de formação cidadã, como música, arte, clube do idoso, etc. É assim que se faz para perpetuar a vida e a obra de um dos mais completos exemplos de cidadania que me foi possível conhecer, e que estava entranhado na personalidade de Aderson Borges de Carvalho. Quem está à frente da ONG é o Danilo Abençoado, com uma grande equipe de trabalho. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 13.01.2017)
BOM DIA! Por Renato Casimiro
A história mais remota da vida religiosa de Juazeiro do Norte recorre cronologicamente ao instante marcante da pedra fundamental da primeira capelinha, em honra de Nossa Senhora das Dores, assentada no recuado 15 de setembro de 1827, encravada nas terras desse lado fértil do Cariri. Daí por diante, eclesiasticamente dependente da Freguesia de Nossa Senhora da Penha (Crato), e da Diocese de Olinda, sucederam-se alguns capelães, até que, já constituída uma nova Diocese, o primeiro Bispo do Ceará, D. Luiz, proclamou a provisão com a qual Cícero Romão Baptista, se tornaria em 11.04.1872 o seu sexto capelão. Amália Xavier, em seu relato sincero, registra que aquele foi um “apostolado fecundíssimo, com suas práticas religiosas e, sobretudo, com seu exemplo, conseguiu regenerar os habitantes, descendentes dos escravos do Pe. Pedro (Ribeiro), que após a sua morte se haviam entregues a toda a sorte de degenerescência, esquecidos dos ensinamentos recebidos.” O zelo exemplar de Pe. Cícero estendeu as bases para que aquela pequena capela, expandida em duas ocasiões, reformada em outras tantas, se constituísse no núcleo fundamental sobre o qual cresceria suas atenções sobre o fenômeno religioso e sobre todas as injunções que fizeram daqui o epicentro da religiosidade popular emanada da grande nação romeira e nordestina. Muito depois, 45 anos após, no dia 20 de janeiro de 1917 a Diocese de Crato criou a primeira Freguesia da Vila do Joaseiro, designando o seu primeiro vigário o Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves. Essa ficou conhecida como Paróquia-Matriz, ou Igreja-Matriz, uma longa primazia por outros longos 51 anos, até que fosse criada a segunda paróquia da cidade. Agora, depois de uma história memorável, através da qual abrigou todos os filhos desta heroica cidade, em congraçamento com a gente romeira dos sertões e elevada às dignidades de Santuário e de Basílica Menor, ela se prepara para celebrar o seu primeiro centenário, plena das graças da Igreja que está em Cristo e em cada um de nós. A celebração deste primeiro século de evangelização e de um intenso pastoreio se fará por uma ampla programação, para a qual estamos todos convidados a rememorar e a festejar tudo aquilo que se emanou da velha capelinha e que invadiu lares e oficinas, entre oração e trabalho, para ser entre nós o privilégio, na proximidade do Reino de Deus. Em toda a sua existência, a Paróquia-Matriz foi regida por dez vigários, na atualidade denominados de Párocos, enquanto vigários paroquiais são os coadjutores ou auxiliares. Revisei recentemente a relação desses vigários/párocos, para indicar abaixo os seus principais dados. Observe que dois deles (Monsenhores Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves e José Alves de Lima) foram vigários em dois períodos.
PRIMEIRO VIGÁRIO: Pe. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves; Nascimento: 29.01.1879 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1898 (Fortaleza, CE); Vicariato (I): De 21.01.1917 a 16.09.1921; Falecimento: 01.10.1934 (Juazeiro do Norte, CE);
SEGUNDO VIGÁRIO: Pe. Dr. Manoel Correia de Macedo; Nascimento: 16.06.1894 (Barbalha, CE); Ordenação: 03.04.1920 (Roma, Itália); Vicariato: De 26.01.1923 a 06.01.1925; Falecimento: 06.07.1959 (Campinas, SP);
TERCEIRO VIGÁRIO: Pe. José Alves de Lima; Nascimento: 05.05.1889 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1912 (Fortaleza, CE); Vicariato (I): De 13.05.1927 a 06.06.1933; Falecimento: 30.08.1969 (Juazeiro do Norte, CE);
QUARTO VIGÁRIO: Mons. Pedro Esmeraldo da Silva Gonçalves; Nascimento: 29.01.1879 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1898 (Fortaleza, CE); Vicariato (II): De 17.04.1933 a 01.10.1934; Falecimento: 01.10.1934 (Juazeiro do Norte, CE);
QUINTO VIGÁRIO: Mons. Joviniano da Costa Barreto; Nascimento: 05.05.1889 (Tauá, CE); Ordenação: 21.12.1911 (Fortaleza, CE); Vicariato: De 26.03.1926 a 06.01.1950; Falecimento: 06.01.1950 (Juazeiro do Norte, CE);
SEXTO VIGÁRIO: Mons. José Alves de Lima; Nascimento: 05.05.1889 (Crato, CE); Ordenação: 30.11.1912 (Fortaleza, CE); Vicariato (II): De 07.01.1950 a 28.02.1967; Falecimento: 30.08.1969 (Juazeiro do Norte, CE);
SÉTIMO VIGÁRIO: Mons. Francisco Murilo de Sá Barreto; Nascimento: 30.10.1930 (Barbalha, CE); Ordenação: 15.12.1957 (Barbalha, CE); Vigário Cooperador: De 06.02.1958 a 28.02.1967; Vigário: De 28.02.1967 a 04.12.2005; Falecimento: 04.12.2005 (Fortaleza, CE);
OITAVO VIGÁRIO: Pe. Paulo Lemos Pereira; Nascimento: 25.09.1970 (Juazeiro do Norte, CE); Ordenação: 19.10.1999 (Crato, CE); Administrador Paroquial: De 06.02.2006 a 07.01.2011;
NONO VIGÁRIO: Pe. Joaquim Cláudio de Freitas; Nascimento: 15.07.???? (Santana do Cariri, CE); Ordenação: 08.06.2007 (Crato, CE); Vigário Paroquial: De 01.01.2008 a 01.01.2011; Pároco: De 08.01.2011 a 30.07.2015;
DÉCIMO VIGÁRIO: Pe. Cícero José da Silva; Nascimento: 15.01.1975 (Brejo Santo, CE); Ordenação: 04.08.2012 (Crato, CE); Vigário Paroquial: De 01.01.2011 a 31.07.2015; Pároco: desde 31.07.2015.
De amanhã até o dia 20 estarão concentrados os principais eventos com os quais será celebrado o primeiro centenário da Paróquia de Nossa Senhora das Dores. Em verdade, estendendo-se por todo o ano de 2017, em diversas outras ocasiões, ainda será a oportunidade para festejar esse grande momento. Bom dia.
(Postado em Facebook: https://www.facebook.com/renato.casimiro1, em 14.01.2017)

CARIRI REVISTA EM CARTAZ

Já está circulando a mais nova edição da Cariri Revista. Trata-se do número 28, uma edição especial contemplando uma ótima matéria sobre a relação da Romaria com Juazeiro do Norte. Vale a pena ler. A revista é distribuída gratuitamente em diversos pontos da cidade, do Cariri e em Fortaleza.