sábado, 19 de maio de 2018


JUANORTE: TRISTE FIM DE UMA TRINCHEIRA (II)
Estamos, desde a semana que passou, reproduzindo os textos que foram por mim publicados no site JUANORTE, editado de Brasília, pelo jornalista Jota Alcides, pelos motivos já apresentados. É provável que esta publicação esteja disponível em mais seis outras edições próximas, pelo número de textos que ali foram publicados semanalmente. 

JUABC DAS ARTES
Este ano de 2008 vai ser concluído com um impressionante resultado positivo para a cultura do JUABC, especialmente para Juazeiro do Norte. No início do segundo semestre foi a vez do II BNB agosto da Arte. Um grande sucesso que se estendeu também a Fortaleza e Sousa(PB). Em novembro tivemos a 10ª Mostra Sesc Cariri de Cultura, com oito dias intensos de uma programação eclética e disseminada por doze cidades da região, principalmente Juazeiro, Crato e Nova Olinda. Nesta ocasião, a cidade ganhou mais uma sala de espetáculos, o Teatro Patativa do Assaré, que se junta às disponibilidades do Marquise Branca, do CCBNB e do Memorial. Neste início de dezembro dois fatos consolidam o final da temporada e já mostra a grande perspectiva do ano vindouro. O Banco do Nordeste, através do Programa BNB de Cultura divulgou o resultado da grande seleção de projetos que serão financiados durante 2009. Dos 2238 inscritos, de 363 cidades de 17 estados brasileiros 192 foram selecionados para todo o país, e destes, 3 foram para Juazeiro do Norte (1 no setor de Música e 2 no setor de Artes Integradas ou não-Específicas: 1. AVBEM – Associação dos Voluntários para o Bem Comum (Orquestra Armorial do Cariri); 2. Cícera de Andrade da Silva (Construção de Boneca Puxa Saco); 3. Instituto de Ecocidadania Juriti (Circo em transe). Fundada em 2004 a AVBEM desenvolve o mapeamento e o registro dos grupos e dos mestres da tradição oral da região do Cariri, com o objetivo de divulgar as tradições locais. Os artistas são convidados a gravar suas composições em estúdio gerido pela própria AVBEM e, a partir desse registro, são abertas possibilidades de ser inseridos em programações de casas de espetáculo e de concorrer em editais da área de cultura. Em 2005, a iniciativa contou com a participação de 60 artistas. Cícera de Andrade da Silva, artesã, foi selecionada porque apresentou uma proposta muito interessante de montagem de uma oficina com a qual pretende capacitar os jovens da comunidade do bairro Frei Damião, na confecção de uma bolsa utilitária a ser usada para reciclar sacos plásticos. O Instituto de Ecocidadania Juriti foi fundado em 1998 e vem contribuindo para o resgate da cidadania e da preservação do meio-ambiente. Através do desenvolvimento auto-sustentável, o instituto tem como objetivo promover o desenvolvimento de pesquisa, projetos, estratégias e programas inovadores focados em educação, meio-ambiente, cultura, desenvolvimento social e arte. O instituto mantém um Circo Escola de Ecocidadania. Dezembro também foi assinalado pelo 4º Encontro dos Mestres do Mundo e o 3º Seminário Nacional de Culturas Populares, acontecido em Juazeiro do Norte, Barbalha e Crato. Foram centenas de mestres da cultura que se reuniram nas chamadas rodas de mestres para intensas e proveitosas trocas de experiências. Por fim, para fechar com chave de ouro, a Secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) e o Departamento de Edificações e Rodovias (DER) do Ceará assinaram a ordem de serviço para a reforma do Centro de Referência do Artesanato do Cariri, garantindo novas oportunidades para o desenvolvimento e comercialização da arte caririense, cujos objetivos maiores são promover o artesanato caririense, a partir do estímulo à comercialização, com oficinas de capacitação dos artesãos e exposição dos produtos em uma loja da Ceart e show room do artesanato da região. 
(JUANORTE, 14.12.2008)

GOVERNO DA CIDADE
Ao que se chamou, por um bom tempo, de intendência, o século passado o requalificou e consagrou como prefeitura, na esperança de que, antes de qualquer coisa, dali se governasse, “com o povo, pelo povo e para o povo”. Não há proselitismo numa assertiva como esta, tanto assim que, na frustração de tal intento, sempre se falou de desgoverno, não se admitindo, nem como nomenclatura, o necessário e “desprefeitural” tratamento repulsivo. Assistimos, muitos de nós, em Juazeiro do Norte, diversos exemplos históricos de desgoverno. Talvez a nossa memória, normalmente de curto prazo, já os tenha como anistiados, por conformação, pois não vimos que isto alimentasse algum sentimento rancoroso e coletivo. Certamente não será muito “cristão” dizer-lhes: perdoamos, mas não esquecemos. Felizmente, a passagem rápida destes tais péssimos homens públicos que ousaram zombar de nossa ingênua boa vontade em crer que seria possível, a seu tempo, viver bem numa terra abençoada, parece que não minou completamente o nosso ânimo, a nossa crença. Em verdade, a cada nova temporada de eleição, renova-se o nosso espírito otimista de que “daqui pra frente, nada será como antes”. E seguimos a vida alimentando a nossa autoestima a partir de nossas próprias esperanças. E se já era assim, mesmo quando ainda não sabíamos o que se tiraria das urnas, como então não ficar esperançoso se a maioria preferiu mudar? Recentemente, os votos foram contados e, mais que antes, a soma refletiu esta expectativa de renovação, em busca de uma derradeira utopia expressa na ansiedade deste eleitor. O eleitorado juazeirense, este mesmo “sequioso”, para usar a expressão recente do vice-prefeito eleito, vive no aguardo de que, tal qual foi a sua intenção e o gesto concreto do voto, a administração municipal da cidade possa consolidar a sua esperança em todos os títulos que costumam proferir: no compromisso com o povo, na fidelidade e zelo à coisa pública, no combate sistemático à corrupção, na continuidade das boas obras, nas promessas de campanha e na eficiência de uma máquina administrativa que realize esta vontade popular. Ao referir deste modo, o homem comum não demonstra sua preocupação por metros quadrados de calçamento, ou por outro qualquer índice burocrático do gabinete. Acima de tudo, ele crê que o Gabinete vai estar constituído de homens competentes e confiáveis que viabilizarão o Governo que a cidade necessita, tantos são os seus problemas a encaminhar soluções. Por isto mesmo, esta tribuna modesta e que encerra alguma parcela da opinião reinante, espera sinceramente que, de fato, a nova administração se invista destes compromissos primeiros que honram a opção expressa dos seus cidadãos. Para tanto, nada melhor que não abusar de qualquer slogan de promoção pessoal ou partidária, seja de natureza mercadológica, institucional ou ideológica. Melhor será adotar aquilo que pode nos transmitir uma grande confiança nos destinos desta terra e nos seus novos gestores. Por isto mesmo, permitam-me, estou sugerindo que pelo menos nos próximos quatro anos, este respeito ao povo de Juazeiro do Norte se traduza até na nomeação dos próprios móveis e imóveis do executivo, com a designação mais acertada: Governo da Cidade de Juazeiro do Norte. Que não seja um letreiro, uma placa, uma peça publicitária. Mas que não deixe de ser o sentimento mais dominante de que os novos encarregados assumem o compromisso formal de governar esta cidade, como assim fariam por sua própria casa, diante de sua própria família. 
(JUANORTE, 21.12.2008)

POBREZA, DESIGUALDADES E ESPERANÇA
O IBGE divulgou resultados de sua pesquisa sobre pobreza e desigualdades nos municípios brasileiros, usando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (2002-2003) e o Censo Demográfico (2000). No relatório sucinto, estimaram-se as Incidências de Pobreza e da Pobreza Subjetiva e o Índice de Gini (com os limites superiores e inferiores das medidas). Traduzindo: com a incidência da pobreza, os números procuraram quantificá-la, com critérios definidos por técnicos que analisam a capacidade de consumo das pessoas, balizado pelo acesso a uma cesta alimentar e de outros bens mínimos necessários à sobrevivência humana. Já com respeito à incidência de pobreza subjetiva, ela é expressa pela opinião dos que foram entrevistados, em vista da percepção destas pessoas sobre as suas próprias condições de vida, e isso sofre as influências da posição daquele indivíduo em um determinado grupo de referência, por exemplo, os empregados do comércio, etc. Estes dois índices, numericamente, são próximos um do outro. Com respeito ao Índice de Gini ele é mundialmente aceito para traduzir a desigualdade de distribuição de renda. Se há uma pretensa igualdade na distribuição, onde todos têm a mesma renda, ele tende a zero, e se a desigualdade é total, ele tende a 1,0 - no caso absurdo de que uma só pessoa detém toda a renda do município e o resto não tem nada. Seria desejável ter algo muito objetivo na definição de pobreza. Assim como, por exemplo, o Banco Mundial estabelece que, em pobreza extrema, está o indivíduo que vive (?) com menos de um dólar por dia. Ou, numa pobreza moderada, se isto vai de um a dois dólares/dia. Algo como até R$150,00/pessoa/mês. Pobreza, efetivamente, é a imagem da exclusão social, o que nos priva das nossas necessidades diárias de alimentação, de emprego e renda, vestuário, habitação, educação, etc. Aquilo que, enfim, de uma maneira perversa, limita o exercício de nossa cidadania. Os números de Juazeiro do Norte nesta pesquisa foram os seguintes: Incidência de Pobreza, 52,14% (variando entre 46,18 a 58,10%); Incidência da Pobreza Subjetiva, 51,86% (variando de 48,41 a 55,31%) e Índice de Gini, 0,46 (variando de 0,44 a 048). Aplicando estes valores para o Censo Demográfico (2000), o IBGE constata que, já em 2003, viviam a condição de pobreza, cerca de 110 mil juazeirenses, embora um pouco menos tenha “confessado”, de modo subjetivo, a sua inclusão nesta condição. Sobre o Índice de Gini, do qual tiramos o coeficiente médio de 46%, isto nos informa, mesmo defasado pelo tempo, que tem havido uma evolução favorável à redistribuição de renda no município. Em 1991, por exemplo, o coeficiente era de 60%. No período houve um crescimento do PIB per capita, para cerca de R$280,00 por habitante/mês. Mas, isto exclui quase a metade dos viventes. Eis aí um quadro preocupante. De certo modo, previsível diante da observação cotidiana, com cenário de ausência de políticas públicas que fomentem a oferta de vagas no mercado de trabalho, privilegiando, pelo menos, renda compatível com as necessidades básicas. Tudo isto, evidentemente, exacerbado pelo desemprego crescente, pela violência urbana, pela falta de horizontes nas nossas crianças fora da escola, a insensibilidade, ou por vezes, a impotência dos (des)governos municipais. Basta. Já é desgraça demais para lembrar o nosso compromisso e a nossa responsabilidade social com este estado de coisas. Afinal, mais uns dias e Juazeiro do Norte estará experimentando a convivência diária com seus novos gestores, gente em quem reconhecemos a boa vontade e a sensibilidade para encarar problemas tão angustiantes como estes. Que isto signifique um novo olhar sobre estas questões, e uma nova postura de intransigência na defesa dos interesses daqueles que não fizeram parte do pacto político. Com todas as nossas esperanças em um novo ano, sejam bem vindos, pois. “A casa é nossa”. Vamos arrumá-la ?
(JUANORTE, 28.12.2008)

CENTENÁRIO E NOSSA CIDADANIA
A iniciativa de tratar do Centenário de Juazeiro do Norte (22.07.2011) partiu de um gesto comum entre os gestores que saem e os que entram para o Governo da Cidade. A primeira atitude foi a de convocar algumas pessoas para sentir-lhes o sentimento sobre aquilo que poderá ser, literalmente, a festa do século. Logo nos primeiros contatos, temos assistido às naturais tentações de se percorrer alguns caminhos apressados. Primeiro, pontuar o que seria a programação celebrativa por uma série muito longa de eventos que assinalariam o acontecimento, tal é a fertilidade das nossas mentes ansiosas, as dos convidados. Segundo, constituir a formalidade de uma comissão que coordene todas as ações, fazendo-a ligada ao executivo municipal, que lhe atribuiria autonomia estribada por colegiado responsável e competente. Ainda é possível dizer-lhes de terceiro, quarto e mais. Mas, fiquemos por enquanto com estes, apenas para indicar alguns avanços nos primeiros passos. Pelo privilégio que concederam no convite e na audiência, apressei-me em considerar-lhes a oportunidade como extremamente valiosa para uma boa reflexão sobre o que temos sido e para onde desejamos levar nossa terra. A celebração, e nisto a minha absoluta concordância com a idéia vigente (Daniel Walker, como mentor) de que os eventos devem se estender por muito mais que um só dia, ou uma semana, ou um mês. Em vista de coisas não resolvidas por estes anos, Juazeiro do Norte acumula hoje em dia uma pauta de imensas frustrações na sua caminhada. À visão mais pessimista, celebrar o que(?) e para que(?). Fácil é reconhecer que somos uma comunidade de grande desempenho, diante desta conjuntura de Estado do Ceará. Este desempenho hoje tem ingredientes consideráveis pelo mercado expressivo que o município e sua área de influência representam. Assim, nada mais justo que aproveitar este ensejo centenário para repensar o modelo de gestão da coisa municipal, para que, enfim, se promova um planejamento adequado para suas grandes e imperiosas demandas. Por exemplo, o que se desenha hoje para Juazeiro do Norte, às vésperas dos seus primeiros cem anos? O que será deste centro de romaria em vista das tendências reinantes do turismo, dito religioso? Para onde caminha, mais timidamente o seu pólo de industrialização, ao lado de um acentuado progresso do comércio, seja varejista, seja atacadista, e do terceiro setor? O centro universitário que emerge com extremo vigor, através da oferta de uma matrícula invejável para dezenas de carreiras universitárias, seria uma boa alavanca para alterar a tendência de mercado mais voltado para a prestação de serviços profissionais qualificados, ou isto deixaria um saldo mais evidente, com vistas a um marco avançado em ciência e tecnologia? Que futuro espera este aglomerado urbano pela falta de um zoneamento pensado, omissão grave das regras de uso e ocupação do solo já em sinais de escassez? Mas, principalmente do que se mistura indústria de poluição pesada em meio a áreas urbano-residenciais privilegiadas. Eu penso, sinceramente, que questões como estas não podem passar ao largo do que seria apenas uma comemoração festiva. Considerá-las, na objetividade com a qual buscamos saídas e luzes para providências de curto, médio ou longo prazo, é uma atitude concreta de amor à cidade, à qual tanto nos devotamos. Manifesta, acima de tudo, o nosso envolvimento visceral, a responsabilidade civil que nos cobramos, na hora exata em que não se pode dissociar a visão de que o futuro de nossa terra pode ter o tamanho exato, senão maior, do que o nosso próprio futuro como cidadãos.
(JUANORTE, 11.01.2009)

VEREADOR: UM BOM NEGÓCIO
Fiquei estarrecido com os números das prestações de contas dos senhores vereadores eleitos à Câmara Municipal de Juazeiro do Norte. Infelizmente, a notícia só chegou ao nosso conhecimento com muito atraso, depois que foi selada a escolha pelo voto. Em primeiro lugar, confesso-lhes a minha ignorância e um certo desligamento por não saber que eles tinham gasto tão pouco. Isto até poderia nos estimular a patrocinar alguns bons candidatos, legalmente, segundo as normas vigentes na República Federativa, a partir de uma seleção criteriosa, até dentro das próprias legendas litigantes. Os números na internet indicam que a farra não passou de 88 mil reais. Pela média dos valores mobilizados apenas pelos 14 sagrados sabe-se que cada um só teve que desembolsar por volta de R$6.280,00, sendo que 41% disto era de recursos próprios, dos CPFs dos candidatos, e os restantes 59%, de familiares e simpatizantes. Algo como R$2.555,00 + R$3.725,00. Nestas últimas eleições, 115.952 eleitores votaram nos quatro candidatos a prefeito. Contudo, para eleger a nossa Câmara atual, apenas 30.568 votos importaram (cerca de 26%). Os críticos que não enxergam nisto parte das enormes imperfeições do sistema eleitoral e não advogam sua iminente reforma, não aceitarão que se diga que é uma falácia asseverar-lhes que a nossa Câmara foi eleita por uma minoria, e como tal é a imagem da representativa democrática. Eu estou, com isto, procurando entender as vaias consagradoras, ou desconcertantes, que ecoaram no último dia primeiro do ano, entre o Palácio do Floro e o Memorial do Padre, em meio ao que se preconizava pelas ruas e praças, em termos de novas traições e revides de novos perdedores. Voltemos aos nossos números, tão pequenos e reveladores. O vereador mais votado não chegou a três mil sufrágios. Se tomarmos os diversos números da votação de cada um e confrontarmos com estes tais valores declarados dos custos de suas campanhas, veremos que, hipoteticamente, cada voto teve um custo estimado entre R$0,90 e R$10,18. Na verdade, nove dentre estas 14 estrelas não chegaram a gastar mais que R$1,99. Um número, por sinal, muito emblemático na barganha e do total conhecimento do nosso povo que, de tão espoliado, sempre pede mais baratinho. Interessante observar nestes números que os menos votados foram os que mais gastaram por voto efetivado. Conseqüentemente, embora a relação de custo tenha atingido 11,3 vezes (maior/menor), a votação esteve na relação de 2,9 vezes (maior/menor). Mas, aceitemos que com tal pressuposto, os 14 juraram algo perante o povo para ser-lhes leal e dedicado. Nem vamos muito longe em aceitar tais fatos, pois o futuro que lhes reserva esta nova legislatura é por demais alvissareiro. Receberão os senhores vereadores os proventos do cargo e outras benesses que implicam numa elevadíssima taxa de retorno para o investimento que realizaram na continuação ou no ingresso de suas carreiras políticas. Diante destes números que se tornaram tão vergonhosamente públicos, bem se vê que os senhores vereadores de Juazeiro do Norte, só no primeiro salário já terão de volta tudo o que aplicaram na empreitada. E há o caso hilário de um deles que só gastou o que recebeu de contribuições, não abrindo o próprio bolso para nada. Assim está declarado à Justiça Eleitoral. O que será legitimamente devido por cada um de nós aos ungidos à Câmara Municipal de Juazeiro do Norte custará a cada um juazeirense, pelo menos, R$1,09 por mês. Ora direis, uma mincharia! Pois, sim! 
(JUANORTE, 18.01.2009)

AGUA, MEUS NETINHOS. ESGOTO, SENHORA VÓ...
Juazeiro do Norte tem agora no Governo da Cidade um médico sanitarista de plantão, de reconhecida proficiência. Alguém, se mais desavisado, até perguntaria, diante desta minha certeza: isto é bom ou isto é ruim ? Depois desta sua leitura, procure o que aí está no texto, no contexto, no pretexto e nas entrelinhas, e alguma resposta sairá. Então, vamos nos entender em dois pontos que, se bem realizados, até nos antecipariam uma melhor qualidade de vida, antes de pensarmos na remediação de velhas mazelas, conseqüências inequívocas da ausência de bons serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Recorri a fontes oficiais do serviço competente, e acudiu-me a presteza da companhia estadual. E do que me informaram, posso lhes dizer que em 31.12.2008 a situação do abastecimento de água era espelhada pelos seguintes números: o total de domicílios alvo da cobertura factível, isto é, possível de ser realizada imediatamente, era de 84.208. Ocorre que a rede existente já atingia cerca de 82.106 domicílios. Portanto, uma cobertura de 97,5%. Invejável, diríamos. Mas, nesta data, apenas 61.515 domicílios estavam ativos. A diferença corria por conta de desligamentos (voluntários ou cortes por inadimplência). Estimava-se para este consumo, algo em torno de 800 mil metros cúbicos mensais, com média de consumo oscilando entre 10 e 13 metros cúbicos ao mês/ligação. Evidente que no meio do caminho já se encontravam reclamações procedentes: falta água em picos de romarias, variações de qualidade, embora me assegurem que o padrão local beira a classificação de mineral, etc. A situação de esgotamento sanitário era bem diversa. A péssima rede coletora, herança antiga de boas intenções governamentais, no fundo - pouco zelosa, não atingia 39% do que seria sensato cobrir. Eram 18.776 domicílios ligados, embora ativos fossem apenas 17.466. A rede urbana, mesmo mal instalada, ainda cobriria mais uns 13.761 domicílios, elevando o exeqüível total para 32.537 ligações, bem menos da metade do que seria esperado. Esta grande diferença está estribada, pelo menos em coisas tais como: o uso continuado da velha solução de fossas sépticas, ligações clandestinas com a rede, ou lançamentos em galerias pluviais. O fator que afasta o usuário de uma solução definitiva deste problema é a tarifa dos serviços. Mas, veja que a maior parte do consumo local é remunerado por uma tarifa social, subsidiada pelos consumidores de maior volume. Não seria absurdo falar, há exemplos, de que seria possível o Governo implementar com a Companhia um subsídio que gradualmente vai se extinguindo, mas estimula o crescimento da cobertura do serviço. Aliás, as companhias de água e esgotamento sanitário pelo mundo costumam divulgar que são “indústrias de saúde”. E há quem pense que não fica muito difícil realizar. O Governo da Cidade economizaria racionalmente, deixando de gastar com besteira. Se for capaz, bane o protecionismo político que tanto rouba o cofre público e, como quem administra economia doméstica, sem mistérios, onde custeio e investimento não podem superar receitas, encontra um bom caminho de poupança de recursos para o que o povão necessita. Mas, para isto, é necessário saber se o Governo está mesmo disposto a resolver tais questões. Não é uma visão simplista. A prevalecer a cena, na contra-mão do problema e da história, não vai valer a pena celebrar centenário de roupa nova, desfilando pelas ruas de uma cidade fedida. Nem para acompanhar Nossa Senhora, nem para dançar com banda de forró. 
(JUANORTE, 25.01.2009)

JUABC OU ESTADO DO CARIRI ?
Por estes dias, estive lendo, a título de confronto, alguma coisa à margem destes dois momentos de especulação sobre o destino da região do Cariri: o antigo movimento de constituição de um novo Estado na Federação e esta intenção mais recente, a da Região Metropolitana do Cariri. Sobre a primeira, bati a poeira do meu exemplar de Em defesa do Cariri, de Wilson Roriz (Fortaleza, 1957). Na leitura, reencontro a emoção e os ânimos exaltados do então deputado estadual, diante de uma proposição que se relacionava, à época, muito mais com os antecedentes frustrados da eletrificação do Cariri, do que mesmo com uma proposta convincente de fundação de um novo Estado. Sobre uma perspectiva puramente econômica, o documento seria hoje considerado inexpressivo, porque suas fontes se assentavam exclusivamente nos quantitativos minguados repassados por verbas governamentais. O Cariri, então, era uma grande promessa, mas os governos eram duros na queda e não viam a região como merecedora de grandes investimentos. Sem energia elétrica e com tudo por fazer, os prefeitos e seus deputados viviam de pires na mão. Mais recentemente, a propósito de novos Estados, reviso que entre 1998 e 2008 foram sugeridas as constituições de 16 novas unidades federativas, a partir de desmembramentos de áreas de seis Estados (AM, PA, MT, BA, MG e SP). A região nordestina ganharia mais uma unidade, a décima - Estado Rio São Francisco, que abocanharia cerca de 30% da área da Bahia. A propósito desta pauta vigente no Congresso Nacional, o IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas divulgou um estudo que realizou com estas propostas e comparou-as com outros anteriormente formulados, relevando, sobretudo, a questão da sustentabilidade econômica. Objetivamente: Produto Interno Bruto(PIB) x gasto público. O gasto público médio no Nordeste é de aproximadamente R$ 1000,00 per capita ano (IPEA). Isto se encontra com base nos dados de PIB (2006), o que dá um valor fixo médio de R$ 832 milhões por ano, acrescidos de uma estimativa de R$564,69 per capita e mais R$ 0,075 para cada R$ 1,00 produzido. Apesar de serem os números mais baixos do país, para um novo Estado se estima que o custo per capita venha a atingir R$ 1.937,00. O Estado do Cariri teria população estaria estimada em um milhão de habitantes. Como toda a renda do Cariri não vai além de R$ 3,2 bi, ou 8% do PIB do Estado (R$ 40 bi), estes números não estimulam mais a pretensa idéia de um desmembramento da Região, com uns 30 municípios, a maioria em estado de indigência econômica-financeira. Bem se vê, por este balanço modesto e, diria – quase ingênuo, que enquanto não alçamos patamares mais expressivos daquilo que nos recuperaria economicamente em tempos de crise global – a conjuntura mundial aplicada à província, devemos nos deter em criar espaços e alargar pautas e perfis de produção para que, cada um à sua vocação e criatividade, se esmere nos seus próprios indicadores. Neste cenário são muito bem vindas as novas idéias de constituição de uma Região Metropolitana do Cariri. Apesar do seu impacto na microrregião, o JUABC continuará sendo o carro-chefe. O preocupante vem na cota da responsabilidade civil, e social, assumida pela máquina que está à frente, pois o Cariri nunca irá para diante se o JUABC vier a encher o peito para dizer, levianamente: os outros que se virem. 
(JUANORTE, 01.02.2009)

ROMARIA DA SENHORA DA CANDELÁRIA
Justiça seja feita: o Governo Municipal de Juazeiro do Norte venceu brilhantemente a primeira prova a que foi submetido, com as providências que viabilizaram, em melhor estilo, a romaria que encerrava o ciclo religioso anual. Este, sinceramente, é o meu sentimento. Diria, contudo, que suas ações ainda ficaram muito aquém do que seria desejável, tão largo é o fosso entre as tantas carências crônicas e a imagem do pretendido, à moda de nossa habilidade para contorná-las. Mas, tão pouco tempo para desenvolver estes esforços, desconcertante foi a franqueza do senhor prefeito em ter negado verba específica, não muito vultosa, para melhor atender a estes propósitos da romaria, especialmente na questão dos serviços urbanos. Enfim, ele nos mostrou e aos seus auxiliares, como “se vira nos trinta”, com criatividade e eficiência, diante do intransferível trauma de um buraco negro que assoma oito milhões em nossas costas. Quero, portanto, antes de mais nada, atribuir-lhe uma palavra necessária de reconhecimento e de crença. Melhores oportunidades, com equipe estabilizada e “azeitada”, ensejarão os atenciosos cuidados das próximas jornadas. De tudo o que poderíamos apontar como foco das atenções preocupantes, parece-nos que pouquíssima coisa ficaria de fora do enorme guarda-chuva legislativo de que dispomos (nem entro no mérito de sua eventual desatualização): o código de posturas do município. O mal é que alguém, muito atrás, prolatou: “não se restaure a moralidade e nos locupletemos todos”. Este, até melhor juízo, foi o mal desnecessário. Instalou-se, a partir daí, o caos urbano que responde hoje por toda a sorte de mazelas que se procurou alterar em curto prazo, entre a recente posse do gestor e o prazo fatal de receber a generosa visita de mais de trezentos milhares de peregrinos. Nestes anos, vimos com enorme satisfação a ampliação do espaço sagrado das romarias que permitiu incluir um roteiro de fé, passando por todos os templos e locais da memória de Juazeiro do Norte, e não mais exclusivamente ao restrito Matriz-Museu-Socorro-Estátua. Paradoxalmente, vimos encolher este território da circulação romeira por diversos e nefastos mecanismos da ocupação indevida do solo. Em parte, pelo próprio poder público, pelo espírito medíocre de gestores passados que, a despeito de até planejamento participativo (maiores interessados e sociedade civil) não foi suficientemente ágil para projetar intervenções que consolidassem uma ampliação urbana desejável para o fluxo crescente e a maior periodicidade das romarias. As vielas da cidade, o “caso” do Centro de Apoio ao Romeiro e as atuais vias de acesso respondem pelo atacado da crise presente. De outro lado e, certamente, locupletado pela fragilidade do mando político local, a qualquer época, em honrar acertos de campanhas eleitoreiras, a iniciativa privada empenhada na sustentação de seus negócios, mesmo influindo, não consolidou a necessária contenção dos abusos do comércio informal e da presença avassaladora e desconcertante do camelódromo itinerante, imigrante oportunista que, mesmo contribuindo, têm vandalizado as romarias e violentado o centro na sua funcionalidade. Por melhores dias, que Nossa Senhora da Candelária nos proteja a todos e nos inspire na superação de todos estes obstáculos para que, ultrapassando os 120 anos de romarias (2009), Juazeiro do Norte, seus filhos e afilhados, nos acertemos com estes milhões de nordestinos que nos visitam, pela imensa dívida que se avolumou por todos estes anos. 
(JUANORTE, 08.02.2009)

ROMARIA EM PAU DE ARARA
Nada mais triste para um encerramento de Romaria em Juazeiro do Norte que uma notícia de desastre pelas estradas, envolvendo veículo cheio de romeiros. Como este recente, onde onze pessoas perderam suas vidas, enlutando muita gente de Alagoas. Toco nesta ferida porque, pelos anos, ela carrega na dor, algo de atualidade. Houve um tempo em que, mercê das péssimas estradas e dos veículos adaptados, esta notícia era mais freqüente. Desgraçadamente. Aos poucos foram chegando os ônibus, em substituição aos velhos caminhões. Mas, os caminhões continuaram a ser usados, até agora. Muitos, não só por medida de economia – a conta apertada do devoto que não deixava de vir, mas também por outras convicções. E diziam, como Maria José Laurentino, a dona Mãezinha – a senhora de Cascuda, da Viçosa de meus avós, e uma das vítimas do recente acidente: “Romeiro vai de pau-de-arara. Quem vai de ônibus é turista”. O tráfego de caminhões assemelhados ao veículo sinistrado era parte desta tradição, assim expressa. E o seu trânsito era uma condescendência, por vezes não observada pelas Polícias Rodoviárias, no tocante ao Artigo 108 do Código de Trânsito Brasileiro (“Onde não houver linha regular de ônibus, a autoridade com circunscrição sobre a via poderá autorizar, a título precário, o transporte de passageiros em veículo de carga ou misto, desde que obedecidas as condições de segurança estabelecidas neste Código e pelo Contran”). Mas, a condição de segurança vinculada, quase sempre não é observada. Da maneira que isto repercute entre nós, ficamos entre a cruz e a caldeirinha. Quantas vezes, em anos atrás, partiu de ações concretas de entendimento entre o vigário Murilo e autoridades estaduais e federais para liberar a proibição explícita. Os veículos eram parados e retidos em muitas barreiras. De lá partiam os clamores que levavam o vigário a agir e pedir a intermediação de líderes e representações políticas que sempre atendiam. Havia uma tratativa, mínima, de limitar as viagens ao período diurno e a cobrança de alguns requisitos como maneira de reduzir drasticamente o risco. Felizmente, enquanto durou, isto surtiu bons efeitos naquelas ocasiões. Hoje, sinceramente, somos inclinados à eliminação definitiva desta condescendência. Não se pode carregar pessoas em espaços de veículos destinados a transporte de cargas. É ilegal, é inseguro, é imoral. Para preservar este generoso fechar de olhos, temos que esquecer as dificuldades que em muitos casos acontecem nas viagens de pessoas das zonas rurais desses sertões, inacessíveis ao trânsito de ônibus. Nada que, com criatividade, não se possa resolver, deixando ao fretante a tarefa de solucionar um transporte intermediário, tão seguro quanto o desejável, para o acesso ao de mais longo curso. A nós, juazeirenses mais beneficiados por este afeto romeiro que os faz vir a cada romaria, nos caberá ainda ações de esclarecimento e de educação para que os usuários sejam atendidos nas suas exigências básicas de proteção das suas vidas, não permitindo que condições insatisfatórias destes veículos possam representar ameaça imediata à sua integridade física. As romarias de Juazeiro do Norte vão prosseguir sempre e mais concorridas. Nestes anos, alterou-se substancialmente o perfil do transporte. Tratamos agora de fazer, com nossa limitada capacidade de influir, com que a viagem, por maior canseira que represente, seja parte de uma jornada feliz, para onde convergem com segurança os nordestinos de fé, daqui saindo e chegando aos seus destinos, protegidos por Nossa Senhora das Dores e pelo Padre Cícero.
(JUANORTE, 15.02.2009)

NOVAS E BOAS IDÉIAS
O engenheiro Germanno Ellery, juazeirense residente em Maceió, escreveu a este portal, deixando seu recado para o prefeito municipal, nos termos que copio. “Senhor Prefeito Santana: Quero sugerir uma solução para a problemática do Mercado Central de Juazeiro. Sugiro a desapropriação da Usina Bezerra, para lá se implantar um mercado novo, com amplo estacionamento inclusive, e só para frutas, verduras, carnes, peixes e cereais. O prédio antigo seria demolido e erguido ali, em uma metade, um grande camelódromo com quatro andares e, na outra metade, um grande edifício garagem com vários pavimentos. Para esse estacionamento seria licitada uma empresa para administrar. Quer dizer, além de ajudar a resolver o grande problema de estacionamento no centro de Juazeiro, seria uma fonte de renda para a Prefeitura. Sem contar que liberaria a rua São Paulo para o trânsito normal. Esclareço ainda que para obras como essa tem dinheiro no Ministério das Cidades. O que falta para muitas Prefeituras e sempre faltou na de Juazeiro são projetos. Lá do Ministério só sai dinheiro se tiver projetos. Gostaria de ver adotada minha sugestão, para o bem de Juazeiro.” Parabéns. Ao meu sentimento, Dr. Germanno está coberto de razão. Esta é para ser levada em conta como uma grande e benéfica idéia. Acho que estão lembrados que houve, no tempo em que os trilhos da RVC chegaram ao “Arisco”, há mais de oitenta anos, um estranhamento com a localização da estação, tão longe do centro. Lembram o que, profeticamente, Padre Cícero teria dito ? Pois bem: o que mudou nestes anos, foi a violência do problema do crescimento desordenado da cidade. O dito centro nevrálgico da cidade tem que mudar. Se o novo centro vai para os Franciscanos, ou caminha para mais longe, no Pirajá, ou fica pelo triângulo, isto é coisa para se conversar. É um processo natural. Só depende do poder público no seu ordenamento. Já não pode ficar onde está. Faliu. Advogamos intervenções graduais, como esta que sugere o leitor, pela necessidade de ir implementando esta mudança de perfil, sem que tenhamos no horizonte a perspectiva de transformar o velho centro numa cidade fantasma, incapaz de se auto-regular pela força da descentralização coordenada, em sintonia com um planejamento adequado para redirecionar zoneamentos (residencial, comercial, industrial, etc). No caso do Mercado Central, o que me parece, poderia ser o piloto destas intervenções, não deixando de lado a necessária extensão a outros equipamentos que se distribuem pelo Pirajá e pela Rua São Pedro. Eles nucleiam parte deste caos urbano, à sombra de uma omissão que responde pela necessidade de uma Central de Abastecimento. Percebo que vez por outra o povo é instado a dizer: qual a desordem urbana que mais o incomoda ? Freqüentemente, é a ocupação desordenada dos espaços urbanos a resposta direta, exatamente porque é a que mais desfigura a cidade. O entorno do Mercado Central de Juazeiro do Norte é uma grande pocilga. Algo descomunal até para se ver uma vez, quanto mais para se viver, diariamente. Transferi-lo, reconhecidamente, é uma pauta profundamente cidadã. Basta encará-la com a cautela de quem pode trazer soluções que não sejam espalhafatosas, tão grandes quanto a sua própria feiúra. E porque é necessário saber para onde vai a cidade, esse olhar é o sentimento primeiro para a sua relocação. Alguém aí tem outra boa idéia, como esta ? 
(JUANORTE, 22.02.2009)
O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI

CINE GOURMET (FJN, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade de Juazeiro do Norte (FJN) agora também está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri. As sessões são programadas para as terças feiras, de 13:30 às 15:00h, no Laboratório de Informática do Bloco I, na Rua São Francisco, 1224, Bairro São Miguel, dentro do seu Projeto de Extensão denominado Cine Gourmet, sob a curadoria de Renato Casimiro. Informações pelo telefone: 99794.1113. No próximo dia 22, estará em cartaz, o filme O TEMPERO DA VIDA (Politiki Kouzina, Grécia/Turquia, 2003, 108 min). Direção de Tasso Boulmetis; Sinopse: Fanis (Markos Osse) é um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia. Seu avô, Vassilis (Tassos Bandis), é um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor. Ao crescer Fanis (Georges Corraface) se torna um astrofísico, que usa seus dotes de culinária para temperar as vidas das pessoas que o cercam. Ao completar 35 anos ele decide deixar Atenas e retornar a Istambul, para reencontrar seu avô e também seu primeiro amor.
BIBLIOCINE (FAP, JUAZEIRO DO NORTE)
A Faculdade Paraiso do Ceará (FAPCE) está incluída no circuito alternativo de cinema do Cariri, embora seja restrito aos alunos desta Faculdade. As sessões são programadas pelo NEAC (Núcleo de Extensão e Atividades Complementares) para as terças e quintas feiras por mês, de 12:00 às 14:00h e de 17:00 às 18:30, na Sala de Vídeo da Biblioteca, na Rua da Conceição, 1228, Bairro São Miguel. Informações pelo telefone: 3512.3299. Neste mês de maio está em cartaz, o filme SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent seven, EUA, 2016, 133 min). Direção de Antoine Fuqua. Sinopse: Os habitantes de um pequeno vilarejo sofrem com os constantes ataques de um bando de pistoleiros. Revoltada com os saques, Emma Cullen (Haley Bennett) deseja justiça e pede auxílio ao pistoleiro Sam Chisolm (Denzel Washington), que reúne um grupo especialistas para contra-atacar os bandidos.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 24, às 19:30 horas, dentro da Sessão CINEMA DE ARTE, o filme NENHUM A MENOS (Yi ge dou bu neng shao, China, 2000, 106 min). Direção de Yimou Zhang. Sinopse: Quando o professor da escola primária de uma pequena aldeia rural em Shuiquan tem que se afastar do trabalho por um mês, a única pessoa que pode substituí-lo é Wei (Wei Minzhi), uma tímida jovem de 13 anos sem experiência alguma na arte de lecionar. Ela recebe a restrita ordem de que deve manter todos os alunos na escola e não deixar nenhum partir. Teimosa, ela fará de tudo para cumprir o plano, algo prova ser mais difícil do que parece quando o pequeno Zhang (Zhang Huike) é obrigado a deixar a aldeia e ir para cidade a fim de arrumar um trabalho. Contando com o apoio de seus alunos, a determinada professora vai a pé atrás de seu aluno perdido e não vai desistir até trazê-lo de volta.

CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 25, às 19:30 horas, dentro da Sessão LANÇAMENTOS, o filme STARS WAR: O ÚLTIMO JEDI (Star Wars: The Last Jedi, EUA, 2017,152 min). Direção de Rian Johnson. Sinopse: Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre jedi. Paralelamente, o Primeiro Império de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Aliança Rebelde.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 26, sábado, às 17:30 horas, o filme TRÊS HOMENS EM CONFLITO (Il buono, il brutto, il cattivo, Espanha/EUA, Itália, 1966, 161 min). Direção de Sergio Leone. Sinopse: Três homens - o “Bom”, o “Mau” e o “Feio” - estão atrás do tesouro de Bill Carson, escondido em um cemitério. Cada um deles conhece apenas uma parte da sua localização, o que faz com que eles tenham que se unir. O problema é que nenhum deles está disposto a dividir o que encontrarem.
IMAGENS ESQUECIDAS (XXXIV)
Essa imagem perdida no tempo, esquecida de todos nós, é uma das mais belas imagens do Juazeiro dos anos 30. Apresentam-se logradouros, construções e paisagem com a exuberância que não mais se encontra. Isso tem cara de um domingo próximo do meio dia, sol a pino. Abrigadas à sombra de uma árvore, algumas pessoas desfrutam da calçada larga, sentadas em cadeiras de balanço. Árvores enfileiradas no entorno da praça e no estirão da rua. Ressalta-se na imagem um casario imponente, de estilos diversos. Pela arquitetura do prédio da esquina (São Francisco com Pe. Cícero), aí devia morar a família do Coronel Fernandes, amigo do Pe. Cícero, velho usineiro das Alagoas que escolheu viver perto do povo desta cidade. Construção volumosa, refeita pela reforma do velho chalé de José André de Figueiredo, que já tivera a sorte de abrigar o primeiro grupo escolar da cidade. Vizinho a ele já está o hoje reconhecido como Solar da Família Bezerra, outrora Casa Grande. Nessa época era a residência da família do sr. Francisco Alencar, comerciante estabelecido no outro lado, da rua São Francisco. Só nos anos 50 ele é vendido a José Bezerra de Menezes que, afinal aí viveu pouco, pois faleceria em 1954. Vetusto e senhorial, o volume maior é para destacar o velho sobrado de Fenelon Gonçalves Pita, prédio que na lembrança encerra tristezas pela inutilidade de sua demolição. É assim, é a vida.
IMAGENS ESQUECIDAS (XXXV)
A cena é de 1938 e como a legenda informa: aspecto da feira de Juazeiro, num sábado. Era o tempo em que a feira, para a venda “de um tudo” existia como grande movimento do comércio de alimentos e utilidades domésticas. A feira guardava a característica notória de uma grande mostra e um “shopping” à moda antiga, para a chamada agricultura familiar, de tão antiga que é. O entorno da praça era bem reconhecido para os cereais, como farinha, arroz, feijão. Mas havia espaço para muito mais coisa, como aqui à esquerda, quase na esquina de Cruzeiro com São Pedro, onde havia a venda de fogos de artifícios, até que um dia tudo foi pelos ares. Quase tudo era permitido, como por exemplo as vendas de doces em tabuleiros enormes. Doces que guardavam as cores de corantes exagerados, rosados, azulados, esverdeados, caramelados, para tingir doces a base de muito açúcar, repartido em espátulas, semelhantes às usadas por pintores no emassamento de superfícies. Doces encantadores com essa policromia, para os garotos farejadores de guloseimas. Meninos dos meus tempos, doidos por quebra-queixos, com muito coco e castanhas e amendoim. A feira era estendida. Começava muito cedo, antes da sete da manhã, com as arrumações e exposição dos artigos, e se encompridava até aos últimos instantes da tarde, quase noitinha, quando carroças e animais retiravam o que não foi vendido, para retornar ´na semana seguinte.
IMAGENS ESQUECIDAS (XXXVI)
A imagem é de Juazeiro do Norte, declarado pelo fotógrafo ou pelo detentor da peça, focando uma cena de rua, em 1938. Contudo, o cenário foi conhecido longamente, desde o tempo em que a limpeza urbana era dos cuidados de um pequeno exército de mulheres, empregadas da prefeitura municipal, gente que ganhava não mais que uns trocados, a título de diaristas, que se distribuíam pelas ruas principais do centro, de cidade ainda tão pequena. O instrumento do trabalho era a velha vassoura de palha, metida em um cabo torneado por carpinteiro de jeito. Reparemos as roupas de antigamente, com mulheres bem cobertas, figurinos simplórios de tecidos resistentes, sem quase adornos. Para não esquecer, esses panos na cabeça para proteger, principalmente do calor e da insolação, aqui ou acolá trocados por chapéu de palha. Nos pés, sandálias, melhor – chinelas de couro cru, que quase nada escondia dos maus tratos dos solados e das laterais rachadas pela secura do tempo. Elas varriam, para que carroças e caminhões improvisados para a limpeza urbana, viessem depois para recolher o “munturo”, os montes de ajuntamento do lixo varrido e que ficava nos cantos das calçadas. Não aparece, mas era para se notar o trivial, como umas quartinhas de água potável para minorar a sede. Lembro disso pelo fim dos anos 50 olhando de perto a minha pobre vila, na pachorrenta vidinha desses anos.
NOVO LIVRO
Cícero Pereira de Sousa, o autor e a Editora Kelps, de Goiânia (GO) estão anunciando o lançamento próximo da obra Pactos & Impactos: Cooperação para o desenvolvimento. Cícero Sousa, como está registrado na capa do livro anunciado, possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Pernambuco (1970-1973), Pós-graduação lato sensu em Administração pela Universidade de São Paulo/Instituto Fundação de Administração-FIA (2000-2001), Especialização em Relações Internacionais pela Escola Diplomática de Madrid (1984-1985) e em Planejamento Regional pela ONU/CEPAL/Instituto Latinoamericano de Planificación Económica y Social-ILPES (1980-1980). Foi Professor Assistente de Administração da Universidade Federal de Pernambuco e Titular da Faculdade de Administração da Universidade de Pernambuco (1975-1978), Professor de Economia da Universidade Regional do Cariri (1991-1992). Foi Superintendente de Relações Internacionais do Governo de Pernambuco (promoção de investimentos estrangeiros no Estado - 1989-1990), Diretor da Superintendência de Industrialização e Secretário Executivo da Zona de Processamento de Exportações - ZPE da Paraíba (1987-1989), Diretor do Centro Latino-americano de Desenvolvimento da Informática-CLADI (Projeto do Governo de Pernambuco com apoio da UNESCO (1982-1984), Secretário de Desenvolvimento Econômico de Juazeiro do Norte/CE (1993-1997), Diretor do Hospital Maternidade São Vicente de Paulo em Barbalha/CE (1997-1998), Coordenador Geral da Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco (1976-1979). Atualmente é Sócio-Diretor da Gênese Educação e Desenvolvimento Humano Ltda, desde 2010. Cícero Pereira de Sousa é um dos líderes de movimentos de cidadania no Nordeste brasileiro destacando-se como um dos criadores dos pactos de cooperação, envolvendo o poder público e a sociedade num esforço conjunto pelo desenvolvimento. Na década de 1980 atuou como consultor para a Organização dos Estados Americanos (OEA), em projetos de desenvolvimento regional na Argentina, no Brasil, México e Uruguai. Desde o ano 2000 participa, como consultor do SEBRAE, na manutenção de pactos e redes para o desenvolvimento territorial, em vários estados do país.
EXPOSIÇÃO CONFLITOS IMS/SP
O Instituto Moreira Salles, na sua sede da Av. Paulista, 2424, São Paulo está apresentando a exposição Conflitos: Fotografia e violência política no Brasil 1889-1964, com curadoria de Heloisa Espada. No acervo poderão ser encontrados maravilhosas imagens dos seguintes Conflitos: Revolução Federalista (1893-1895), Guerra de Canudos (1896-1897), Revolta Naval (Chibata) (1910), Guerra do Contestado (1912-1916), Revolução Gaúcha (1923), Revolução (1924), Coluna Miguel Costa-Prestes (1925-1927), Revolução (1930), Guerra Civil (1932), Banditismo Social Cangaceiro (1920-1938), Insurreição Comunista (1935), Motins pós-suicídio de Vargas (1954), Revolta de Jacareacanga (1956), Insurreição de Aragarças (1959), Campanha da Legalidade (1961), Golpe de Estado (1964). Sobre o Banditismo Social Cangaceiro (1920-1938), a curadora escreveu: “Enquanto ocorriam revoltas armadas e fortalecia-se a oposição de setores das elites políticas à Primeira República, novas formas de resistência social se formavam no interior do país. Sob a liderança de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, formou-se um movimento social armado, que operava atividades ilegais violentas, como saques, estupros, sequestros e assassinatos. Ao mesmo tempo que afrontavam as instituições, os alcunhados como “cangaceiros” (aqueles que carregam cangas como os animais) distribuíam produtos de suas investidas entre comunidades pobres do sertão. Daí sua representação ambígua como heróis populares, que aterrorizavam e provocavam respeito e admiração. O bando de Lampião era nômade, o que dificultou a repressão e levou à tentativa malsucedida de usá-lo para barrar a Coluna Prestes. O governo Vargas, governos estaduais e lideranças locais o combatiam. Em 1938, Lampião e seus seguidores foram vencidos e decapitados por tropas oficiais, e suas cabeças, expostas à visitação pública. Em 1936, o fotógrafo Benjamin Abrahão passou cinco meses no sertão, registrando o cotidiano dos cangaceiros. Ciente do poder da mídia, Lampião utilizou a fotografia na construção de sua imagem pública de homem poderoso e temido. No ano seguinte, a imprensa nordestina publicou vários desses registros.” Como se vê, a mostra tangencia Juazeiro do Norte, por incluir a obra fotográfica de Benjamim Abraão, ex-secretário do Pe. Cícero. Nesse particular, refiro-me a uma certa expectativa de estudiosos, jornalistas e muitos curiosos que procuraram insistentemente por um registro fotográfico do único encontro do patriarca com o bandido. Havia e há essa ansiedade. Exatamente porque Benjamim estava em Juazeiro em março de 1926 e nessa época há muitas imagens das quais ele participava com o Pe. Cícero. Também Lampião foi oficialmente fotografado em Juazeiro por Lauro Cabral de Oliveira. De onde viria a posição radical para não admitir esse registro fotográfico? Do patriarca que sabia que o único responsável pela permanência do bandido em Juazeiro era o Floro, ausente, no Rio de Janeiro, em tratamento? Ou do próprio bandido, por alguma coisa não explicada em todo esse tempo de especulações? O fato é que essa imagem, aparentemente impossível, deu margem a muitos ensaios pictóricos e até de montagens fotográficas, em revistas, jornais, cinema, etc, para afirmar, como se não houvesse dúvida desse encontro. Aqui em casa, numa dessas últimas concepções, o livro de Daniel Walker não dispensou o uso dessa ilustração ficcional (foto acima), ao tempo em que se refere também ao batalhão da Coluna Prestes, nas cercanias da fronteira Ceará-Piauí. Ao lado disso, e mais de uma década antes, na mesma cena desse Cariri de conflitos, relevaríamos também o que gerou a intervenção federal no Estado. Pessoalmente, também lamento que aí não esteja a famigerada Sedição de Joazeiro (1913-1914), uma vez que há uma grande riqueza fotográfica desse fato. 

A SEMANA NA HISTÓRIA DE JUAZEIRO (I)
Boas idéias devem ser imitadas e nem faz mal se copiadas. É o que farei a partir de uma idéia numa das páginas muito frequentadas do interessados na memória do Ceará, a cargo de Miguel Ângelo de Azevedo. Com muita frequência ele ali publica efemérides da história de Fortaleza. Tomei, portanto essa idéia e estou buscando algum ineditismo com respeito aos fatos que serão aqui mencionados. Para tanto, usarei anotações diversas, de documentos, de livros e de jornais, para ir desenvolvendo esses registros. Serão a partir de agora, pelo menos 7 datas de cada uma das semanas vindouras, a partir, portanto, dos dias de domingo a sábado, usando como referência o ano presente. Espero que estas informações sejam de alguma utilidade. Nesta primeira edição, focalizaremos os dias de 20 e 26 de Maio, desde o século XIX até o século XX. A previsão é de que nos ocuparemos com essa por 52 semanas. Esta é a (I) e vamos até a (LII).

20 de Maio de 1874: O primeiro bispo da Diocese do Ceará, D. Luiz Antonio dos Santos, autorizou o Pe. Cícero a angariar em todo Bispado, esmolas para a construção do prédio do Seminário do Crato, por uma Portaria, cuja cópia transcrevemos: “Estando nós resolvidos a fundar na cidade do Crato desta província do Ceará, um Seminário em que hajam aulas de todos os preparatórios, para facilitar a instrução aos jovens que não podem frequentar as aulas em lugares mais remotos e mais dispendiosos, autorizamos ao Revmo. Pe. Cícero Romão Batista para angariar em todo este Bispado e fora dele, esmolas para a obra do dito seminário, que se vai começar. Pedimos, pois, aos reverendos párocos deste bispado que coadjuvem quanto estiver em sua parte, em obra tão meritória, a qual se refere à honra de Deus e civilização do povo. Residência Episcopal da cidade de Fortaleza, 20 de maio de 1874. Ass. + Luiz, Bispo Diocesano do Ceará.
(Na foto: D. Luiz Antonio dos Santos e o Pe. Cícero Romão Baptista, em 1870.)

21 de Maio de 1881: Conforme se lê em Irineu Pinheiro (Efemérides do Cariri), o Estado do Ceará foi dividido em 8 distritos eleitorais. O 6º distrito era sediado em Crato. Contudo, Juazeiro, então povoação, distrito do Crato, ainda ficou sendo lotado neste 6º distrito. Somente trinta anos depois houve modificação com a sua elevação a município.

22 de Maio de 1966: A Escola Normal Rural, fundada em 1934 realizou por aqueles anos 30 dois grandes eventos, dos quais ficaram na história local registrados por seus Anais, impressos e veiculados pelo mundo educacional do movimento ruralista brasileiro. Somente em 1966, nesta data referida foram iniciados nesta Escola Normal Rural os trabalhos da III Semana Ruralistas a se realizar em Juazeiro. O seu lema era Rumo ao Campo: símbolo do Progresso. Esta iniciativa foi promovida pela Escola Normal Rural, pelo Núcleo Regional do Cariri da Sociedade Cearense de Agronomia e pela Prefeitura Municipal de Juazeiro. E contou com as colaborações da Universidade do Ceará (depois federalizada), Ancar – Ceará e Secretaria de Educação e Cultura.

23 de Maio de 1899: Em substituição ao Monsenhor Antonio Alexandrino de Alencar, Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, foi nomeado Vigário do Crato, curando a Capelania de Juazeiro. O Mons. Alexandrino passou a ser Vigário em Picos, no Piauí, desta data até 03.04.1903, quando aí falece. Como cura da Capela de Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro, Mons. Antonio Alexandrino de Alencar permaneceu encarregado, embora residente em Crato, de 4 de fevereiro de 1892 a 23 de maio de 1900.

24 de Maio de 1862: Nasceu no povoado de Juazeiro, às 16 horas deste dia, Maria Madalena do Espírito Santo Araújo, conhecida pelo nome de beata Maria de Araújo, célebre por se ter, muitas vezes, transformado em sangue, a partícula sagrada, no ato de sua Comunhão. Era filha de Antonio de Silva Araújo e Ana Josefa do Sacramento, ambos naturais de Juazeiro. 

25 de Maio de 1898: Em carta que escreve de Roma, nesta data, ao seu amigo e parente afim, Joaquim Secundo, o Pe. Cícero Romão Baptista afirma: “Se eu tivesse laços que me prendem, nunca mais voltaria ao nosso Brasil, não porque não o ame muito, mas porque os desgostos me encheram a vida de tantos abrolhos e espinhos, que aspiro estar em um cantinho esquecido e desapegado de tudo, cuidando só de salvar-me.”

26 de Maio de 1936: Sob a presidência do Juiz Eleitoral da 16º zona, Dr. Hermes Paraíba, teve lugar na sala das audiências, a sessão designada para compromisso e posse dos vereadores municipais de Juazeiro, eleitos a 29 de março deste ano. O Presidente convidou os vereadores a apresentarem seus diplomas. Apresentaram na seguinte ordem: 1º - José Bezerra de Menezes; 2º - João Cornélio Leite; 3º - Dr. Manoel Pereira Diniz; 4º - José Neri Rocha; 5º - João Marcelino de França; 6º - Dr. Manoel Belem de Figueiredo; 7º - Odílio Figueiredo; 8º - Doroteu Sobreira da Cruz. O Presidente da mesa, atendendo a ordem alfabética convidou o vereador Doroteu Sobreira da Cruz, para pronunciar, com ele, as palavras de compromisso que foram as seguintes: “Prometo manter e cumprir fielmente a Constituição da República e do Estado, observar suas leis, agir sempre em conformidade, com os interesses gerais deste município, sustentando a sua autonomia e desempenhar com patriotismo e dignidade as funções do cargo. Os demais vereadores cada um, de per si, pronunciaram em seguida as palavras: “Assim prometo”. O Presidente da sessão declarou-os empossados. O secretário, Luiz Teófilo Machado, fez a ata que foi assinada pelos presentes. Em seguida foi aberta nova sessão para eleger o presidente e o secretário da Câmara. Foram eleitos: Para presidente, o vereador José Bezerra de Menezes e para secretário, o vereador Dr. Manoel Pereira Diniz. Nesta sessão, serviu de secretário o vereador Dr. Manoel Belém de Figueiredo. No mesmo dia 26 de maio, em sessão presidida pelo presidente da Câmara, vereador José Bezerra de Menezes, foi empossado o prefeito eleito em 29 de março do corrente ano, José Geraldo da Cruz. O Presidente da sessão recebeu o compromisso do prefeito vazado nos seguintes termos: “Prometo cumprir e fazer cumprir fielmente a Constituição da República e deste Estado, assim como as leis deste Município, observar suas leis, agir sempre em conformidade com os interesses gerais deste Município, sustentando sua autonomia e desempenhar, com o patriotismo e dignidade as funções do meu cargo”. A ata foi feita pelo secretário, Dr. Manoel Pereira Diniz, cujo original foi arquivada na Prefeitura Municipal.

LUIZ CARLOS DE LIMA
Na alentada edição desta semana que vai findando, o Jornal do Cariri inseriu na sua série Grandes Nomes, o radialista, jornalista, professor e escritor Luiz Carlos de Lima. Felizmente isso vem acontecendo de vez em quando, como já foi o caso de Daniel Walker e outros mais que fizeram pelo rádio e a imprensa ciceropolitana o melhor de suas competências, produzindo, apresentando, narrando, escrevendo páginas memoriais. Estilos, saberes, olhares e dizeres de uma geração marcante, especialmente pelo rádio, mas também pelas folhas de jornais, entre os diários e os tardios, ocasionais. Deixaram eles em nossas mentes lições que não se aprendem facilmente, maturadas por uma criatividade exuberante, esses detalhes fizeram de cada um desses reconhecidamente Grandes Nomes, parte dessa história heróica de como veículos entre a prensa e a radiodifusão fizeram por engrandecer o progresso citadino. Felizmente os tivemos. Bem recentemente Jota Alcides dedicou boas páginas sobre cada um deles. Felizmente os festejamos. Felizmente, enfim, e graças a Deus, os temos ainda perto de nós, contando dessas histórias que nos emocionam e nos fazem felizes.
FESTA DA PADROEIRA, 2018
A festa anual, diga-se, a maior celebração da Basílica Santuário da Mãe das Dores acontece em setembro. E a Paróquia já se movimenta para a sua organização. E este ano, aos 191 anos da primeira realização, já vamos nos aproximando lentamente do bicentenário. Esta festividade religiosa tem grande significação para toda a Nação Romeira do Nordeste brasileiro. Para montar a infraestrutura de sua organização, há que se cuidar de inúmeras tarefas e detalhes que mobilizam pessoas para uma logística enormemente diversificada para todas as atenções. Esse ano, além dos atos religiosos, do Show do Chapéu, da Cavalgada, da Procissão, e de todas as atenções para as Ações Sociais, teremos como novidade o Festival Canta Romeiro, entre os dias 01 e 07 de setembro. Ficamos no aguardo da divulgação dos detalhes para que a comunidade seja informada como participar, concorrer e tudo mais que importa para o sucesso do empreendimento. Cumprimentamos toda a equipe por esta imensa dedicação aos propósitos da celebração da nossa tradicional festa da Padroeira, Nossa Senhora das Dores.



PADRE CÍCERO, O FILME


No último dia 16, foi lançado em Fortaleza o livro que conta a história do filme Padre Cícero, Os milagres de Juazeiro, uma biografia elaborada por Raymundo Netto que recria a história do filme, primeiro longa colorido produzido no Ceará com ares de superprodução. Na época, 1973, através de uma aluna minha do curso de Fisioterapia, da Unifor, tomei conhecimento deste empreendimento e com sua mediação eu terminei integrando a equipe técnica que cuidou da realização. Sou testemunha que, de fato, o trato que se deu a esta produção foi algo que beirava a superproduções do cinema nacional. A propósito, transcrevo aqui o texto de Marcos Sampaio, inserido na edição do jornal O POVO, de 16.05, pp. “Existe um silêncio em torno do filme Padre Cícero, Os milagres de Juazeiro. Lançado em 1976, a obra do estreante Helder Martins de Morais tinha ares gloriosos, com artistas de renome, orçamento grandioso, apoio da Embrafilme, tecnologia importada e gerou grande expectativa. Curiosamente, o tempo passou, os responsáveis pelo trabalho quiseram apagá-lo de suas biografias e um esquecimento envolveu o filme que contava a história de um dos vultos mais fortes, importantes e polêmicos da história cearense. Uma parte dessa cortina de fumaça que se ergueu em torno de Padre Cícero começa a ser soprada de lado. Escrito por Raymundo Netto, o livro Padre Cícero, O Filme (Fundação Demócrito Rocha) resgata a memória deste que foi o primeiro longa metragem colorido produzido no Ceará. A partir de entrevistas com atores, figurantes, técnicos e moradores da pequena Rosário, distrito de Milagres, a 473 km da capital cearense, a pesquisa vem desde a ideia de levar aos cinemas a história do religioso, passa construção de um imenso aparato técnico para a realização até chegar à desilusão com a obra finalizada. Além da “biografia”, Padre Cícero, O Filme traz a íntegra do roteiro original, escrito por Helder Martins de Moraes. Com lançamento oficial durante o Festival Vida&Arte, o livro, que inaugura a coleção Memória do Audiovisual Cearense, acompanha uma reprodução do pôster original, desenhado pelo artista plástico gaúcho José Luiz Benício, que também ilustrou filmes como O Beijo no Asfalto, Dona Flor e Seus Dois Maridos e vários dos Trapalhões. Padre Cícero, O Filme também vai ser vendido num kit-estojo que inclui a íntegra do filme de 1976 – e o trailer veiculado na época – e um documentário sobre a produção. Uma prévia do projeto vai ser apresentada hoje, 16, às 16 horas, no Centro Cultural Banco do Nordeste. “Patriarca do sertão”, “O apóstolo rebelde”, “Taumaturgo do Nordeste” e “Os milagres de Juazeiro” foram alguns subtítulos que acompanharam Padre Cícero, que contou com Jofre Soares no papel principal. “O Jofre tinha o sonho de viver o Padre Cícero”, lembra Elvira Sá de Morais, produtora executiva do filme e filha de Francisco Martins de Morais, empresário cearense que foi convencido por Helder Martins, seu primo em terceiro grau, a investir na produção. “Meu pai era incorporador. Fundou o Icaraí na década de 1960 e ganhou muito dinheiro. Ele vendeu o que hoje é a Tabuba para um grupo do Rio de Janeiro, ganhou muito dinheiro e investiu no filme”, continua. O investimento foi alto e contou com um (bem pago) elenco de peso. Além de Jofre, Padre Cícero teve José Lewgoy, Nildo Parente, Dirce Migliaccio, Rodolfo Arena e Ana Miranda, está no papel da beata Maria de Araújo. A esses nomes, acrescente Walden Luiz, Haroldo Serra, Ricardo Guilherme e Nirton Venâncio e outros em seus primeiros trabalhos no cinema. “O Roberto Farias (diretor, irmão de Reginaldo Faria) pediu pra ser o diretor, mas meu pai tinha dado palavra para o Helder”, acrescenta Elvira, sem negar que é aí onde se encontra o ponto fraco do filme. Se Helder Martins tinha pouco conhecimento de cinema, tendo produzido alguns poucos documentários, Francisco Martins não tinha nenhuma. Helder fez uma profunda pesquisa sobre o personagem e escreveu um roteiro retilíneo, baseado em fatos. “A meu ver, o filme deixa a desejar no roteiro, na direção. A figura do Padre Cícero mexe com o sagrado, a paixão e o filme ficou muito centrado no julgamento pela igreja. Ele não tira o espectador da cadeira”, avalia Elvira contando que o fracasso de bilheteria rendeu um prejuízo vultoso para o pai, que, tempos depois, se desfez de todos os objetos que estavam guardados, como equipamentos e figurinos. Por conta dos infortúnios, Padre Cícero, Os milagres de Juazeiro tornou-se uma lembrança pouco acessada na cinematografia cearense. Francisco Martins passou um tempo sem querer falar da sua participação no trabalho. Ele faleceu em 8 de setembro de 2000, aos 78 anos. “Aqui pra nós, o filme foi um desastre”, comenta Elvira. “Mas minha sensação, agora, é de muita satisfação pelo trabalho do Raymundo Netto. Meu pai, onde estiver, vai ficar resgatando a importância dessa história. Vai ficar um registro muito importante”. Em contato com a Coluna, o autor do projeto, Raymundo Netto informou que provavelmente em julho próximo virá a Juazeiro do Norte para o lançamento do livro e a reexibição do original. Confirmaremos o evento com antecipação. 

CIDADÃO JUAZEIRENSE
O ex-vereador Raimundo Cabral Sales acaba de ser agraciado com o título de cidadania juazeirense. Eis o ato aprovado pela câmara: RESOLUÇÃO N.º 905 de 08.05.2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Senhor RAIMUNDO CABRAL SALES, pelos inestimáveis serviços prestados à esta comunidade. Autoria: Domingos Sávio Morais Borges; Coautoria: Paulo José de Macêdo; Subscrição: José Adauto Araújo Ramos, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Barreto Couto Filho, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, Antônio Vieira Neto, José David Araújo da Silva, Glêdson Lima Bezerra, José Nivaldo Cabral de Moura, Rosane Matos Macêdo, Jacqueline Ferreira Gouveia, Rita de Cássia Monteiro Gomes.
PEDRO BANDEIRA, 80 ANOS
A celebração dos oitenta anos de Pedro Bandeira foi como se devia: vários dias de homenagens e revisão de sua vida e obra. Num desses momentos, ele recebeu uma das maiores reverências, comn a concessão da Medalha Cidade de Juazeiro, através do seguinte ato legislativo:RESOLUÇÃO N.º 904 de 03.05.2018: Art. 1.º - Fica concedida a Medalha Cidade de Juazeiro, Comenda do Mérito Legislativo ao POETA PEDRO BANDEIRA PEREIRA DE CALDAS, pelos inestimáveis serviços prestados à comunidade Juazeirense, notadamente à nossa Cultura. Glêdson Lima Bezerra Presidente Autoria: Glêdson Lima Bezerra; Coautoria: Paulo José de Macêdo e Rosane Matos Macêdo; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, José Adauto Araújo Ramos, Damian Lima Calú, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Barreto Couto Filho, José Tarso Magno Teixeira da Silva, Márcio André Lima de Menezes, Rita de Cássia Monteiro Gomes e Luciene Teles de Almeida.
SAUDADES!!!

Há cinco anos nos despedimos de Ir. Ana Teresa Guimarães (Guaratinguetá, SP: *16.04.1935) e de Maria Assunção Gonçalves (Juazeiro, CE: *01.06.1916). Isso aconteceu em Juazeiro do Norte, respectivamente, entre os dias 18 e 19 de maio de 2013. De lá para cá, essa lembrança é plena de emoções e saudades. Foram duas extraordinárias mulheres que amaram profundamente o nosso Juazeiro, essa terra amada dos romeiros do Padre Cícero e da Mãe das Dores. De cada uma delas nos vem imediatamente a recordação por um serviço de imensa valia, pela educação, no trato da missão por um melhor acolhimento aos peregrinos que aportaram a essa terra. Como está escrito e assim cumpriram: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” (2 Timóteo 4:7). A elas, e sempre, as nossas saudades e as nossas orações.

sábado, 12 de maio de 2018



JUANORTE: TRISTE FIM DE UMA TRINCHEIRA (I)
Na semana que passou o jornalista Jota Alcides comunicou aos colaboradores do seu Juanorte o encerramento das atividades do jornal com a seguinte nota. "Finalmente, o fim. Depois de quase dois ,meses de muitas tentativas em três oficinas de SOS Informática de Brasília, chegamos ao fim. O  violento ataque de hackers ao  Juanorte no começo de março destruiu todos os seus programas e arquivos, inclusive backups. Foi tudo zerado. Ficamos sem condições técnicas até para dar esclarecimento aos leitores pelo próprio Juanorte. Foi um desastre; Diante disso, como não temos mais disposição para uma empreitada de remontagem do Juanorte, trabalhosa, exaustiva e estressante como  a montagem que fizemos há 10 anos, em 2008. infelizmente,estamos encerrando o Juanorte. Queremos agradecer a todos e a cada um - Menezes Barbosa, Geová Sobreira, Abraão Batista, Nivaldo Cordeiro, Thiago Magalhães, Pereira Gondim, João Dino, Fábio Tavares, Daniel Walker e Renato Casimiro - pela participação, pela colaboração, pelo companherismo, pela dedicação e pelo comprometimento. Fiquem, certos  de que o Juanorte foi uma experiência de amor ao jornalismo e de amor ao Juazeiro. Nosso muito obrigado para sempre. Abraços. Jota Alcides".  Depois Jota mandou uma nota maior, dirigida aos leitores do Juanorte a qual foi publicada no www.portaldejuazeiro,com.  Eu fui um dos redatores do jornal, desde o seu primeiro número, em 05.10.2008. Devo ter escrito uns 70 textos, até 02.05.2010, portanto, há uns oito anos atrás, quando por divergência com a orientação do jornal preferi “pedir as contas”, sem que Jota Alcides nada me devesse. Reconheço que ao lado de ter criado muita “encrenca” O Juanorte prestou um relevante serviço, especialmente de informação, mas também de intermediário para muitas questões que efetivamente contribuíram para avançarmos no nosso desenvolvimento. Lamento muito a sua saída da web. Resolvi, diante desse percalço, rever os textos que produzi para as suas edições semanais. E como tudo foi perdido, na informação do editor, vou me contentar em reapresentar aqui o que elaborei, em pacotes semanais de 10 textos, cada. Na medida do possível farei comentários para que haja uma certa atualização do entorno que motivou a redação do comentário original. Grato pela atenção, e espero que atitude seja satisfatória para a necessária informação sobre nossas questões. 


UM PROJETO PARA JUAZEIRO DO NORTE
Estive atento às falas dos candidatos à prefeitura de Juazeiro do Norte, na recente temporada de caça ao voto. Poderia, a esta altura, jogar um palavrão bem aplicado a esta situação que se verificou, em meio a tantas coisas surgidas no andamento da campanha. Certamente, não devo, até por civilidade. Mas, onde esteve, no mínimo, um pífio projeto para esta cidade e seu povo ? Procurei, mas não encontrei. Quem lembrou disto, coisa tão essencial, para saber o que fazer com este negócio de cuidar bem dos interesses representados pelos votinhos destes mais de cento e cinqüenta mil eleitores, na antevéspera do respeito cívico a uma terra quase centenária ? Somos inteligentes, mas incapazes de sublimar nossa hodierna problemática, de um centro nervoso, peculiar, complexo por sua natureza, sobretudo nas suas questões urbanas mais candentes. Não se trata de repousar por sobre velhas questões crônicas, como se, por milagroso decreto, todas viessem ao completo equacionamento. Na campanha, todos, sem diferenciação substancial, só foram capazes de dizer que elegiam como prioridades, as atenções esmeradas para com educação, saúde, vias públicas, emprego e renda, romarias, saneamento, transportes, etc. Metas pontuais. Algumas, ridículas, a revelar-lhes o flagrante despreparo. Nada estruturado. Fiquei desapontado, mas certo de que somos uma gente paciente e até nos habituamos a decidir na véspera, admitindo que ainda há algum tempo para se fazer o arremedo de um projeto de governo. Sinto que isto tem o tamanho exato da enganação que, historicamente, levou nossa pobre terrinha a inchar de tantos problemas e soluções adiadas. Nenhum de nós, isoladamente, e nem mesmo o candidato de nossa predileção, pode carregar a veleidade de um conhecimento profundo e da extensão de nossas carências. Isto nunca se resolveu com uma proclamação pública de boas e legítimas intenções. Outro aspecto representativo da campanha foi a permanência de lideranças que insistiram em nos provar que estão “reabilitados”, renovados e numa juventude exemplar. Juazeiro do Norte demanda inovação, respeito, honestidade de propósitos, jovialidade mental, agilidade e vitalidade que, via de regra, só se encontra na renovação de valores e costumes, muito mais que a mesma experiência já vivida e pouco acreditada, mesmo que centrada em um hall de realizações que, mais que o “gênio criativo”, foram determinadas pela impulsão que as contas e a barganha municipal impunham, na grandeza de sua presença e num contexto de grande centro urbano. Mas, como já diagnosticaram, “a política é muito dinâmica”, e já não resta a menor dúvida de que o eleito muito vai representar de esperança quando vier a nos revelar que projeto de governo elegeu para nossa cidade. Tenhamos fé. Mesmo porque, se todos eles também tivessem isso como premissa, como poderiam ser contra, entre si ? O poder já dividia Juazeiro em 1911, no nascimento. Não podemos aceitar que os péssimos exemplos de políticos que grassam por aí continuem a nos desafiar. Nisto, posso dizer, consciente e angustiado, que lamento a reprise de velho e gasto filme que nos acompanha e entra em cartaz a cada temporada eleitoral, quando o ingresso já foi pago.
(JUANORTE, 05.10.2008)

PAUTA INADIÁVEL EM JUAZEIRO
As urnas falaram e estão sacramentados os novos gestores. O PT chegou à prefeitura de Juazeiro do Norte como conseqüência de uma conjuntura que se iniciou com uma militância muito ativa nos anos 80, especialmente quando o partido é estruturado em 1984. Releve-se, igualmente, a carreira emergente de Manoel Santana (vereador e candidato a prefeito em duas campanhas, anteriores), beneficiado mais recentemente pela briga na convenção do PSDB e, principalmente, pela vontade do eleitor em mudar a cena política da cidade. As primeiras conseqüências desta eleição podem ser vistas com a alteração do quadro de nossas lideranças. Aparece-nos como “herdeiro” o deputado José Nobre, considerado outro grande vitorioso na disputa. Juazeiro do Norte, agora parece-nos, fará parte de sua base eleitoral. Por um lado, ele já é visto como parte indissociável da interlocução com o Planalto, ligação direta que a cidade não possuía antes. Na ressaca da festa comemorativa, já se fala num PAC municipal, pois com tal expressivo eleitorado e tão valiosa conquista, os planos nacionais para 2010 não poderão ignorá-lo. Na semana passada aqui falamos do vazio que foi a campanha recente, pela ausência de um projeto para Juazeiro do Norte. Os candidatos, e PT no meio deles, apresentaram um balaio de ideias, quase todas simpáticas aos ouvidos dos eleitores. Mas, não se disse como fazer. Agora, esta inserção de Juazeiro do Norte como parte da grande marcha do PT no Ceará, ainda mais legitimada pela base de sustentação do governo Cid Gomes, deverá garantir maior fluidez das metas e pleitos já postos (hospital regional, aeroporto, anel viário, centro de apoio ao romeiro, etc) e coisas outras de uma pauta inadiável que tanto a cidade reclama (saneamento básico, moradia, continuidade de ações dos gestores anteriores, eficiência em serviços públicos, melhor atenção para as romarias, etc). O novo prefeito promete inovar com a criação de Conselhos Populares de bairros, com os quais pretende construir um orçamento participativo. Na questão política, especificamente, já se pode antever que não haverá nenhuma baliza desta nova gestão, mesmo que consideremos que a câmara municipal se renovou em quase 62%. Ela se apresenta, momentaneamente, sem perspectiva de embaraço para o novo prefeito, pois a oposição está configurada, em princípio, entre 7 a 14%. De todas as coligações, onze partidos fizeram seus representantes. Na resolução de uma pendência de caso sub judice, o PTB poderá perder sua única posição. Levando-se em conta as alianças que ainda serão feitas, em busca de ajustes de campanha, de posições no secretariado e acomodações de suplentes, a sustentação está garantida numa proporção muito superior à que elegeu o prefeito (57%). E para início de governo, isto só é muito bom para quem assume. Para quem espera, ficará a impressão desconcertante de que o povo eleitor não acertou em tudo. Mas, ficou, provavelmente, aquela forte lembrança, de um grande momento vivido pelo país, há precisamente vinte anos atrás, no qual Ulisses Guimarães, na promulgação da nova Constituição Federal, afirmou: “A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar.” A Nação espera que o PT nunca esqueça isto.
(JUANORTE, 12.10.2008)

BASÍLICA E REABILITAÇÃO
Poucas vezes, com respeito às coisas de Juazeiro do Norte, a emoção me levou às lágrimas. Uma delas aconteceu há pouco tempo. No início deste ano, recebi a informação confidencial, diante de um pequeno grupo de amigos, que a Santa Sé havia posto sua assinatura no ato de elevação da nossa Igreja-Matriz a Basílica Menor do Santuário Diocesano de Nossa Senhora das Dores. Por muitos dias, eu me perguntei que sensação foi esta, que na sua essência parecia guardar um misto de muita alegria, de grandes preocupações e de imensas saudades. Sentia, inicialmente, a alegria com a graça que recebíamos com esta distinção para aquela que fora uma capelinha minúscula na fazenda do Brigadeiro, matriz de nossa fé na Mãe de Deus. Começava a antever as grandes preocupações decorrentes destas responsabilidades que isto imporia a nós mesmos, mentores deste magnífico centro de romarias, a serviço de nossa crença. Era inevitável, também sentir, finalmente, saudades imensas daqueles que nos precederam, e que não estariam ali, fisicamente, para presenciar esta consagração, gente de família, tantos amigos que viveram e lutaram por esta caminhada de reconhecimento, especialmente o meu saudoso Mons. Murilo. A primeira impressão real deste ato é que ele traduz uma conquista deste povo romeiro, sertanejo, fiel a uma devoção à nossa Mãe das Dores, plantada em seus corações pela excelsa vocação missionária do Pe. Cícero, no pleno socorro espiritual de sua gente. Veio o grande dia e a festa mudou a cara e o coração do Juazeiro, pois raras vezes vimos uma romaria tão tocante, tão concorrida, tão festiva ao sabor de tão piedosa participação. Passado o burburinho citadino daqueles dias, ainda em meio à recente campanha eleitoral, persistem indagações daqueles que procuram entender estas novas atenções da Igreja para com a causa do Juazeiro. A Basílica é, de fato, um sinal evidente de que está próxima a reconciliação da Igreja com os romeiros do Nordeste ? A Igreja considera legítima uma iniciativa de reabilitar o Pe. Cícero, aceitando as preces dos seus devotos ? A quem interessa reascender, agora, a questão de uma nova Diocese no Cariri ? Nós veremos tudo isto ou será mais fácil aceitar que o tempo de Roma é mesmo eterno, como já referiu, pacientemente, o bispo D. Fernando ? Tão logo a Romaria da Padroeira foi encerrada, o debate foi transferido, momentaneamente, para o vetusto Seminário da Prainha, hoje transformado numa academia renovada, futura Faculdade Católica da Prainha, desarmada do sectarismo clerical do século XIX, pelo menos com respeito ao fenômeno do Juazeiro. Dentre as questões mais expressivas ali tratadas, releve-se o resgate de um novo e profundo estudo de natureza teológica, com vistas à atualização e uma visão mais contemporânea desta força que representa as romarias de Juazeiro do Norte. Também se vê com expectativa a consolidação de uma base documental que subsidie estes estudos, a partir de uma íntima e produtiva relação entre os vários detentores destes arquivos. São estas algumas pistas para a nossa melhor compreensão desta realidade, de onde emerge, com vigor e esperança, este novo sinal de uma Basílica que sinaliza com a próxima e esperada reabilitação do Pe. Cícero, numa reconciliação com os romeiros da Mãe das Dores, a quem se deve tudo isto que somos hoje em dia. 
(JUANORTE, 19.10.2008)

AEROENGANAÇÃO
Uma notinha perdida numa folha de jornal me chamou a atenção: “A Flex Linhas Aéreas inicia amanhã (19) as operações dos voos ligando o Rio de Janeiro a Recife, Campina Grande, Fortaleza e Juazeiro do Norte. A companhia informa que os voos terão frequência diária.” À primeira vista, parecia um único voo, com duas escalas. Vasculhando informações, encontram-se detalhes que justificam a notícia, pois de fato, durante um congresso da ABAV (2007), a parte da velha Varig que não foi vendida a Gol confirmava oficialmente sua primeira empresa de voos regulares. Nascia a Flex Linhas Aéreas que iria operar com as antigas rotas da Nordeste Linhas Aéreas. A nova linha da companhia seria iniciada em seguida, operando no trecho Rio de Janeiro-Salvador-Recife, com duas frequências diárias e com equipamentos Boeing 737-300. A companhia tem uma única aeronave e deve receber, até o fim do ano, mais quatro aparelhos. Diante desta notícia, percebe-se que os planos foram acomodados num acordo assinado entre a Flex e a VRG Linhas Aéreas em maio passado. Segundo informações encontráveis na internet, a Flex cede sua aeronave e tripulações, e garante manutenção e seguros para operar linhas da VRG. Unificando malhas aéreas da VRG e da GOL, a Flex passará a operar os voos 1818, 1819, 1824 e 1825, com frequências diárias que vão ligar o Rio de Janeiro a Recife, a Campina Grande, a Fortaleza e a Juazeiro do Norte. Sem qualquer alteração no formato do acordo entre as companhias, os voos permanecem na malha da VRG/GOL e continuam sendo comercializados pela empresa. No momento da venda dos bilhetes, o cliente será informado que o voo naquela rota faz parte de um acordo entre as duas empresas e que será operado pelo equipamento da Flex. Além disso, espera-se um comunicado anunciando a parceria entre as duas companhias. O voo 1818 deixa o Rio de Janeiro às 10:50h chegando a Recife às 13:30h, de onde decola em direção a Campina Grande às 14h, aterrissando 40 minutos depois. De lá, com o número 1819, sai às 16h, de volta a Recife onde chega às 16:40h. Às 17:10h, parte de volta ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, aterrissando às 20:10h. Do Rio, o voo 1825 parte às 21:05h em direção a Fortaleza, onde chega às 00:15h e parte às 00:45h para Juazeiro do Norte, aterrissando às 01:45h. Às 04:30h, a mesma aeronave, assumindo o voo 1824, sai de Juazeiro do Norte chegando a Fortaleza uma hora depois. De lá, às 06:00h, parte de volta ao Rio de Janeiro chegando às 09:25h. Resumindo: onde se lia, antes, Gol, nos voos 1824/1825, leia-se Flex Linhas Aéreas. Como se vê, não é uma nova rota que se inaugura, mas a sua cessão a uma nova operadora. Na prática, o acesso a Recife, a partir de Juazeiro do Norte, fica mesmo por conta do voo 1811, já em operação, saindo às 14:50. Se alguém desejava ir de Juazeiro do Norte a Campina Grande, só um reembarque quase 24 horas depois, no voo 1818. Até o presente momento, a página da Infraero na web não registrou nenhuma alteração, estando os referidos voos como operados pela Gol, e a Flex não é mencionada em nenhum dos aeroportos brasileiros. Saem os novos equipamentos 737-800, da dita “frota mais moderna do Brasil”, para o velhinho, quase aposentado 737-300, renascido das cinzas da Varig. 
(JUANORTE, 26.10.2008)

CULTURA POPULAR DE JUAZEIRO
Não é difícil a compreensão de que a principal força a impulsionar Juazeiro do Norte para o seu desenvolvimento passa, necessariamente, pelas manifestações da sua cultura popular. Aqui se deve entender que falamos de uma cultura não erudita, gerada a partir de seus produtores, dentre as classes excluídas socialmente, contrariamente àquela cultuada pelo pensamento científico, acadêmico, por parcela das elites sócio, política, econômica e socialmente estratificada. Também não é oportuno a segregação nefasta entre o bom e o inferior, daquilo que vem de uma e de outra. Assomou-nos por largos anos, neste particular, um certo complexo de inferioridade. Foi o bastante para marcar diversas gerações sob esta tacanha ótica de enxergar o atraso. Ele vinha, sem dúvida, pela ausência de escolas. Em verdade, não vinha só porque a opção foi a cultura do homem do povo habituado a se manifestar “intelectualmente” pelo vestir, pelo dançar, pelo cantar, pelo contar, pelo comer, pelo testemunho de vida na simplicidade do seu existir. Daí a sua expressão legítima, culturalmente, que abrigou uma reação desse povo, como agente dessa cultura, tornando a sua arte popular sempre contemporânea, não submetida ao desgaste dos modismos, das escolas, das tendências. Eventualmente, são influenciadas sem a cooptação. Nada mais internacional que o regional, o local e provinciano. É necessário falar desta realidade como forma de avançar a nossa compreensão por este momento que vivemos, no qual a cultura popular é objeto de estudos acadêmicos, pela dita cultura erudita. Então, não há sentido qualquer a diferenciação, especialmente de valor, o que conceitualmente nos afasta deste consumo que, na essência, é a razão da sustentação desta produção cultural. Em Juazeiro do Norte as pessoas necessitam enxergar os grandes valores guardados por entre as obras de centenas de artistas populares, no canto, na literatura, no teatro, na música, na dança, no artesanato, no cinema, na fotografia, nas novas mídias eletrônicas, onde for e se manifeste. Parece que há, entre nós, uma percepção discriminadora, profundamente enganosa, nos olhares sobre os artistas populares. Dá pena vê-los mendigar o auxílio necessário às suas manifestações, como se fosse uma gente degredada, filha da nossa ignorância cultural que prefere a dita cultura erudita, como se a deles fosse inferior. Para corrigir esta nossa cegueira cultural, urge que a nossas escolas descubram a força de tantos espaços culturais distribuídos generosamente por nossa cidade. Alguns, felizmente, mantidos pelo necessário mecenato das instituições públicas e privadas. A este novo governo, nada de panis et circus. Antes disto a nossa cobrança antecipada para o reconhecimento sensível desta tarefa imperiosa: proteger a nossa cultura popular para que ela forme novas plateias. Não são as nossas “esmolas” que eles esperam, senão a presença e seu aplauso, o que nos tornará, sem sombra de dúvida, admiradores e consumidores de sua arte. Nossa homenagem a José Stênio Silva Diniz, um dos Mestres da Cultura do Ceará. Bravo ! 
(JUANORTE, 02.11.2008)

CARGA TRIBUTÁRIA E JUAZEIRO
O governo tem anunciado, frequentemente, recordes na arrecadação de tributos (IR, IOF e CSLL, principalmente). Porque pagamos a conta, todos nós sabemos o quanto é alta a carga tributária no Brasil. E são números alarmantes. Por exemplos simplórios, tais como 40% da conta de energia, 36% do preço do café, 40% do doce do açúcar e 35% da delícia do biscoito, é que se desenha um quadro muito opressor sobre a debilitada economia do consumidor deste nosso emergente mercado interno. Mesmo com os incentivos para a cesta básica, os impostos ainda comem 18% do preço da carne e do feijão e 35% do macarrão. São expressões de indignação que colho de entendidos, pois ao consumidor, nós, pobres mortais, sequer, a mínima informação não vai parar na nota fiscal que, culpa nossa, muitas vezes, nem cobramos. Por conta deste escorchante assalto aos nossos bolsos, o governo vive prazerosamente e tripudia sobre a nossa combalida situação de compulsórios endividados. Bastaria a ele, agora, a racionalidade de conter a expansão dos gastos públicos com maior seriedade e determinação, para que a arrecadação, uma vez devolvida ao contribuinte, na forma em que os municípios esmolam, viesse a merecer mais alguma tolerância ao imperativo de uma profunda reforma tributária. Desçamos deste patamar de especulações para a realidade de nosso Juazeiro do Norte. Alguém aí sabe o que o governo arrecada entre nós ? Nos primeiros seis meses de 2008, o Brasil arrecadou exatos R$ 234.105.685.250,00. O Ceará contribuiu com R$ 1.814.152.396,00 e Juazeiro do Norte com R$ 52.001.567,00. Fortaleza ocupa momentaneamente a 26ª posição de arrecadação do país. Nós estamos na posição 121, com R$ 58.369.123,00, logo abaixo de Sobral, que é a de 120. Juazeiro do Norte é discretamente superior a Petrolina, a de número 123, com R$ 51.231.875,00. Este ranking, divulgado pela Receita Federal mostra, significativamente, pelo menos no caso do Ceará, as forças que orientam à configuração espacial de novas regiões, pretensamente metropolitanas, nos pólos de Litoral, Zona Norte e Cariri. Se cada juazeirense contribui com cerca de R$ 1,16/dia, ou R$ 423,40 ao ano, os números projetam que a arrecadação em Juazeiro do Norte deve crescer ainda quase 6% em 2008, na dependência dos resultados do segundo semestre, para atingir cerca de R$ 125 milhões na virada do ano. Convém salientar que estes valores não incluem a arrecadação previdenciária, mas apenas as receitas administradas pela SRF e estes números sinalizam com uma importância crescente da máquina arrecadadora em Juazeiro do Norte. Se pensarmos no retorno que isto pode promover, poderíamos ajuntar um modesto rol de investimentos do governo federal que não faz jus a este potencial. Vejam o caso do Aeroporto Regional do Cariri, para o qual se espera um total de recursos de até 30 milhões, e que esbarra numa questão que está transita entre a boa vontade do Governo para a doação do terreno e a corrida contra o tempo, para que tais recursos não caiam em exercício findo, uma vez que vinculados ao orçamento da União, por emendas da representação política. Aliás, historicamente, tem sido as péssimas regras do jogo político, aplicado a nossa cidade, um dos principais responsáveis por este estado de quase abandono que vivemos. Levanta, Juazeiro do Norte, é a tua hora, por méritos da sua força de trabalho. Pois, quem sabe faz a hora, não espera acontecer. 
(JUANORTE, 09.11.2008)

JUAZEIRO DO NORTE, 42ºC
Na romaria recente, constatou-se, como de outros anos, o agravamento do nosso clima, já tornado quase insuportável por temperaturas elevadíssimas, de até 42ºC ao sol, pouco amenizado, pelos 38ºC, à sombra. Isto é apenas um indicador de como a questão se reflete entre nós, pela degradação ambiental, até num contexto mais amplo, regional. Não vale muito, neste espaço, digressões sobre este diagnóstico. A problemática parece-nos, está esclarecida entre o efeito-estufa e os descaminhos que tornaram áridos os velhos espaços do oásis de antigamente. Cabe-nos algum esforço sobre o que poderá ser a “solucionática”. Um dos problemas básicos que enfrentamos diz respeito ao baixo índice de vegetação na área urbano, ou urbano-marginais, o que nos remete às limitações dos nossos mananciais aquáticos. É necessário realizar alguma coisa que modifique o nosso microclima, para que ele possa oferecer alguma resposta, minimizando este grave desconforto. A companhia de águas vem realizando um projeto de reuso na agricultura, há alguns anos, a partir de seu efluente tratado na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). A Cagece informa que está elaborando um plano diretor que contempla abastecimento e esgotamento sanitário para todo o Cariri. Há uns anos atrás, um bom trabalho feito por técnicos do Cefet e Centec demonstrou que as cinco bacias da ETE Malvas não eram suficientemente eficazes para reduzir os conteúdos de nitrogênio e fósforo das águas residuárias do esgoto doméstico de Juazeiro do Norte, segundo normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA. Em consequência, havia uma previsão, ainda não superada, de eutrofização – crescimento excessivo de algas nos espelhos de água do corpo receptor, o Rio Salgado. Mais recentemente, um outro trabalho feito pelo Centec reavaliou a situação e encontrou melhor estado de desempenho da ETE, com relação a matéria orgânica e nutrientes. A Cagece, segundo me informam, está empenhada em realizar outras melhorias nas suas instalações e não as fará solitariamente, pois é necessário que sejam igualmente implementados projetos integrados de melhor utilização dos recursos hídricos que contemplem outras finalidades. Com novas melhorias a serem introduzidas nos equipamentos da ETE, até que poderia ser também viabilizado o reuso no meio ambiente, para áreas recreacionais, contato acidental (pesca e canoagem), permitido a utilização em represas, lagos e lagoas estéticas, em que o contato com o público não é permitido, pelos riscos óbvios à saúde humana. Isto poderia nuclear um novo e verde parque na cidade, um bosque com vegetação característica de espécies xerófilas, típicas da região, como o juazeiro, fruteiras e parque de vegetação mais rasteira. Não se tem dúvida que o incremento de área arborizada está no foco de esforços para a geração de microclima saudável a uma convivência mais tolerável pela população, com reflexos sobre mais ampla área da região, agregando-se o lazer indispensável ao conforto e à saúde física e mental do cidadão. No caminho destas ações está o devido esclarecimento, a necessária educação ambiental para a superação destas dificuldades que sentimos na própria pele. Devemos relevar qualquer esforço inicial, neste sentido, como o que se verifica por iniciativa do Pe. José Venturelli, em todo o domínio salesiano da colina do Horto, pois é um passo inicial e valioso ao amplo reflorestamento e recuperação da Serra do Catolé. 
(JUANORTE, 16.11.2008)

QUEM LÊ JORNAL ?
Os dois principais jornais do Ceará, os mais lidos em Juazeiro do Norte, devem estar imprimindo cerca de 60 mil exemplares por dia, com circulação nacional. Há quem diga que o mercado não assimilaria mais que 40 mil, e até se calcula que um bom nível de assinatura, se pensarmos num leitor mais cativo, deve estar por volta de 30% disto, ou 12 mil exemplares. Abaixo ou acima está o prejuízo evidente, a não sustentabilidade do empreendimento. O potencial de Juazeiro do Norte, me diz a mesma fonte, gira em, no máximo, 500 exemplares diários, o que seria “assustador”, se a meta fosse atingida a curto prazo. Nesse contexto de desapreço ao jornal, a mídia eletrônica vem invadindo gradativamente este nicho de mercado, a mais baixo custo e ótimas vantagens, continuará alterando substancialmente esta relação com a mídia impressa, numa opção clara pelo modelo “fast news”. Uma evidência: a morte de uma edição impressa em 24 horas tem levado redações a redirecionar suas pautas com maior agressividade para a reportagem, mais que o noticioso, como o leitor vinha exigindo. Resiste, provincianamente entre nós, uma imprensa de “donos de jornais” repleto de colunas para satisfazer um pretenso leitor cativo e, infelizmente, pouco exigente. E isto é bem típico de nossa cultura. A opinião deve se consagrar como vocação primordial do jornal, um filão mais presente na versão impressa, diante das novas exigências atualizadas. O “furo de reportagem” se deslocou para a esfera do jornalismo investigativo e não é mais o requinte do noticioso corriqueiro das folhas, frequentemente assaltadas com o sensacionalismo das desgraças do mundo. E não é por acaso que a leitura da mídia impressa está em crise no mundo inteiro. Exatamente porque o leitor de jornal está se habituando a lê-los pela rede, ou a frequentar portais mais dinâmicos na web. Não se pode dizer categoricamente que o modismo não chegou à província. Juazeiro do Norte continua convivendo com uma sobrevivência de jornais diário, semanal, mensal e ocasional. Não há dúvida que estes heróis da resistência, mercê, especialmente de sua aperiodicidade, o patrocínio institucional e de comércio, indústria e serviços, tem bancado a existência de uma imprensa que, em um século, desde o Rebate de 1909, sobrevive com um catálogo de quase 300 títulos. Se a maioria não tem a expressão do que seria um jornal de bom porte, a serviço de interesses comunitários, a cidade se auto-proclama um autêntico cemitério de jornais. Pouquíssimos foram os que legaram uma memória jornalística expressiva para as nossas expectativas. A maioria sumiu, sem que tenhamos notícia, por vezes, de um segundo número. Na atualidade, felizmente em virtude do domínio da internet em nosso dia a dia, tem sido melhor tê-los na telinha para uma leitura cotidiana da vida da cidade e da região. Vamos aos poucos, como este Juanorte, substituindo o velho hábito de esperar pela folha nas bancas. Isto nos livra, em parte, do vexame de encontrá-los trazendo pouca coisa que se aproveite. Estamos certos de que na dinâmica deste ciclo evolutivo os desafios recaem sobre a qualidade de uma imprensa que guarda a herança meritória da combatividade, ao qual se associa uma resposta de rapidez e eficiência para não esquecer o mesmo leitor que também paga uma conta. Esta parece ser a consciência que vai continuar legitimando a luta pela existência e brilho da imprensa eletrônica, especialmente deste nosso Juanorte.
(JUANORTE, 23.11.2008)

O CENTENÁRIO DE CELESTINO
Em dezembro, a família, amigos e a sociedade estarão celebrando o Centenário de Nascimento de Antonio Corrêa Celestino, com a programação: Fortaleza–dia 4, 20:00 h–Lançamento do livro “Antonio Corrêa Celestino”, no Centro Cultural Oboé; Barbalha–dia 7, 11:00h–Missa Gratulatória, celebrada por Mons. Pedro Barreto Celestino, filho do homenageado, na Igreja-Matriz de Santo Antonio; Juazeiro do Norte–dia 7, 20:00h–Sessão Comemorativa do Centenário(Lançamento do livro), no Memorial Padre Cícero. Celestino nasceu em 07.12.1908 no Sítio Venha-Ver (Barbalha). Teve infância e juventude com a família, vivendo da agricultura e estudando. Em 1924, se iniciou no comércio. Trabalhou em Gondim Duarte & Sampaio, Casas Pernambucanas, Casas Lundgren Tecidos S.A., Alberto Lundgren & Cia. (Barbalha, Recife, Vitória de Santo Antão, Patos e Ribeirão). Constituiu, com Pedro Sampaio, Joaquim Sampaio e Manoel Coelho de Alencar, a firma Sampaio Alencar & Cia., e as lojas A Nova Aurora (Barbalha) e a Casa Alencar (Juazeiro do Norte). Foi um dos fundadores da Associação Comercial de Juazeiro do Norte, em 10.01.1924, ao lado de Odílio Figueiredo, José Geraldo da Cruz, Alberto Morais, Felipe Néri da Silva, dentre outros. Em 1938, com Sampaio & Cia., abriu nova loja de tecidos em Juazeiro do Norte (Casa Celeste). Em 1944 fundou nova firma (Celestino & Cia), com seu sobrinho Antonio Celestino. Do seu casamento com Luscélia Costa Barreto, tiveram 5 filhos: Dra. Ana Lusce Celestino de Moura, Mons. Pedro Barreto Celestino, Dr. Nicácio Barreto Celestino (falecido), Dr. José Roberto Barreto Celestino, e Dr. Tarcísio Barreto Celestino. Em 1955, Celestino fundou a Aliança de Ouro S.A. – Comércio e Indústria, da fusão de Celestino & Cia, Teixeira & Cia, Feijó de Sá & Cia e Aliança de Ouro Com. e Ind. Ltda., um exemplo de organização, uma S.A. precursora de experiência modelar de gestão empresarial, até com participação dos funcionários nos lucros das empresas. Celestino era acionista do Banco do Juazeiro S.A., com Edmundo Morais e Luciano Teófilo, que detinham o controle da instituição. Sob sua orientação, surgiram outros empreendimentos, como a ICASA, a CIGA (Iguatu), a IESA – Indústrias Eletromáquinas e o Curtume Santa Rosa. Celestino destacou-se como ativo líder de sua comunidade, permanentemente antenado por conquistas e melhorias para Juazeiro do Norte. Foram participações inesquecíveis as que nos garantiram agências bancárias (BB e BNB) e o Aeroporto Regional do Cariri. Em quase setenta anos, Celestino foi um dos mais eficientes interlocutores das lutas pelo desenvolvimento do Cariri, ao lado de Thomas Osterne, Alexandre Arrais, Antonio Costa, Raimundo Borges, Gregório Callou, Felipe Néri, Edmundo Sá, Hildegardo Belém, Edmundo Morais, Aderson Borges, Almino Loiola, e outros. Foi um dos líderes da campanha que gerou a CELCA, de capital local e que revolucionou o desenvolvimento da Região, com a chegada da energia de Paulo Afonso. Nos anos 50, Celestino liderou a instalação da primeira central telefônica, com 400 linhas. Depois veio a Companhia de Melhoramentos, com a construção do Hotel Municipal. Celestino faleceu em 2 de março de 1995, aos 86 anos de idade, tendo se conservado como um diligente operário até poucos dias antes de sua morte. Por todas estas razões, Antonio Corrêa Celestino é uma grande personalidade para ser lembrada eternamente.
(JUANORTE, 30.11.2008)

METROPOLIZAÇÃO DO JUABC
Desde que o assunto começou a ser falado, conceituamos metropolização como o processo em que as cidades do triângulo do Cariri vem experimentando a sua gradual transformação em “metrópole” por um indicativo primeiro, e simplório: – os núcleos urbanos principais, juntos, estão prestes a conter uma população de um milhão de habitantes. Momentaneamente, especialmente nas grandes romarias a Juazeiro do Norte, certamente esta questão recorrente é mais realista. Talvez por este balão de ensaio mais se eleve a nossa preocupação em preparar, já com algum atraso, a extensa pauta de equalização de problemas que agora mais celeremente faz parte do discurso governamental. O que significa isto ? Em primeiro lugar, sem dúvida a constatação de que a infra-estrutura urbana destas comunidades está excessivamente raquítica para alçar este foro “privilegiado”, a reclamar atenções e investimentos. O Cariri até que poderia ser uma região bem mais cuidada destas atenções, e por um tempo ainda poderia estar fora destas preocupações de “futura metrópole”. Mas, a defasagem, o tempo perdido, a inoperância político-partidária e as omissões da sociedade civil atrasaram sobremaneira o processo. Agora ficamos entre o “modismo”, a pressão urbana e o clientelismo. Mais provável é que por circunstâncias diversas, tenhamos de fugir de uma reengenharia governamental aplicada ao Vale, na busca de melhor cooperação entre os figurantes da cena política. Deste modo, tratamos a questão com a intransferível destinação setorial de equipamentos e seus investimentos: um hospital regional para cá, um centro de eventos para lá, um aterro sanitário para acolá. Esta distribuição, aparentemente sensata e conciliadora, mercê da barganha política local, faz a saída honrosa da distribuição à clientela. Ainda mais nestes tempos quando “todo mundo” renunciou ao privilégio das emendas no Orçamento da União. Transfere-se para adiante, por não ser do senso comum, o necessário entendimento para uma melhor proposta de políticas públicas aplicadas à Região que se pretende “metropolizar” por decreto. Sentimos, mas pulamos, da situação de conurbação, para esta outra, pretensamente mais avançada, supondo que os municípios do JUABC já fosse suficientemente integrados socioeconomicamente, a uma cidade central (?), com serviços públicos e infra-estrutura comuns. No caso do Cariri, seria desejável que esta nova configuração urbana não desencadeasse, obrigatoriamente a formação de uma “metrópole”, pois assim o fosso de desníveis inter regionais só tenderia a crescer. Como nada disso parece se verificar, como pressuposto do processo que se pretende implementar, alguns problemas urbanos ainda não são tratados em conjunto, mas isoladamente, com soluções apenas locais. Mergulhar mais fundo nestas questões, como transporte, abastecimento de água, esgotamento sanitário, o disciplinamento do uso do solo, etc, é tarefa que mexe com a reorganização da cultura de gestão pública caririense. Mas, felizmente, ao que se informa, corre pelo interesse da Cagece, como prestador de serviço urbano, a elaboração de um amplo projeto de um Plano Diretor para o JUABC, no que toca a sua competência de água e esgoto. E isto já é muito animador. O fato é que isto é muito bom para uma redescoberta do JUABC como núcleo privilegiado de novos e convenientes investimentos públicos de grande repercussão para aprimorar a qualidade de vida da região sul do Estado.
(JUANORTE, 07.12.2008)


O CINEMA ALTERNATIVO NO CARIRI


SESSÃO CURUMIM (CARIRIAÇÚ)
O Centro Cultural BNB promove de forma itinerante (Arte Retirante) uma sessão de cinema para crianças, denominada Sessão Curumim, com entrada gratuita, exibe no dia 8, quinta feira, às 8 horas, na Comunidade do Sítio Monte, em Caririaçú, o filme JIMMY E NEUTRON – O MENINO GÊNIO (Jimmy Neutro: Boys genius, EUA, 2001, 90 min). Direção de John A. Davis. Sinópse: Jimmy Neutron é um garoto muito inteligente e criativo, mas que possui dificuldades em se relacionar com outros jovens da sua idade. A situação muda quando todos os pais da cidade são seqüestrados por alienígenas yokianos a mando do Rei Goboot. Isso faz com que Jimmy tenha que liderar uma expedição de crianças ao espaço sideral a fim de salvarem seus pais, que correm o risco de serem vítimas de um sacrifício. Uma aventura emocionante, divertida e cheia de perigos!
SESSÃO CURUMIM(JUAZEIRO DO NORTE)
A Sessão Curumim, do projeto Arte Retirante também ocorre no próximo dia 17, quinta feira, às 14 horas, no Orfanato Jesus Maria José (Rua Cel. Antonio Pereira, 64, Santa Tereza, em Juazeiro do Norte, o filme ANASTASIA (Anastasia, EUA, 1997, 85 min). Direção de Don Bluth e Gary Goldman. Sinópse: Aparentemente o Czar e toda a sua família morreram durante a Revolução Russa, mas, após alguns anos, surge um boato de que a Princesa Anastasia teria sobrevivido. Como sua avó, a grã-duquesa imperial que vive em Paris, ofereceu uma recompensa de 10 milhões de rublos para quem encontrasse sua neta, apareceram várias “Anastasias” sonhando ficar com a recompensa. Em Moscou, Dimitri e Vladimir se esforçam para encontrar uma jovem que se aparente com a princesa desaparecida e, assim, possam ganhar a recompensa. Quando estão quase desistindo encontram Anya, uma jovem órfã que não se lembra do seu passado, mas tem tudo para se fazer passar por Anastasia. Assim, começam a ensaiá-la e rumam para Paris, mas gradativamente Dimitri passa a acreditar que Anya é realmente a princesa desaparecida.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na quintas feira, dia 17, às 19:30 horas, dentro da Sessão GRANDES FAROESTES, o filme MAVERICK (Maverick, EUA, 1994, 127 min). Direção de Richard Donner. Sinopse: Em meio à uma série de aventuras, o inveterado jogador de pôquer Bret Maverick (Mel Gibson) tenta arrumar os três mil dólares que lhe faltam para participar de um jogo milionário em uma barca do Mississipi, no qual o vencedor vai receber meio milhão de dólares. Para entrar neste jogo poderoso, ele vai juntar forças com uma interessante e misteriosa jogadora.
CINE ELDORADO (JUAZEIRO DO NORTE)
O Cine Eldorado (Cantina Zé Ferreira, Rua Padre Cícero, 158, Centro, Juazeiro do Norte), com entrada gratuita e com a curadoria e mediação do prof. Edmilson Martins, exibe na sexta feira, dia 18, às 19:30 horas, dentro da Sessão FILMES INESQUECÍVEIS, o filme SANGUE DE BÁRBAROS (Conqueror, EUA, 1956, 111 min). Direção de Dick Powel. Sinopse: O líder mongol Temujin (John Wayne) enfrenta uma dura batalha contra a tribo rival responsável pela morte de seu pai. Pior ainda é a guerra que ele enfrenta diariamente em casa, onde sua prisioneira de origem tártara, Bortai (Susan Hayward), tenta confundi-lo causando intrigas familiares.
CINE CAFÉ (CCBNB, JUAZEIRO DO NORTE)
O Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, (Rua São Pedro, 337, Juazeiro do Norte), realizando sessões semanais de cinema no seu Cine Café, com entrada gratuita e com curadoria e mediação de Elvis Pinheiro, exibe no dia 19, sábado, às 17:30 horas, o filme ORLANDO (Orlando, França/Holanda/Itália/Reino Unido/Rússia, 1992, 93 min). Direção de Sally Potter. Sinopse: O nobre Orlando (Tilda Swinton) é condenado pela Rainha Elizabeth I (Quentin Crisp) a permanecer eternamente jovem. A maldição se cumpre e Orlando atravessa os séculos experimentando vidas, parceiros, sentimentos e mudanças de gênero.
IMAGENS ESQUECIDAS (XXXIII)
Há pouco tempo atrás, Regi Belisário, da Secretaria de Cultura, por está realizando um amplo levantamento sobre a região da antiga Pracinha do Socorro (depois Praça do Cinquentenário, e hoje Praça do Memorial, ou mais precisamente, Praça José Sarney) me pediu que fornecesse algumas fotos antigas sobre a região. Juntei a estas uma em que eu mesmo apareço, datada de 1953. Na imagem, eu estou com uma camisinha de lã, em listas , preto,verde e vermelho (lembro bem, pois ela foi guardada por muitos anos até mais que minha adolescência). Minha irmã, Ana Célia aparece sentada no chão da escadaria da pracinha. Duas outras crianças estão aí. De roupa branca está o Ricardo José Vilar de Brito e sua irmã, de costas, Maria Auxiliadora Vilar de Brito, frente ao guarda que fazia o policiamento da área. Ricardo e a irmã eram filhos de amigos nossos, o empresário Aderson de Moraes Brito e sua senhora, Maria Hosana Vilar de Brito. Ele, ligado à empresa P. Machado, usina de algodão que havia na Rua São Francisco, esquina da Rua São Paulo. O escritório era do lado impar da rua, enquanto a Usina era do lado par, onde por muitos anos funcionou a Rádio Progresso. Até o final dos anos 60, o galpão ainda existiu, tanto que aí foi montado pelo escultor Armando Lacerda a maquete da estátua do Horto. Depois houve a reforma e o prédio passou a ser ocupado pela Citelc. Durante muitos anos eu não me lembrava do Ricardo José, incluindo, claro, seu nome. Mas há poucos dias, consultando assentamento de batismo da paróquia de Juazeiro do Norte, ali descubro que Ricardo José Morais de Brito é nascido em Juazeiro do Norte, no dia 14.05.1950, foi batizado por Mons. José Alves de Lima, em 28.05.1950. Quando estava procurando informação sobre Auxiliadora, fui informado que ela trabalhara na antiga Teleceará. Por uma pessoa amiga terminei sabendo que ela falecera precocemente há uns três anos, aqui em Juazeiro do Norte. 
NOVAS RUAS

A Câmara Municipal aprovou designações, como homenagens, para novas ruas da cidade, conforme os seguintes atos: 

LEI Nº 4838 DE 25 DE ABRIL DE 2018: Art. 1º - Fica denominada de RUA ANTÔNIO EMÍDIO DA SILVA, no Bairro Frei Damião, a Rua Projetada 27 do Loteamento Parque dos Terésios, sendo a primeira paralela Norte à Rua Maria Neli Gonçalves, com início na Rua Manoel Tavares Lopes, sentido Leste/Oeste. Autoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva; Coautoria: José Nivaldo Cabral de Moura.

LEI Nº 4840 DE 25 DE ABRIL DE 2018: Art. 1º - Ficam denominadas as artérias públicas do Loteamento Jardins de Juá, situado na Avenida Agricultor Pedro Furtado de Menezes, no Bairro Salgadinho, no Município de Juazeiro do Norte/ Ce., na forma abaixo: I – RUA ANTÔNIO MAURO COMIN, a via local 01 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Rua Mauro Martins do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; II – RUA MARIA ELIZA BIANCHI, a via local 02 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Rua Mauro Martins do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; III – RUA JUVENAL DE SOUSA, a via local 03 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; IV – RUA FABÍOLA LUANA CARVALHO, a via local 05 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; V – RUA SAPATEIRO JOAQUIM FERREIRA, a via local 07 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; VI – RUA MARIA IVONEIDE DE MELO, a via local 04 do Loteamento jardins de Juá, com início na Rua Mauro Martins e término na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo loteamento, sentido Leste/Oeste; VII – RUA DIONÍZIA FERREIRA DE SOUSA, a via local 06 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Rua Mauro Martins e término na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; VIII – RUA ENGENHEIRO MARCO ANDRÉ PINTO, a via local 09 do Loteamento Jardins de Juá, com início na Rua Mauro Martins do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste. IX – RUA RUBERLANIO FERREIRA, a via local 08, com início na Rua Mauro Martins e término na Avenida Ednaldo Silva Sousa do mesmo Loteamento, sentido Leste/Oeste; X – RUA MAURO MARTINS, a via local 10 do Loteamento Jardins de Juá, com início na estrada vicinal Pedro Furtado de Menezes e término e na Rua Engenheiro Marco André Pinto do mesmo Loteamento sentido Norte/Sul. Autor: Damian Lima Calú.

LEI Nº 4850 DE 25 DE ABRIL DE 2018: Art. 1º - Fica denominada de RUA PROFESSORA MARIA FÁTIMA MOREIRA DE OLIVEIRA, a Rua 11 (prolongamento da Rua Antônio Vieira Sobrinho), Conjunto Habitacional São Sebastião II, 1ª paralela Norte à Rua Augusto Dias de Oliveira, início na Rua 01, Conjunto São Sebastião II, sentido Oeste/Leste no Bairro Professora Maria Gely de Sá Barreto. Autoria: Glêdson Lima Bezerra.

CIDADÃO JUAZEIRENSE (I)
A dignidade de Cidadão Juazeirense acaba de ser conferida a mais um servidor dessa cidade, conforme o ato: RESOLUÇÃO N.º 903 DE 19 DE ABRIL DE 2018: Art. 1.º - Fica concedido Título Honorífico de Cidadão Juazeirense ao Ilustre Senhor ALEXANDRE LOPES DA SILVA, pelos inestimáveis serviços prestados à esta comunidade. Autoria: Rosane Matos Macêdo, Coautoria: José Tarso Magno Teixeira da Silva e Glêdson Lima Bezerra; Subscrição: Cícero Claudionor Lima Mota, José Adauto Araújo Ramos, Francisco Demontier Araújo Granjeiro, José David Araújo da Silva, Damian Lima Calú, Antônio Vieira Neto, Rubens Darlan de Morais Lobo, José Barreto Couto Filho, Domingos Sávio Morais Borges, Herbert de Morais Bezerra, Luciene Teles de Almeida.
CIDADÃO JUAZEIRENSE (II)

A propósito de uma das últimas concessões de título de cidadania juazeirense, no caso a Miguel Benedito Peixoto, noticiado na nossa coluna de 29.04.2018, recebi o seguinte e-mail de um dos seus filhos, Dr. Miguel Marx. Transcrevo com grande prazer o seu texto sem em nada alterar, pelo carinho de registrar o perfil de mais um dos homenageado num dos logradouros públicos de nossa cidade. Agradeço ao Dr. Miguel Marx a gentileza de ter enviado e a seguir a sua publicação. “Biografia resumida: Miguel Benedito Peixoto gostava de dizer que tinha dois aniversários, nasceu em 3 de abril de 1958, uma quinta-feira santa, na pequena Ibaretama, à época distrito de Quixadá (CE). Seus pais Odete Benedito Peixoto e José Peixoto Lins eram agricultores e viviam do sustento das plantações das suas terras. Era irmão único de Hemetério Benedito Peixoto (deficiente mental). Deslocar-se seis léguas de jumento para chegar à escola foi rotina por muitos anos na zona rural. Na adolescência foi sacristão e sempre aluno destaque, apesar das dificuldades, a vontade de crescer era maior. Iniciou e concluiu a vida estudantil em escolas públicas, graduou-se Pedagogia na UECE em 1987 (destacando-se como líder estudantil). Foi aprovado no concurso público do Banco do Brasil no ano de 1979, ocasião em que obteve o 11o lugar nacional. Foi correspondente do Jornal O Povo e da Rádio Uirapuru, época em que comprava fichas telefônicas e realizava a transmissão ao vivo a partir de orelhões. Casou-se em 1979 com Maria das Graças de França Peixoto, junto dela, em 1985 abriu o primeiro comércio: Casa do Queijo, onde vendiam produtos da agricultura familiar (queijo, manteiga-da-terra e mel) produzido sítio de seus pais. O comércio cresceu e virou a “Doces & Balas”, em 2002 a tabacaria foi transformada em Comercial São Miguel, um dos maiores comércios varejistas local, gerador de trabalho e emprego. Os quatro filhos cresceram trabalhando no comércio dos pais e a partir dele lhes foram assegurados sustento e estudos. Hoje formados: Miguel Marx (1981), médico, advogado e acadêmico de Engenharia Civil, que mora e trabalha no Juazeiro do Norte há 18 anos; Odete Melba (1985) e Olga Lourdes (1987) ambas cirurgiãs-dentistas e Miguel Lenges (1989) advogado. A educação dos filhos foi sempre motivo de orgulho e que ele fazia questão de divulgar para os amigos. Integrado à Câmara de Dirigentes Lojistas e Rotary Club, eleito em ambas, Presidente por duas gestões. Costumava estar integrado aos circuitos sociais, de criar ideias e mobilizar pessoas. Grande incentivador da cultura de viola, cordelista, comandou o programa Momento da Viola, na Rádio Cultura. Promovia festivais de cantoria em várias cidades do interior cearense, convidando cantadores, repentistas de diversas cidades do Nordeste para eventos. Era escritor e poeta, escreveu o livro Parnaso Agreste. Produziu o CD Um Cantador Exemplar, Exemplo de cidadão, no qual homenageava os 120 anos de aniversário do Cego Aderaldo, nome nacional, poeta cratense. Faleceu precocemente aos 53 anos, na cidade de Quixadá (CE), em 26 de agosto de 2011, quando saía da agência do BB, onde ocupava a função de gerente, vítima da ação de criminosos que, com cinco tiros, o tiraram da família e amigos. Os bandidos, até hoje, recorrem em liberdade.” A coluna também tem o prazer de ilustrar essa nota com uma foto do homenageado que pode ser encontrada publicamente na internet através da busca com o Google.